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Abril 2008


Nesta edição:
 
Editorial
de Paolo Di Croce

Especial México
   O que é o Congresso Internacional?
   A declaração de Puebla

   Discursos de abertura e    encerramento de Carlo Petrini
   Zoom no território: el comercio    también es diálogo
   Do México... a Estugarda

Viagem às raízes da alimentação: Salone Internazionale del Gusto 2008 (Salão Internacional do Gosto 2008)-Terra Madre

Os mercados plantam as sementes da paz

Não se desperdiça nada

Colher a serra

A flauta mágica canadiana da boa alimentação

Slow Food on Film
 




Especial México


O QUE É O CONGRESSO INTERNACIONAL?

  O Congresso Internacional é o ponto alto da vida associativa do Slow Food: é neste contexto que se elegem os organismos dirigentes e se decidem as linhas estratégicas para o desenvolvimento a nível mundial da associação, da rede Terra Madre e dos projectos de defesa da biodiversidade.
Em 2003, o Congresso teve lugar em Nápoles: nessa ocasião decidiu-se fazer o Terra Madre, e delineou-se o projecto dos School Garden. Cinco anos depois, o Terra Madre vai na terceira edição, e há mais de 130 School Garden no mundo.
Em 2007, o Congresso decorreu em Puebla, pela primeira vez fora da Europa, uma escolha que simboliza a dimensão cada vez mais internacional e a vontade de abertura da associação. O encontro reuniu 414 delegados de todo o mundo, em representação dos 85 000 sócios.

Neste Especial México, encontrarão e respirarão, esperamos, as ideias fortes e a atmosfera de alegre energia que caracterizou o encontro.
 
 

DECLARAÇÕES DE PUEBLA

Criado há mais de 20 anos como um Movimento de pessoas atentas aos ritmos certos da vida e ao prazer de comer, o Slow Food amadureceu no tempo uma crescente sensibilidade, capacidade de inclusão, de análise e de elaboração. O Congresso de Puebla encerrou com o empenho em prosseguir o caminho percorrido em coerência com o Manifesto de 1989, desenvolvendo ao máximo as várias almas da associação, na busca e na promoção de uma alimentação boa, limpa e justa.
A declaração de Puebla é a evolução ideal do Manifesto, no qual se inspira, confirmando a actualidade dos seus quatro pontos fundamentais:

I. Recuperar a sabedoria: empenhar-se na protecção, defesa, reavaliação e na aplicação dos conhecimentos tradicionais no que respeita a agricultura, criação, pesca, caça, colheita e confecção dos alimentos, ouvindo e estabelecendo relações com as populações indígenas.

II. Partindo das cozinhas locais, continuar no caminho da atenção para com as culturas, economias e memórias locais, porque todos os seres vivos e cada actividade tem origem num determinado território, e é isso que lhe dá razão de ser.

III. Contrastar o mal entendido sentido de produtividade que ameaça o ambiente e a paisagem. Para isto o Slow Food continuará a trabalhar para difundir ideias e comportamentos no sentido de sustentabilidade, de beleza, de ligeireza, de felicidade, na convicção que este planeta é a única fonte de vida e prazer para nós e para as futuras gerações.

IV. Reforçar e intensificar a partilha internacional de histórias, conhecimentos, projectos, a partir da estrutura associativa, para estender-se às Fortalezas, à rede Terra Madre e às acções empreendidas pela rede das universidades do Terra Madre.

Da comida aos solos, do prazer à justiça, da excelência às compras do dia-a-dia, da valorização dos produtos à igual dignidade de culturas: este foi o percurso percorrido em 1989 e que em Puebla foi reconfirmado graças à presença, às reflexões, à energia e à fantasia dos delegados provenientes de 49 países.




DISCURSOS DE CARLO PETRINI

No seu discurso de abertura no V Congresso Internacional, o Presidente do Slow Food, Carlo Petrini, para além de sublinhar o percurso percorrido pela associação nos últimos anos, defendeu a necessidade de reapropriar-se dos saberes tradicionais e de favorecer o desenvolvimento de economias locais, essenciais para enfrentar o dano ambiental e social causado pelo sistema de produção alimentar dominante e de uma concepção distorcida de produtividade.
Afirma que apenas assim conseguiremos construir um futuro sustentável. Um desafio que apela directamente à nossa associação e que apenas poderemos enfrentar abrindo-nos e cultivando um pouco de saudável loucura.

No encerramento, Petrini deu ênfase ao papel dos jovens – quer estudantes, quer produtores – no seio da nossa associação, para promover a partilha de conhecimentos de igual dignidade, entre hemisfério Norte e Sul. A rede de jovens do Slow Food encontrar-se-á pela primeira vez durante o Terra Madre 2008, juntando-se à rede de produtores, de chefes e de académicos que já formam a teia do encontro de Turim. Petrini também anunciou os novos três vice-presidentes: a confirmada Alice Waters, do Slow Food Usa, a activista indiana Vandana Shiva e, para dar ainda mais sentido às suas palavras, John Kariuki Mwangi, estudante queniano da Universidade de Estudos de Ciências Gastronómicas, a escolha mais aplaudida pela plateia de delegados.

Aqui ficam extractos dos discursos:

«Os quatro anos passados desde o último Congresso foram intensos e significativos: inauguramos a primeira Universidade do mundo de Ciências Gastronómicas, reforçámos o conceito de bom, limpo e justo e realizámos duas edições do Terra Madre. Reforçámos também a ideia de co-produtor, isto é, um consumidor que não é um sujeito passivo que segue as indicações do mundo externo e da publicidade, mas um sujeito activo que se relaciona com todas as implicações e as consequências das suas compras [...] Este Congresso deverá assinalar os novos objectivos, as novas estratégias, a nossa estrutura no futuro e ao mesmo tempo devemos reflectir sobre como podemos manter o crescimento do Movimento sem perder os grandes valores da amizade, alegria, afecto e saudável loucura que o distinguiram até agora».

«Devemos estar atentos à crise do conceito de desenvolvimento linear, sem fim, que ousa falar de países subdesenvolvidos e que toma como modelo os países que fazem da produtividade o seu elemento base. Devemos voltar a um conceito de civilização, de reforço das economias locais e não do desenvolvimento linear [...] Os recursos não são infinitos».

«O saber tradicional é o húmus sob o qual cresce a biodiversidade. Está nas mãos dos humildes agricultores, e nós devemos apoiar o carácter científico do seu conhecimento, levá-los às universidades, e quando falarem ao mesmo nível dos docentes teremos ganho uma grande batalha. Não permitir a auto estima dos agricultores é um elemento fundamental do desastre ambiental».

«Abramos as portas do nosso Movimento. Queremos um Internacional de gastrónomos, de gente que acredita e participa na cultura alimentar. O discurso do Slow Food não pode ser elitista. E isto irá exigir de nós muito esforço [...] mas é preciso tentar, com uma lógica alegre, fraterna e amigável. Nós somos associados porque temos objectivos comuns, mas o associativismo é muito mais forte: é um projecto racional que vive de impulsos e pulsões não racionais. O desejo de aceder à vida, de dar-se uma esperança, a necessidade de socialidade, a saudade das conversas dos que partiram. Devemos continuar a ser gente feliz e alegre. Este é o antídoto no mundo de hoje, esta é a base da amizade e das nossas vidas».

«Não nos podemos comover sempre que os jovens falam, reivindicar oportunidades iguais para as mulheres, afirmar a centralidade do mundo agrícola na nossa associação, e depois não dar seguimento a estas declarações de intenção com factos. Faz sentido que o leme de comando passe para mãos frescas, que trazem nova energia vital, que representam a evolução da política do Slow Food nos próximos anos. Serão quatro anos fantásticos: divertidos, interessantes, cheios de projectos novos que realizaremos, como consequência directa da evolução do Slow Food e do seu recente desenvolvimento em áreas como a América do Sul, África e o continente asiático».

«Ser sócio do Slow Food significa participação colectiva. Não neguemos o direito a ninguém de aderir ao Slow Food. Trabalharemos para a autonomia dos convivia e a flexibilidade, os territórios onde estamos presentes moldar-se-ão relativamente às características locais para que a mensagem penetre em profundidade. É um percurso que dura há 20 anos, que nos levou da enogastronomia à ecogastronomia, e que agora nos leva a novos feitos, reafirmando o valor do elemento associativo como valor forte da sociedade civil».

«Não tenho medo do crescimento do Movimento exactamente porque a característica de base deverá ser sempre a autonomia dos territórios e a união sobre os projectos. Que tensões poderão alguma vez surgir quando se pensa desta forma? Em todas as partes do mundo trabalha-se autonomamente mas os objectivos são os mesmos, nenhum de nós está sozinho. Que o crescimento traga esperança. É a mesma esperança que nutro pela sorte deste planeta».




Zoom no território:
o melhor comércio é o diálogo

A região mexicana de Xochimilco é Património da Humanidade da Unesco em virtude das chinampas, hortas flutuantes pré-colombianas em tempos muito comuns no amplo lago que posteriormente secou, onde actualmente surge a Cidade do México. A rede dos Produtos de chinampas de Xochimilco, o convivium de Condesa Roma, juntamente com Karina Morales Torres, recém-licenciada da Universidade de Estudos e Ciências Gastronómicas, e parte da rede de jovens, estão a começar um intenso diálogo com os restaurantes da capital, para que os produtos tradicionais destas sugestivas hortas flutuantes encontrem um lugar de destaque nas mesas mexicanas. São já seis os restaurantes que não só compram o milho e os legumes de Xochimilco, mas que se empenham activamente no desenvolvimento destas pequenas produções. Alguns chinamperos já estão a programar as suas cultivações em função da procura dos restaurantes e estão começando a trabalhar com produtos que nem sequer pensavam pudessem ter mercado. Luis Jhon, o coordenador do projecto, afirma que um comércio verdadeiramente “justo” é possível apenas quando vendedores e compradores se aproximam para dialogar, e que se deve absolutamente superar esta terrível e cara barreira entre o mundo rural e o mundo urbano.

Para aproximar as chinampas à cidade, o projecto contempla ainda a criação de um mercado de produtores no bairro de Condesa Roma e, depois de uma visita piloto organizada pelo convivium local, alguns chinamperos estão-se a equipar para que as suas chinampas sejam chinampas escuelas e chinampas demostrativas, capazes de receber visitas e de cumprir uma função educativa, sem perder a sua capacidade produtiva.

Luis Jhon 
Coordenador do projeto
troncho77@yahoo.com



De México … ao Estugarda

A feira des Guten Geschmacks (bom gosto) abriu as portas pela segunda vez em Estugarda e recebeu mais de 250 produtores artesanais. De 3 a 6 de Abril de 2008 a paixão dos produtores, a curiosidade do público e um amplo espaço dedicado à educação, fizeram deste evento um lugar de encontro e partilha de informações e saberes: uma feira única, em resposta à industrialização e ao nivelamento imposto pelo sector alimentar actual.

No evento foi presente também a comunidade produtores de Cacau de Villahermosa (capital du Tabasco), devastada pelas cheias de Novembro de 2007. Os produtores mexicanos contaram ao público como viveram e enfrentaram o desastre e como nasceu o projecto Restablecimiento del Agroecosistema Cacao en Tabasco, uma iniciativa que conta com a colaboração do Slow Food-Terra Madre e Mas para el campo, associação que coordena as várias cooperativas de produtores de cacau da região de Chontalpa. O projecto envolve 720 hectares de terreno com o objectivo de reactivar o ciclo de produção regular, melhorar a qualidade do produto e a sua comercialização.

O programa da feira alemã ofereceu também mesas redondas com debates e fóruns, e uma rica proposta de eventos paralelos (jantares e laboratórios do gosto). Foi dedicada especial atenção à alimentação nos lares, nas escolas e em família, enquanto que os mais pequenos puderam desafiar-se numa verdadeira competição culinária sob o mote do filme Ratatouille: «todos sabem cozinhar».

Para mais informações sobre o evento, visite o síto: www.slowfood-messe.de

Alma Rosa Garces Medina
Representante Comunidade Produtores de Cacau Orgânico e Chocolate de Villahermosa
atcovillahermosa@yahoo.com.mx



Viagem às raízes da alimentação: Salone Internazionale del Gusto (Salão Internacional do Gosto)-Terra Madre 2008

Salone del Gusto (Salão do Gosto) e Terra Madre este ano – em Turim, de 23 a 27 de Outubro – estarão juntos, num único evento com duas vertentes distintas mas fortemente relacionadas. O tema da edição de 2008 é A viagem às raízes da alimentação, cuja representação gráfica é uma árvore: um percurso que desde os ramos carregados de frutos, os pratos, isto é o Salone, através da seiva do bom, limpo e justo conduz às raízes, a terra, que é o Terra Madre, o encontro mundial das Comunidades do alimento.
Um passeio cuja máxima expressão se encontra na Via Virtuosa: um percurso com etapas informativas e educativas que se desenrola no interior do Salone – em busca do bom, limpo e justo, para consumir menos e viver melhor – e conduz às Fortalezas que, pela primeira vez, se encontram no interior do Oval Lingotto, sede do Terra Madre.

Em 2008 irá desenrolar-se também o Terra Madre Holanda, de 17 a 18 de Maio, na cidade de Middleburg, e Terra Madre Irlanda, de 4 a 7 Setembro, na antiga cidade de Waterford.
O convivium que nasceu recentemente no campus do Instituto de tecnologia de Waterford, participará na organização do evento irlandês. Este convivium, fundado por Donald Lehane, que faz parte da rede de jovens, é o primeiro na Irlanda a desenvolver as suas actividades a partir de um instituto de ensino superior. A vontade é aquela de realizar actividades dedicadas à educação alimentar e encontros sob a insígnia do convívio, e de ajudar na organização do evento Terra Madre Irlanda 2008. Os jovens colaborarão na realização da conferência inaugural dedicada ao tema das políticas alimentares e estarão empenhados durante os 4 dias do evento que animará a cidade e a inteira região.

Para mais informações sobre o evento irlandês, visite o sitio: www.terramadreireland.com

Donald Lehane
Líder do convivium Waterford
lehane@iol.ie



Os mercados plantam as sementes da paz

A libanesa Dana Ghoussaini e a israelita Michal Ansky tiveram recentemente a possibilidade de se encontrar por ocasião da inauguração da Rede Internacional dos Mercados da Terra. As duas jovens mulheres são ambas pessoas profundamente empenhadas nos respectivos países e mostraram-se entusiásticas com a possibilidade de uma futura colaboração. Dana, representante do Slow Food Beirute e coordenadora de três Mercados da Terra em solo libanês, apresentou o projecto no encontro. Michal, jornalista enogastronómica e aluna de um Master na Universidade de Ciências Gastronómicas, está entre as organizadoras do primeiro mercado de produtores de Tel Aviv, que a partir de 2 de Maio passará a ser semanal no porto da cidade israelita.
Dana e Michal juntaram-se a 70 representantes dos mercados de produtores e do Slow Food provenientes de todo o mundo no passado mês de Março em Itália. Este novo projecto do Slow Food elaborou um modelo claro de mercados de produtores: os Mercados da Terra estão unidos por um conjunto de regras comuns, que podem ser adaptadas aos contextos nacionais específicos. Os delegados visitaram o primeiro Mercado da Terra inaugurado há três anos na cidade toscana de Montevarchi e ouviram os testemunhos dos representantes de projectos-piloto no Líbano e Mali. Os coordenadores da rede de mercados de produtores na América e Inglaterra também contaram as suas experiências, que no futuro poderão aderir à rede de Mercados da Terra.

Para mais informações: info@mercatidellaterra.it



Não se desperdiça nada

Nicole Sturzenberger é recém-licenciada do Master in Food Culture promovido pela Universidade de Estudos de Ciências Gastronómicas de Colorno, Itália. Após a conclusão da sua tese subordinada ao tema da transformação dos resíduos derivados da produção de azeite em energia, actualmente a Nicole trabalha na Universidade da Califórnia, na cidade de Davis. Relata-nos: «aqui na Universidade trabalho para o Olive Center e para o Robert Mondavi Edible Garden. Estamos a produzir o nosso próprio azeite, utilizando os recursos disponíveis nas árvores do campus. O passo seguinte será o aproveitamento do caroço da azeitona para a produção de energia».
O papel de Nicole no Centro está relacionado com o empenho da Universidade de atingir o objectivo “impacto zero” até 2020.

Nicole Sturzenberger
Robert Mondavi Institute Garden
ndsturzenberger@ucdavis.edu




Colher a serra

O convivium alpino de Coolpoteur organizará a 17 e 18 de Maio de 2008, na cidade de Gap (França), um salão dedicado aos produtos e aos sabores da serra. Savoirs et saveurs de montagne será um evento único no território alpino mais ocidental, uma festa dos terroir, uma escola do gosto, um debate aberto sobre o futuro.
O evento irá propor:
- O mercado dos sabores, onde serão oferecidos os produtos da Serra provenientes de França e Itália e onde estarão representadas entidades locais como o parque natural, os grupos de compras, etc.
- Os Laboratórios do gosto, com provas comentadas por produtores e chefes.
- O espaço Manger Slow, com demonstrações culinárias para mostrar ao público como preparar produtos simples e de qualidade, a custos reduzidos.
Este evento encerra, localmente, um programa inter-regional financiado pela União Europeia, intitulado Le tour des savoirs et des saveurs de la montagne. Esperam-se cerca de 1500 visitantes.

Rostain Philippe
Convivium leader Slow Food Coolporteur
philippe@slowfood.fr



A flauta mágica canadiana
da boa alimentação

Paul Finkelstein começou a leccionar na Nothwestern Secondary School de Stratford (Ontário, Canada) há sete anos. Nesta escola, tal como em tantas outras, a oferta alimentar baseava-se em máquinas de distribuição automática espalhadas pela escola e uma oferta hipercalórica no menu da cantina. O Paul trava há muitos anos uma batalha contra a epidemia da obesidade e outros graves problemas de saúde que preocupam os jovens com uma receita única, que conjuga programas de educação alimentar, school gardens, organizações de jantares e viagens. O objectivo principal é o de dar a conhecer aos seus alunos os verdadeiros alimentos, fazendo-os cozinhar produtos frescos e convidando-os a experimentar os vários ingredientes, para desenvolverem um gosto próprio.
Com este espírito nasce o Screaming Avocado Cafè, uma cafetaria dentro da escola gerido pelo Paul e pelos seus alunos. Do menu do Screaming constam apenas produtos saudáveis e os alunos são responsáveis pela confecção de todos os pratos: pão, massa, sanduíches, coelho com azeitonas, cuscuz marroquino de borrego, sushi…
A cafetaria integra um programa de educação culinária mais amplo inspirado nos princípios da origem e sazonalidade dos produtos, que envolve 200 estudantes por ano. Através do programa de troca e partilha promovido pelo Slow Food os jovens tiveram a oportunidade de viajar no Canada e no estrangeiro (Japão) para se encontrarem e trocarem impressões com os colegas provenientes de países e culturas diferentes.

Paul Finkelstein
paulfink@fc.amdsb.ca



Slow Food on Film

Toda a cidadela da Manifattura delle Arti de Bolonha, Itália, será atravessada durante cinco dias pela energia das imagens e dos eventos enogastronómicos promovidos pelo Movimento Slow Food e pela Cinemateca de Bolonha, para lançar uma comparação internacional sobre a alimentação através de algumas das linguagens audiovisuais contemporâneas mais importantes, o cinema e a televisão. O Slow Food on Film, de 7 a 11 de Maio, contará com projecções de manhã à noite nos principais cinemas da cidade, seguidas de degustações de pratos e vinhos inspirados nos filmes.
São quatro as competições oficiais: Shorts competition (para curtas metragens de ficção), Docs competition (para documentários), BFF – Best Food Feature (para a melhor longa-metragem gastronómica) e o Caracol de ouro – Best Food tv Series (destinado à série televisiva, ficção ou documentário, que se distinga a nível internacional por uma representação da gastronomia consciente, inteligente e culturalmente relevante).

Todo o programa será disponível logo: www.slowfoodonfilm.com
No sítio os sócios Slow Food podem reservar também os eventos com preço descontado.

 

 


  EDITORIAL


Caros sócios,

Este é o primeiro número de uma newsletter informática que irão receber mensalmente.

Narra a nossa associação, o que acontece nos convivia e como a Slow Food entende, vive e pratica das Chiapas às estepes mongóis, das mesas alemãs aos farmers market de São Francisco: os locais, as formas e os tempos dos alimentos bons, limpos, justos; e dos pensamentos e factos resultantes.

É uma newsletter em oito línguas e é a expressão de uma rede cada vez mais anárquica, contente, complexa e ainda mais aberta à diversidade. É elaborada na Rua Mendicità, na sede histórica de Bra, mas queremos que, cada vez mais, fosse escrita fora daqui, contando as vossas interpretações locais do prazer, nas suas múltiplas expressões: gastronómico, intelectual, emocional. Documentará as trocas, as campanhas, os projectos desenvolvidos pelos convivia Slow Food no mundo, que têm sede nos cafés parisienses ou desabrocham entre as plantações de café guatemaltecas.
Slow Food Times, será um diário da viagem às raízes da alimentação, seja filosófico – a partilha de saberes, o mudar de opiniões e de interesses, o pensamento que vai do prato à terra – seja em concreto: dos sócios em visita aos produtores, das Comunidades a caminho do encontro Terra Madre e do Salone del Gusto, em Turim de 23-27 de Outubro, dos líderes de convivium de regresso do México, com uma bagagem rica em sugestões e estímulos para comunicar.

O Congresso Internacional que teve lugar no passado mês de Novembro em Puebla efectivamente, foi um momento fundamental para a nossa associação: permitiu-nos fazer um ponto de situação sobre o percurso percorrido, traçar as linhas de orientação para o futuro e definir o horizonte que dará um sentido colectivo às nossas acções individuais.

É por este motivo que decidimos inaugurar o Slow Food Times partindo do México, com um “especial” que se pretende seja um ponto de partida para um diálogo que se quer cada vez mais rico; para além de respeitoso da complexidade e das contradições que são o nosso quotidiano, para crescer numa abordagem mais madura e responsável do nosso relacionamento com os alimentos e com o prazer que nos proporciona.

Boa viagem, então, sem pressa.


Paolo Di Croce
Secretário internacional Slow Food


 




Têm dito
no Congresso



  Inicialmente no Japão, as pessoas associavam-se ao movimento sobretudo por moda. Agora, no entanto, aderem ao Slow Food pessoas muito mais motivadas e empreendedoras e estamos a assistir a momentos importantes, como a realização de um Terra Madre asiático [...] O nosso país, tal como o México, está cheio de contradições: a nossa natureza é muito slow, mas o desenvolvimento económico desenfreado destruiu as nossas tradições e hoje o Japão é o país que conta mais food miles no mundo. Mas, agora que o Slow Food está presente em todas as regiões na nossa nação, estamos prontos para dar vida a alterações profundas.  
     
  Hirotoshi Wako
Presidente do Slow Food Japão
 




  É oportuno pensar numa solução ampla para os problemas que se nos deparam. A solução reside na educação e na instrução. A escola é o único lugar onde podemos entrar em contacto com as crianças, onde podemos ensinar-lhes a cultura alimentar. A ecogastronomia deve entrar nos programas das escolas, das creches às universidades.  
     
  Alice Waters
Vice-presidente internacional
do Slow Food
 




  O Líbano é uma viagem culinária muito interessante. Tem uma tradição alimentar muito rica, ligada às estações. Os alimentos, para nós, são um instrumento de hospitalidade e sinal de amizade. Em Beirute, apesar de vivermos dias muito difíceis para a nossa nação, estamos a trabalhar para apoiar os mercados de produtores e começámos vários programas educativos nas escolas e universidades.  
     
  Barbara Massaad
Convivium Slow Food Beirut
 




  Na Bielo-Rússia, os kolkoz são a maior força agrícola do país. Têm terrenos muito férteis e muita maquinaria, mas são altamente ineficientes, porque ainda são os princípios soviéticos a ditar as directrizes da agricultura. Esperamos que, entrando na rede do Slow Food, as coisas possam mudar: redescobrindo as variedades e as produções locais, trabalhando na qualidade e não mais apenas na quantidade. Precisamos de trocar ideias com aqueles que já tenham enveredado por este caminho no passado e estamos abertos à partilha.  
     
  Igor Danilov
Coordenador do Terra Madre e
do Slow Food na Bielo-Rússia
 




  Há vinte anos o Slow Food centrava as suas atenções no produto. Depois com o Terra Madre, os produtos adquiriram um rosto humano. A cultura rural está em risco, no Sul e no Norte do mundo. Em países de tradições rurais como a Suiça, milhares de famílias rurais abandonam as suas actividades tradicionais para perseguir quimeras não lucrativas e que não trazem felicidade. Aqui é importante o empenho e o trabalho do Slow Food: devolvendo dignidade e gratificação a todos os que se dedicam à produção agrícola.  
     
  Rafael Pérez
Presidente do Slow Food Suiça
 





  O convivium modificou-se em paralelo com a evolução do pensamento slow. Actualmente já não intervimos apenas nas mesas dos restaurantes, mas também nas das escolas, das bibliotecas e dos departamentos municipais. O novo objectivo do Convivum, hoje, é a formação de cidadãos conscientes.  
     
  Marco Brogiotti
Governador do Slow Food Itália
 











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communication @slowfood.com
 
 
 
 
 
 
  Este newletter foi realizada por o departamento Comunicação Slow Food Internacional
 Elisa Marenco: e.marenco@slowfood.com -  Michèle Mesmain: m.mesmain@slowfood.com
Para todas as questões associativas contate o Centro de Assistência: centroservizi@slowfood.it