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Novembro 2007
Nesta edição:

Editorial
Foco nos Convivias
    Novos convivia
    Convivia ativos
Terra Madre
    O Dia dos Cozinheiros Terra Madre
Eventos para conhecer, encontrar e degustar
    Existe o produto bom?
    Saberes e sabores em Bilbao   
Educar slow
    Um Slow Mobil em passeio pela Baviera
    Em que sentido?
Operação biodiversidade
    A Arca do Gosto aventura-se em novos mares
    Um animado museu ao ar livre
    O Mediterrâneo convidado de Marrocos
UNISG: vida no campus
    Um gastronauta italiano
    Juventude internacional no México
Coisas nossas
    Slow Food e as Cidades Slow
  



Um site poliglota
Finalmente o site do Slow Food fala muitas línguas diferentes! Desta forma, cada vez mais pessoas de todo o mundo podem informar-se sobre a nossa associação e inscrever-se.
Uma versão simplificada do site www.slowfood.com, está já disponível em francês, espanhol, alemão e japonês. Em breve estarão on-line também as versões portuguesa e russa.
Na secção “Documentos” de cada versão poderão descarregar o PDF do Manifesto, do manual de apresentação, da brochura associativa e da apresentação powerpoint, nas diferentes línguas.


Foco nos Convivias

• Novos convivia

Aqui ficam os últimos convivia abertos pelo mundo:

Chisinau – Moldávia
Kamchatka – Federação Russa
Tauranga – Nova Zelândia


• Convivia ativos

Slow Food na rádio e no cinema argentino

O convivum argentino de Mar del Plata e a sua líder Maria Larsen são um vulcão de ideias. Em 2006 tinham já organizado o primeiro festival de cinema no seu país dedicado aos temas Slow Food. O filme vencedor foi o documentário Semillas Sagradas (sementes sagradas – homenagem aos produtos andinos) de José E. Becker e Andrea Méndez Brandam. Para a edição de 2008 do festival os sócios de Mar del Plata, para além de seleccionarem registos da América Latina, já se “geminaram” com o convivium de Saragoça em Espanha para criar uma espécie de rede internacional do cinema Slow Food.
Há já alguns meses que a Maria é responsável pelo Slow Food Argentina, um programa de rádio emitido todas as segundas-feiras entre as 10h00 e as 12h00 onde se entrevistam em directo produtores, chefes, líderes de convivium, sócios argentinos e responsáveis do departamento associativo internacional. O programa pode também ser acompanhado pela internet em www.991fmciudad.com.ar
Por fim, os sócios de Mar del Plata estão a desenvolver um serviço de consultoria a produtores sobre o registo de uma marca, um produto ou uma empresa.

Para contactar o convivium, escrever para:
María Larsen
mdlarsen@hotmail.com

Brinde bávaro
No passado mês de Outubro um grupo de sócios do país Basco efectuou uma visita ao convivium de Munique na Baviera. Johannes Bucej, responsável do convivium alemão, fez as honras da casa, convidando Alberto Lopez de Ipina Samaniego, líder de convivium de Araba - Alava, Vitoria, e os seus companheiros de viagem à cervejaria tradicional „Pschorr“, situada dentro de Viktualienmarkt, o melhor mercado de produtos gastronómicos da cidade. Os sócios bascos e bávaros trocaram informações e ideias a respeito das suas experiências no Slow Food e prometeram voltar a encontrar-se nos eventos recíprocos: Algusto – Saber y Sabor e Food & Life.

Para mais informações, visitar o site do convivium de Munique:
www.slowfood.de/slow_food_vor_ort/muenchen/


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Terra Madre

O Dia dos Cozinheiros Terra Madre
No ano passado, durante o encontro de cozinheiros no Terra Madre, os chefes Sofia Gulliksson e Claudio Bincoletto propuseram que todos os anos, a 11 de Novembro se celebra-se o Dia dos Cozinheiros do Terra Madre, para dar a conhecer o Slow Food e promover os valores do Terra Madre entre pessoas influentes, imprensa e público em geral. Escolheu-se o décimo primeiro dia do décimo primeiro mês – como o dia no qual foi assinado o Armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial – porque é um dia que representa paz e novos inícios. Também este ano muitos cozinheiros responderam com entusiasmo ao apelo de Sofia e Claudio, organizando jantares e eventos, da Suécia à Argentina, a favor do agro-alimentar sustentável.


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Eventos para conhecer, encontrar e degustar

Existe o produto bom?
A 30 de Novembro e 1 de Dezembro decorrerão em Tours, França, os Encontros François Rabelais, organizados pela terceira vez pelo Instituto Europeu de História e Cultura da Alimentação (IEHCA). Os encontros constituem o momento central do Fórum Alimentação e Cultura, que desde 2005 é organizado pelo IEHCA para permitir a universitários, jornalistas e profissionais da restauração discutirem perspectivas actuais e futuras do mundo ligado à cozinha. O tema seleccionado para reflexão este ano é: “O ‘produto bom’ existe?” A responder a esta provocação também foram convocados representantes do Slow Food: do Presidente do Slow Food França Jean Lhéritier, à jovem Sarah Cappeliez, responsável pelos programas de educação do gosto em França. A Carlo Petrini caberá o discurso de encerramento, seguido da projecção do filme do realizador austríaco Erwin Wagenhofer We feed the World: uma viagem à descoberta dos paradoxos e das injustiças que se escondem, por um lado, atrás da sobreabundância de alimentos e por outro, por trás da fome espalhada no nosso planeta.

Para mais informações, visitar os sites do Slow Food França e do IEHCA.

Saberes e sabores em Bilbao
De 29 de Novembro a 2 de Dezembro as excelências gastronómicas do mundo encontram-se em Bilbao: graças à colaboração entre o Bilbao Exhibition Centre (o centro de feiras de Bilbao) e o Slow Food, nasce Algusto – Saber e Sabor. O evento parte da experiência do Salone del Gusto para chegar a Espanha com uma fórmula similar: uma selecção de Fortalezas do mundo ao lado de expositores enogastronómicos de qualidade. Para esta primeira edição, Algusto focaliza-se na península ibérica, nos países da área atlântica e da América Latina.
Não esquecendo o sector educativo. O programa é rico em Laboratórios do Gosto, actividades dedicadas às escolas, Teatros do Gosto que permitem conhecer os segredos dos grandes chefes e jantares temáticos, nos quais a jovem e criativa gastronomia basca será o centro das atenções.
Mais uma ocasião para descobrir as produções artesanais de todo o mundo e uma confirmação no empenho do Slow Food pela promoção de uma consciência alimentar baseada na busca da qualidade, no respeito pela tradição e na sustentabilidade da produção, que são actualmente valores partilhados em todo o mundo.

Para mais informações, visitar o site:
www.bilbaoexhibitioncentre.com/portal/page/portal/ALGUSTO


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Educar slow

Um Slow Mobil em passeio pela Baviera
Um furgão transformado em cozinha itinerante: este é o Slow Mobil, que visitará jardins-de-infância e escolas primárias bávaras durante 2008 para envolver as crianças locais na preparação culinária e Laboratórios do Gosto. Um projecto ambicioso, lançado por Borsi Kochan, um dos fundadores do Slow Food Alemanha, e Kathrin Meister; apoiado pela União para o Ambiente e a Saúde da administração da cidade de Munique, para além de vários outros patrocinadores privados. Para realizar o Slow Mobil foi constituída propositadamente uma associação, chamada Junior Slow. O furgão-cozinha será apresentado ao público na feira Food & Life, que decorrerá em Munique de 6 a 9 de Dezembro.

Para mais informações sobre o Slow Mobil, contactar:
Annette Rudolf
a.rudolf@consulta-muenchen.de

Para mais informações sobre o evento Food & Life, visitar o site:
www.food-life.de

Em que sentido?
Aqueles que estiveram presentes em Puebla tiveram a oportunidade de ver em primeira mão o manual elaborado pelo departamento internacional e pelo departamento educativo do Slow Food Itália para oferecer a todos os sócios Slow Food interessados, um instrumento útil para começar percursos de educação alimentar tanto para adultos como para crianças e jovens. O manual estará disponível a ser descarregado brevemente no site www.slowfood.com em inglês e italiano. Posteriormente serão disponibilizadas versões noutras línguas.


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Operação biodiversidade

A Arca do Gosto aventura-se em novos mares
A Comissão Internacional seleccionou o primeiro produto da Arca do Gosto em Mali, a chalota Dogon, cuja cultivação remonta ao período pré-colonial, quando era usado como moeda de troca e ingrediente fundamental dos preparados medicinais. Entretanto na Áustria nasceu a Comissão nacional da Arca e das Fortalezas, que se reuniu pela primeira vez em Viena no passado dia 25 de Outubro.

Um animado museu ao ar livre
O convivium de Estugarda organizou pelo segundo ano consecutivo uma apresentação para o público dos produtos regionais que são passageiros da Arca do Gosto. O dia – 23 Setembro – desenrolou-se no museu ao ar livre de Beuren. Cerca de 1600 visitantes provaram os pratos em degustação, preparados com os produtos da Arca, fizeram visitas guiadas aos jardins históricos do museu e, pela primeira vez, também um “campo Slow Food”, onde se cultivam lentilhas Alblinsen, batatas Bamberger Hörnla, couve Filder-Spitzkraut, assim como o farro e o trigo para fazer a farinha Musmehl.

O Mediterrâneo convidado de Marrocos
Um representante da Fundação Slow Food para a Biodiversidade apresentou as actividades da associação, da Fundação e do Terra Madre no seminário “Os produtos alimentares de qualidade ligados ao território e às tradições no Mediterrâneo”, organizado pela FAO e pelo Ministério da Agricultura e Pesca de Marrocos, em Casablanca nos passados dias 8 e 9 de Novembro.

Para descarregar todas as apresentações em Power Point, os trabalhos e os contactos dos participantes, visitar o site do seminário:
www.mp-discussion.org/casablanca/



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UNISG: vida no campus

Um gastronauta italiano
Nos últimos tempos Pierluigi Frassanito tem feito muita estrada no caminho da alimentação, cobrindo uma distância total mais ou menos equivalente à percorrida em bicicleta por uma dezena de estudantes da UNISG na sua Viagem pelas margens do Po. Após ter concluído o Master em Colorno em 2006, deu recentemente uma aula em Pollenzo, ao lado de Piero Sardo e Cinzia Scaffidi, sobre a gestão de mercados de produtores. Durante a Cheese representou a Casa Artusi (www.casartusi.it), o centro de Forlimpopoli – cidade natal do célebre gastrónomo italiano Pellegrino Artusi – dedicado à formação e eventos gastronómicos. Em Outubro e Novembro Gigi colaborou com o convivium de Beirute para arrancar o projecto dos Mercados da Terra no Líbano, na cidade de Trípoli e Saida. Food miles de outro tipo…

Juventude internacional no México
Uma delegação de estudantes da UNISG e um grupo de jovens sócios empenhados no programa “Slow Food on Campus” nos Estados Unidos, tiveram uma participação importante no Congresso Internacional de Puebla. No México foi aprovada a proposta de criar uma rede internacional de jovens, de aumentar o número de convivia criados dentro das universidade e de dar oportunidade de liderança no seio da própria associação aos mais jovens. O primeiro passo neste sentido foi já tomado: Carlo Petrini nomeou John Kariuki, um estudante queniano da UNISG Vice-presidente Internacional, um papel que será desempenhado ao lado de Vandana Shiva e Alice Waters.


Para mais informações sobre a Universidade e para inscrições on-line: www.unisg.it


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Coisas nossas

Slow Food e as Cidades Slow
Em Puebla, durante o Congresso, foi assinado um protocolo de intenção entre o Slow Food e as Cidades Slow, que garante uma estreita colaboração entre as duas associações, com a finalidade de promover acções coordenadas e coerentes. Com base no protocolo as Cidades Slow empenham-se também em apoiar o projecto do Terra Madre.

Para mais informações, visitar o site das Cidades Slow.



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Para qualquer pergunta, informações ou eventos que queira partilhar por favor entre em contato com o coordenador da sua área.

Saudações Slow,

Slow Food Escritório Internacional
international@slowfood.com



ENTRE EM CONTATO

Escritórios nacionais Slow Food: verificar na pagina web

Coordenadores de área (junto aos escritórios Slow Food em Bra) para os países onde não há um escritório nacional:

África e Oriente Médio
Séverine Petit – s.petit@slowfood.com

América Latina
Lia Poggio – l.poggio@slowfood.com
José Carlos Redon - j.redon@slowfood.com


Canadá
Lilia Smelkova – l.smelkova@slowfood.com

Asia e Oceanía
Elena Aniere - e.aniere@slowfood.com

Europa
Espanha, Bélgica, Grécia, Luxemburgo:
Mariagiulia Mariani - m.mariani@slowfood.com
Leste Europeu, CSI-Comunidade de Estados Independentes, Países Baixos, Irlanda:
Lilia Smelkova – l.smelkova@slowfood.com
Esandinávia:
Veronica Veneziano – v.veneziano@slowfood.com
Áustria:
Raimondo Cusmano – r.cusmano@slowfood.com
Portugal:
Lia Poggio – l.poggio@slowfood.com


Comunicação
Marta Mancini – m.mancini@slowfood.com
Monica Mascarino - m.mascarino@slowfood.com
Michèle Mesmain – m.mesmain@slowfood.com

Assuntos gerais
international@slowfood.com

EDITORIAL


A enjundia de Puebla

Em Puebla durante o meu discurso de abertura citei uma palavra que em espanhol caiu em desuso, mas que foi utilizada por um agricultor mexicano quando respondeu à minha pergunta sobre o porquê das suas tortillas serem melhores do que as industriais e de muitas outras: enjundia. É um termo que se encontra com frequência no Dom Quixote de Cervantes, e significa “paixão sacra”.

Nada mais apropriado para descrever o espírito dos delegados em Puebla, o que deu seiva à nossa associação durante vinte anos e o que espero continuará a ser o motor principal da humanidade que compõe o Slow Food.

Nos últimos anos assistimos a mais uma modificação e crescimento do nosso movimento mas quase paradoxalmente, quanto mais nos afastamos do momento da nossa fundação, mais próximos estamos do que constava no manifesto original. A nossa aposta nas economias locais como via para um desenvolvimento real, não necessariamente baseado no crescimento, adaptado às exigências das várias regiões do mundo (“se a Fast Life em nome da produtividade modificou a nossa vida e ameaça o ambiente e a paisagem, o Slow Food é a resposta de vanguarda” e ainda: “redescubramos os sabores e aromas da cozinha regional”); a nossa atenção pelos saberes tradicionais, pelo diálogo e colaboração entre ciência convencional e savoir faire agrícola (“mas o Homo Sapiens deve recuperar o juízo”) e por fim a nossa capacidade de criar uma rede, com o Terra Madre mas também com a própria associação, com as muitas diversidades presente em Puebla ali a demonstra-lo (“…a verdadeira cultura, de quem pode iniciar o progresso, com o intercambio internacional de histórias, conhecimentos, projectos”).

Estes foram, provavelmente, os temas mais fortes de Puebla, há um outro elemento que nos confortou muito sobre uma promessa contida no documento assinado em Paris em 1989: “o Slow Food garante um futuro melhor”. Os jovens da Universidade de Pollenzo e Colorno e os jovens dos campus americanos que participaram de forma mais do que substancial durante o Congresso, apresentando iniciativas e programas entusiasmantes, foram a surpresa mais agradável que aguardávamos para encarar o futuro com renovada confiança. Nas suas palavras transparecia toda a enjundia que possam imaginar: mais uma injecção de “paixão sacra” que, podem ter a certeza, nos levará ainda mais longe.

Carlo Petrini