Agosto
2007
Nesta edição:
Editorial
Esperando o Congresso
Foco nos Convivias
Novos convivia
Convivia ativos
Terra Madre
Do Chile ao Norte
da Europa com a rede
Eventos para conhecer, encontrar e degustar
Itinerarios pelos
sabores argentinos
Universidade em
Agosto? Mas sem exames
Educare Slow
Educação sobre
molho indiano
Operação biodiversidade
A extraordinária
biodiversidade vegetal do Japão
Uma festa com sabor
a alho
UNISG: vida no campus
Com um master no
bolso
Coisas nossas
Convivial Pursuits
(Guia de eventos)

Foco
nos Convivias
• Novos
Convivias
Aqui ficam os convivia que entraram mais
recentemente para a rede do Slow Food:
Extrême Nord Cameroun - Camerun
Shrewsbury - UK
Volca'niac - França
Rouergat - França
• Convivias
Ativos
Um aperitivo
em frente ao ecrã
Os sócios canadianos de London-Ontario passaram uma agradável
noite de Verão de projecções cinematográficas, acompanhadas
por um aperitivo à base de vinho local, cerveja biológica
e canapés preparados com ingredientes da época. O público
teve assim oportunidade de ver o filme “Slow Food Revolution”,
que conta como nasceu e cresceu o movimento Slow Food no mundo,
e “Cultivating Change” (cultivar a mudança), um documentário
que tem como protagonista, uma senhora que doou um terreno
à sua cidade para que se fizesse uma horta e um pomar públicos,
ao serviço de toda a comunidade. O evento decorreu na Universidade
de Western Ontário e é um óptimo exemplo de como conciliar
boa comida, temas sociais e divertimento.
Um dia Slow com a insígnia bio
Em 12 de Agosto o convivium irlandês Erne-Garavogue, da Região
de Leitrim, convidou 50 pessoas, entre sócios e simpatizantes,
para o centro de produção biológica The Organic Centre. O
dia teve início com uma visita à riquíssima horta e uma conferência
dedicada ao Center’s Community Food Project, um programa que
ensina pessoas, com rendimentos díspares, a cultivar e cozinhar
fruta e verdura biológica. As degustações alternaram-se com
momentos de apresentação do movimento Slow Food, do Terra
Madre, das actividades dos convivia locais e dos produtos
irlandeses da Arca e das Fortalezas. Os participantes provaram
vários pratos deliciosos preparados com os produtos da horta
biológica. Um produtor local de batatas apresentou 30 das
160 variedades que cultiva. Entre os presentes suscitou grande
interesse a demonstração de técnicas de apicultura e a apresentação
de algumas algas comestíveis.
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Terra Madre
Do Chile ao
Norte da Europa com a rede
Julio Chomorro é um jovem engenheiro com a paixão pela pesca,
que colabora com a Fortaleza de peixe da Ilha de Robinson
Crusoe. No passado mês de Maio participou, juntamente com
os pescadores da Fortaleza, no Slow Fish – o evento dedicado
à pesca sustentável organizado pelo Slow Food em Génova, Itália,
de dois em dois anos –, onde conheceu os seus colegas ingleses,
holandeses e noruegueses. A troca de opiniões e conselhos
foi imediata, e assim nasceu a ideia de visitar algumas Fortalezas
e comunidades do alimento europeias. Tirando assim partido
da junção do espírito de colaboração que anima a Rede do Terra
Madre e da experiência dos projectos das Fortalezas: no mês
de Junho o técnico chileno trabalhou lado a lado com alguns
pescadores holandeses de crustáceos, enquanto que em Julho
foi convidado dos pescadores de arenque e salmão na Noruega.
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Eventos para conhecer,
encontrar e degustar
Itinerarios
pelos sabores argentinos
De 12 a 15 de Julho a capital argentina recebeu a feira “Caminos
y Sabores” (percursos e sabores), uma das exposições mais
importantes a nível nacional dos sectores alimentar, artesanal
e turístico, com mais de 200 expositores e 50.000 visitantes.
O convivium Punto Slow Food Buenos Aires, assim como alguns
representantes dos convivia de Mar del Plata e Rosario y Río
Negro participaram na feira para ilustrar as actividades locais
e internacionais da Associação, também através de uma conferência
dirigida pelo Prof. Hugo Cetrangolo intitulada “O movimento
Slow Food: prazer e biodiversidade”.
A representar o mundo Slow Food em “Caminos y Sabores” estiveram
também as comunidades do alimento e as Fortalezas das batatas
andinas e do milho andino. O dia central da feira ficou ainda
mais apetitoso devido aos pratos preparados pelos cozinheiros
da Rede do Terra Madre, que transformaram na cozinha os produtos
das comunidades do Norte argentino e da Patagónia.
Um acordo assinado pelo convivium Punto Slow Food Buenos Aires
e “Caminos y Sabores” ajudará a promover ainda mais as ideias
do Slow Food no país sul-americano.
Para mais informações: www.caminosysabores.com.ar
Universidade
em Agosto? Mas sem exames
Os sócios do Slow Food França foram convidados para dois dias
de escola do gosto, ao estilo do Slow Food. Foi a Université
d’été (universidade de Verão): a 25 e 26 de Agosto em Beaune,
na Borgogna. Uma centena de sócios, provenientes de todas
as partes do país, participou num programa recheado de conferências,
visitas e provas, sem esquecer os agradáveis momentos de convívio,
aproveitando o fantástico cenário de uma das regiões de vinho
mais famosas do mundo. O tema central desta segunda edição
da Universidade foi o gosto: esse sentido foi apresentado
nas suas componentes fisiológicas e culturais, como elemento
chave para ter acesso de forma crítica e consciente a uma
alimentação saudável e agradável.
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Educar Slow
Educação sobre
molho indiano
Graças à colaboração entre o convivium Slow Food Delhi de
Nova Deli, a Fundação Navdanya (que tutela a biodiversidade
agro-alimentar local) e a Diabetes Foundation (fundação contra
a diabetes), os jovens de vinte escolas de Deli estão a aprender
a alimentar-se de maneira saudável e nutritiva.
Um programa rico em formação em sala, actividades na cozinha
("Little Chefs", pequenos chefes) e nas hortas ("Little
Ecologists", pequenos ecologistas) ajuda os alunos a
reconhecer os efeitos que os vários alimentos têm na saúde,
no ambiente e nas condições de vida dos produtores. Desta
forma, os jovens apercebem-se na primeira pessoa, de quão
preciosa é uma alimentação equilibrada e de qualidade, e consequentemente
transmitem às suas famílias uma nova atitude.
Inserido no "Good Food Programme" (programa para
uma alimentação correcta), segunda-feira 23 de Julho foi projectado,
em antestreia, o filme "Eating Rights" (jogo de
palavras: em inglês significa simultaneamente “comer bem”
e “direitos da alimentação”). Participaram na projecção cinquenta
estudantes e professores de Deli e, entre outros, também Vandana
Shiva. O filme foi o pretexto para discutir problemas como
a diabetes, a mal nutrição, a obesidade e a fome, que atingem
a população jovem indiana de hoje, mas também para propor
a melhoria dos serviços das cantinas nas escolas, a criação
de hortas nas escolas, a visita directa a produtores locais
para valorizar os alimentos indianos tradicionais mais saudáveis.
Durante o encontro ilustraram-se várias experiências de educação
alimentar que a Associação Slow Food tem acumulado ao longo
dos anos em várias partes do mundo: um momento útil de intercâmbio
e enriquecimento recíproco.
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Operação Biodiversidade
A extraordinária
biodiversidade vegetal do Japão
A Arca do Gosto japonesa, na sua busca contínua de produtos
a proteger, tem cinco novos passageiros. Trata-se da couve
de Nagasaki, produzida em três bairros da cidade homónima
na ilha de Kyushu; da abóbora masakari, ou masakari kabocha,
de casca particularmente dura, tanto que se tem que cortar
com um machado (masakari); do mizukakena, um vegetal de folhas
verdes, carnosas e doces; da cebola invernal yatabe, com ciclo
de cultivo longo e delicado e, por fim, da cebola sapporoki,
cujo nome deriva da cidade de Sapporo, da Ilha de Hokkaido.
Uma festa
com sabor a alho
O alho de Ljubitovica é famoso em toda a Dalmazia: saboroso
e perfumado, cobre-se frequentemente de veios de tons avermelhados.
Em Julho o recém-nascido Convivium Slow Food de Zagabria organizou
a primeira Festa do alho de Ljubitovica, na qual participaram
cerca de 50 produtores. Em breve nascerá uma Fortaleza para
preservar este humilde tesouro, ligado à tradição rural croata.
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UNISG: vida de campus
Com um master
no bolso
Taylor Cocalis, após ter concluído o Master na UNISG, pôs
em prática as suas capacidades relacionais e comunicativas,
e os conhecimentos adquiridos, começando a trabalhar na Murray’s
Cheese, a famosa loja de queijo nova-iorquina.
Na qualidade de coordenadora de programas educativos da Murray,
Taylor organiza momentos de encontro entre apreciadores de
queijo e profissionais do sector, estudiosos e produtores
com a finalidade de analisar, degustar e celebrar a variedade
de queijos existentes no mundo.
Se está interessado em ser formador na Murray’s Cheese, ou
conhece alguém que possa estar, pode entrar em contacto com
a Taylor: taylor@murrayscheese.com
Para os detalhes do programa: www.murrayscheese.com/edu_main.asp
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Coisas Nossas...
Convivial
Pursuits (Guia de eventos)
O Convivial Pursuits já vai fazer um ano de existência.
Foram muitos os líderes de convivium que já deram o seu contributo
para o guia, e no departamento internacional temos dedicado
tempo e empenho neste manual, porque estamos certos que pode
ser um instrumento útil para quem queira organizar eventos
interessantes.
Este parece-nos o momento adequado para fazer um balanço.
Para tal, convidamo-lo a clicar aqui (English/Español)
e a responder a algumas questões, que nos ajudarão a perceber
se, e como, é que o projecto está a funcionar. Contamos com
a vossa ajuda. Obrigado.
Podem também encontrar um novo
exemplo de actividade organizada pelo convivium de Sommerset
dedicada à apanha de cogumelos.
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Para qualquer pergunta, informações
ou eventos que queira partilhar por favor entre em contato
com o coordenador da sua área.
Saudações Slow,
Slow Food Escritório Internacional
international@slowfood.com
ENTRE EM CONTATO
Escritórios nacionais Slow Food: verificar na pagina
web
Coordenadores de área (junto
aos escritórios Slow Food em Bra) para os países onde não
há um escritório nacional:
África e Oriente Médio
Séverine Petit – s.petit@slowfood.com
América Latina
Lia Poggio – l.poggio@slowfood.com
José Carlos Redon - j.redon@slowfood.com
Canadá
Lilia Smelkova – l.smelkova@slowfood.com
Asia e Oceanía
Elena Aniere - e.aniere@slowfood.com
Europa
Espanha, Bélgica, Grécia, Luxemburgo:
Mariagiulia Mariani - m.mariani@slowfood.com
Leste Europeu, CSI-Comunidade de Estados Independentes,
Países Baixos, Irlanda:
Lilia Smelkova – l.smelkova@slowfood.com
Esandinávia:
Veronica Veneziano – v.veneziano@slowfood.com
Áustria:
Raimondo Cusmano – r.cusmano@slowfood.com
Portugal:
Lia Poggio – l.poggio@slowfood.com
Comunicação
Marta Mancini – m.mancini@slowfood.com
Monica Mascarino - m.mascarino@slowfood.com
Michèle Mesmain – m.mesmain@slowfood.com
Assuntos gerais
international@slowfood.com
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EDITORIAL |
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Quando se tem memória de
algo, tentamos preservá-la. Reflictam um pouco: se têm
em casa um objecto velho, que talvez já não funciona na
perfeição, um pouco gasto, podiam cair na tentação de
o substituir. Mas se esse objecto – que pode ser: um sofá,
um utensílio de cozinha, etc. – vos trás recordações,
memórias, que contam a história da vossa casa, no fundo
a vossa história, será difícil desfazer-se dele assim
facilmente.
Memória é sinónimo de cuidar, e é este um dos principais
motivos que me levam a pensar que devemos focar a nossa
atenção, entre outros, no conceito de memória local a
partir do congresso de Puebla.
Memória local quer dizer cuidar do próprio território
a 360°. Quer dizer manter vivas as tradições, não apenas
as gastronómicas: agricultura, receitas, produtos, biodiversidade,
mas também outras expressões de cultura popular como música,
arquitectura, dialectos, histórias locais, tanto dos lugares
como das pessoas comuns.
Ter memória local, e trabalhar no próprio convivium para
que seja passada de geração em geração, seja publicada,
reviva nas nossas iniciativas, creio que é uma das tarefas
mais agradáveis e estimulantes que nos podemos oferecer.
É uma forma de agir concretamente no próprio território,
para o defender; mas é também uma forma de praticar economia
local e de participar individualmente na grande rede associativa
que criámos e que aumenta de dia para dia.
Olhem em volta: perto de nós lemos a história – por vezes
escondida, esquecida – que está nas coisas que nos rodeiam,
que gostamos de comer também; a história das pessoas que
vivem nas nossas terras. Só nos fará bem se cuidarmos
dela, se preservarmos a nossa memória local: é como cuidar
de nós próprios.
Carlo Petrini |
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Em
1990 o Premio Nobel da Literatura foi entregue a
Octavio Paz, o poeta mexicano mais famoso e controverso
da segunda metade do século XX. Poeta, ensaísta
e animador de revistas literárias de grande relevo,
Paz é considerado um dos maiores intelectuais mexicanos
da época contemporânea.
Nasceu na Cidade do México em 1917 (onde morreu
em 1998), Paz notabilizou-se pela poesia de influência
barroca e pelo seu empenho político.
Entre 1936 e 1939 participa na Guerra Civil espanhola,
nas fileiras dos Republicanos. Referindo-se àqueles
anos, Paz declarou: «para nós a actividade poética
e revolucionária eram a mesma coisa». No entanto,
rapidamente a sua atenção centrou-se, tanto na poesia
como na ensaística, no âmbito social e nos problemas
universais e de natureza metafísica, inspirado pelo
movimento surrealista, ao qual adere no início da
década de cinquenta.
Entra no corpo diplomático mexicano em 1945, demitindo-se
do cargo de embaixador em Nova Deli em 1968, como
sinal de protesto contra o massacre dos estudantes
numa manifestação na Cidade do México pouco antes
das Olimpíadas.
Às primeiras poesias seguem-se numerosas publicações
entre as quais: Libertad bajo palabra (1949),
Piedra de sol (1957), Salamandra
(1962), Topoemas (1968), Ladera este
(1969).
Como ensaísta Octavio Paz notabilizou-se sobretudo
pelo seu volume El laberinto de la soledad
(1950), fascinante interpretação do mundo mexicano,
desde a época da conquista até à actualidade, e
aguda reflexão sobre a identidade mexicana.
No site www.slowfood.com,
ainda por ocasião do Congresso, um dossiê
especial sobre o México.
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