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Abril
2008
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Nesta edição: |
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Especial
México
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O
QUE É O CONGRESSO INTERNACIONAL? |
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O
Congresso Internacional é o ponto
alto da vida associativa do Slow Food:
é neste contexto que se elegem os
organismos dirigentes e se decidem
as linhas estratégicas para o desenvolvimento
a nível mundial da associação, da
rede Terra Madre e dos projectos de
defesa da biodiversidade.
Em 2003, o Congresso teve lugar em
Nápoles: nessa ocasião decidiu-se
fazer o Terra Madre, e delineou-se
o projecto dos School Garden. Cinco
anos depois, o Terra Madre vai na
terceira edição, e há mais de 130
School Garden no mundo.
Em 2007, o Congresso decorreu em Puebla,
pela primeira vez fora da Europa,
uma escolha que simboliza a dimensão
cada vez mais internacional e a vontade
de abertura da associação. O encontro
reuniu 414 delegados de todo o mundo,
em representação dos 85 000 sócios.
Neste Especial México, encontrarão
e respirarão, esperamos, as ideias
fortes e a atmosfera de alegre energia
que caracterizou o encontro.
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DECLARAÇÕES DE PUEBLA |
Criado há mais de 20 anos como
um Movimento de pessoas atentas aos ritmos certos da
vida e ao prazer de comer, o Slow Food amadureceu no
tempo uma crescente sensibilidade, capacidade de inclusão,
de análise e de elaboração. O Congresso de Puebla encerrou
com o empenho em prosseguir o caminho percorrido em
coerência com o Manifesto de 1989, desenvolvendo ao
máximo as várias almas da associação, na busca e na
promoção de uma alimentação boa, limpa e justa.
A declaração
de Puebla é a evolução ideal do Manifesto, no qual
se inspira, confirmando a actualidade dos seus quatro
pontos fundamentais:
I.
Recuperar a sabedoria: empenhar-se na protecção, defesa,
reavaliação e na aplicação dos conhecimentos tradicionais
no que respeita a agricultura, criação, pesca, caça,
colheita e confecção dos alimentos, ouvindo e estabelecendo
relações com as populações indígenas.
II.
Partindo das cozinhas locais, continuar no caminho da
atenção para com as culturas, economias e memórias locais,
porque todos os seres vivos e cada actividade tem origem
num determinado território, e é isso que lhe dá razão
de ser.
III.
Contrastar o mal entendido sentido de produtividade
que ameaça o ambiente e a paisagem. Para isto o Slow
Food continuará a trabalhar para difundir ideias e comportamentos
no sentido de sustentabilidade, de beleza, de ligeireza,
de felicidade, na convicção que este planeta é a única
fonte de vida e prazer para nós e para as futuras gerações.
IV.
Reforçar e intensificar a partilha internacional de
histórias, conhecimentos, projectos, a partir da estrutura
associativa, para estender-se às Fortalezas, à rede
Terra Madre e às acções empreendidas pela rede das universidades
do Terra Madre.
Da comida aos solos, do prazer à justiça, da excelência
às compras do dia-a-dia, da valorização dos produtos
à igual dignidade de culturas: este foi o percurso percorrido
em 1989 e que em Puebla foi reconfirmado graças à presença,
às reflexões, à energia e à fantasia dos delegados provenientes
de 49 países.
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DISCURSOS DE CARLO PETRINI |
No seu discurso
de abertura no V Congresso Internacional, o Presidente
do Slow Food, Carlo Petrini, para além de sublinhar
o percurso percorrido pela associação nos últimos anos,
defendeu a necessidade de reapropriar-se dos saberes
tradicionais e de favorecer o desenvolvimento de economias
locais, essenciais para enfrentar o dano ambiental e
social causado pelo sistema de produção alimentar dominante
e de uma concepção distorcida de produtividade.
Afirma que apenas assim conseguiremos construir um futuro
sustentável. Um desafio que apela directamente à nossa
associação e que apenas poderemos enfrentar abrindo-nos
e cultivando um pouco de saudável loucura.
No encerramento,
Petrini deu ênfase ao papel dos jovens – quer estudantes,
quer produtores – no seio da nossa associação, para
promover a partilha de conhecimentos de igual dignidade,
entre hemisfério Norte e Sul. A rede de jovens do Slow
Food encontrar-se-á pela primeira vez durante o Terra
Madre 2008, juntando-se à rede de produtores, de chefes
e de académicos que já formam a teia do encontro de
Turim. Petrini também anunciou os novos três vice-presidentes:
a confirmada Alice Waters, do Slow Food Usa, a activista
indiana Vandana Shiva e, para dar ainda mais sentido
às suas palavras, John Kariuki Mwangi, estudante queniano
da Universidade de Estudos de Ciências Gastronómicas,
a escolha mais aplaudida pela plateia de delegados.
Aqui ficam extractos dos discursos:
«Os quatro
anos passados desde o último Congresso foram intensos
e significativos: inauguramos a primeira Universidade
do mundo de Ciências Gastronómicas, reforçámos o conceito
de bom, limpo e justo e realizámos duas edições do Terra
Madre. Reforçámos também a ideia de co-produtor, isto
é, um consumidor que não é um sujeito passivo que segue
as indicações do mundo externo e da publicidade, mas
um sujeito activo que se relaciona com todas as implicações
e as consequências das suas compras [...] Este Congresso
deverá assinalar os novos objectivos, as novas estratégias,
a nossa estrutura no futuro e ao mesmo tempo devemos
reflectir sobre como podemos manter o crescimento do
Movimento sem perder os grandes valores da amizade,
alegria, afecto e saudável loucura que o distinguiram
até agora».
«Devemos estar
atentos à crise do conceito de desenvolvimento linear,
sem fim, que ousa falar de países subdesenvolvidos e
que toma como modelo os países que fazem da produtividade
o seu elemento base. Devemos voltar a um conceito de
civilização, de reforço das economias locais e não do
desenvolvimento linear [...] Os recursos não são infinitos».
«O saber tradicional
é o húmus sob o qual cresce a biodiversidade. Está nas
mãos dos humildes agricultores, e nós devemos apoiar
o carácter científico do seu conhecimento, levá-los
às universidades, e quando falarem ao mesmo nível dos
docentes teremos ganho uma grande batalha. Não permitir
a auto estima dos agricultores é um elemento fundamental
do desastre ambiental».
«Abramos as
portas do nosso Movimento. Queremos um Internacional
de gastrónomos, de gente que acredita e participa na
cultura alimentar. O discurso do Slow Food não pode
ser elitista. E isto irá exigir de nós muito esforço
[...] mas é preciso tentar, com uma lógica alegre, fraterna
e amigável. Nós somos associados porque temos objectivos
comuns, mas o associativismo é muito mais forte: é um
projecto racional que vive de impulsos e pulsões não
racionais. O desejo de aceder à vida, de dar-se uma
esperança, a necessidade de socialidade, a saudade das
conversas dos que partiram. Devemos continuar a ser
gente feliz e alegre. Este é o antídoto no mundo de
hoje, esta é a base da amizade e das nossas vidas».
«Não nos podemos
comover sempre que os jovens falam, reivindicar oportunidades
iguais para as mulheres, afirmar a centralidade do mundo
agrícola na nossa associação, e depois não dar seguimento
a estas declarações de intenção com factos. Faz sentido
que o leme de comando passe para mãos frescas, que trazem
nova energia vital, que representam a evolução da política
do Slow Food nos próximos anos. Serão quatro anos fantásticos:
divertidos, interessantes, cheios de projectos novos
que realizaremos, como consequência directa da evolução
do Slow Food e do seu recente desenvolvimento em áreas
como a América do Sul, África e o continente asiático».
«Ser sócio
do Slow Food significa participação colectiva. Não neguemos
o direito a ninguém de aderir ao Slow Food. Trabalharemos
para a autonomia dos convivia e a flexibilidade, os
territórios onde estamos presentes moldar-se-ão relativamente
às características locais para que a mensagem penetre
em profundidade. É um percurso que dura há 20 anos,
que nos levou da enogastronomia à ecogastronomia, e
que agora nos leva a novos feitos, reafirmando o valor
do elemento associativo como valor forte da sociedade
civil».
«Não tenho
medo do crescimento do Movimento exactamente porque
a característica de base deverá ser sempre a autonomia
dos territórios e a união sobre os projectos. Que tensões
poderão alguma vez surgir quando se pensa desta forma?
Em todas as partes do mundo trabalha-se autonomamente
mas os objectivos são os mesmos, nenhum de nós está
sozinho. Que o crescimento traga esperança. É a mesma
esperança que nutro pela sorte deste planeta».
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Zoom no território:
o melhor comércio é o diálogo |
A região mexicana de Xochimilco é Património
da Humanidade da Unesco em virtude das chinampas, hortas
flutuantes pré-colombianas em tempos muito comuns
no amplo lago que posteriormente secou, onde actualmente
surge a Cidade do México. A rede dos Produtos
de chinampas de Xochimilco, o convivium de Condesa Roma ,
juntamente com Karina Morales Torres, recém-licenciada
da Universidade de Estudos e Ciências Gastronómicas,
e parte da rede de jovens, estão a começar
um intenso diálogo com os restaurantes da capital,
para que os produtos tradicionais destas sugestivas
hortas flutuantes encontrem um lugar de destaque nas
mesas mexicanas. São já seis os restaurantes
que não só compram o milho e os legumes
de Xochimilco, mas que se empenham activamente no desenvolvimento
destas pequenas produções. Alguns chinamperos
já estão a programar as suas cultivações
em função da procura dos restaurantes
e estão começando a trabalhar com produtos
que nem sequer pensavam pudessem ter mercado. Luis Jhon,
o coordenador do projecto, afirma que um comércio
verdadeiramente “justo” é possível
apenas quando vendedores e compradores se aproximam
para dialogar, e que se deve absolutamente superar esta
terrível e cara barreira entre o mundo rural
e o mundo urbano.
Para aproximar as chinampas à cidade, o projecto
contempla ainda a criação de um mercado
de produtores no bairro de Condesa Roma e, depois de
uma visita piloto organizada pelo convivium local, alguns
chinamperos estão-se a equipar para que as suas
chinampas sejam chinampas escuelas e chinampas demostrativas,
capazes de receber visitas e de cumprir uma função
educativa, sem perder a sua capacidade produtiva.
Luis Jhon
Coordenador do projeto
troncho77@yahoo.com
De
México … ao Estugarda
A feira des Guten Geschmacks (bom gosto) abriu
as portas pela segunda vez em Estugarda e recebeu mais
de 250 produtores artesanais. De 3 a 6 de Abril de 2008
a paixão dos produtores, a curiosidade do público
e um amplo espaço dedicado à educação,
fizeram deste evento um lugar de encontro e partilha
de informações e saberes: uma feira única,
em resposta à industrialização
e ao nivelamento imposto pelo sector alimentar actual.
No evento foi presente também a comunidade produtores
de Cacau de Villahermosa (capital du Tabasco), devastada
pelas cheias de Novembro de 2007. Os produtores mexicanos
contaram ao público como viveram e enfrentaram
o desastre e como nasceu o projecto Restablecimiento
del Agroecosistema Cacao en Tabasco, uma iniciativa
que conta com a colaboração do Slow Food-Terra
Madre e Mas para el campo, associação
que coordena as várias cooperativas de produtores
de cacau da região de Chontalpa. O projecto envolve
720 hectares de terreno com o objectivo de reactivar
o ciclo de produção regular, melhorar
a qualidade do produto e a sua comercialização.
O programa da feira alemã ofereceu também
mesas redondas com debates e fóruns, e uma rica
proposta de eventos paralelos (jantares e laboratórios
do gosto). Foi dedicada especial atenção
à alimentação nos lares, nas escolas
e em família, enquanto que os mais pequenos puderam
desafiar-se numa verdadeira competição
culinária sob o mote do filme Ratatouille: «todos
sabem cozinhar».
Para mais informações sobre o
evento, visite o síto: www.slowfood-messe.de
Alma Rosa Garces Medina
Representante Comunidade Produtores de Cacau Orgânico
e Chocolate de Villahermosa
atcovillahermosa@yahoo.com.mx
Viagem
às raízes da alimentação: Salone Internazionale del
Gusto (Salão Internacional do Gosto)-Terra Madre 2008
Salone del Gusto (Salão
do Gosto) e
Terra Madre este ano –
em Turim, de 23
a 27 de Outubro
– estarão juntos, num único evento
com duas vertentes distintas mas fortemente relacionadas.
O tema da edição de 2008 é A
viagem às raízes da alimentação,
cuja representação gráfica é
uma árvore: um percurso que desde os ramos
carregados de frutos, os pratos, isto é o Salone,
através da seiva do bom, limpo e justo conduz
às raízes, a terra, que é o Terra
Madre, o encontro mundial das Comunidades do alimento.
Um passeio cuja máxima expressão se
encontra na Via Virtuosa: um percurso com etapas informativas
e educativas que se desenrola no interior do Salone
– em busca do bom, limpo e justo, para consumir
menos e viver melhor – e conduz às Fortalezas
que, pela primeira vez, se encontram no interior do
Oval Lingotto, sede do Terra Madre.
Em 2008 irá desenrolar-se também o Terra
Madre Holanda, de 17 a 18 de Maio, na cidade
de Middleburg, e Terra Madre Irlanda,
de 4 a 7 Setembro, na antiga cidade de Waterford.
O convivium
que nasceu recentemente no campus do Instituto de
tecnologia de Waterford, participará na organização
do evento irlandês. Este convivium, fundado
por Donald Lehane, que faz parte da rede de jovens,
é o primeiro na Irlanda a desenvolver as suas
actividades a partir de um instituto de ensino superior.
A vontade é aquela de realizar actividades
dedicadas à educação alimentar
e encontros sob a insígnia do convívio,
e de ajudar na organização do evento
Terra Madre Irlanda 2008. Os jovens colaborarão
na realização da conferência inaugural
dedicada ao tema das políticas alimentares
e estarão empenhados durante os 4 dias do evento
que animará a cidade e a inteira região.
Para mais informações sobre
o evento irlandês, visite o sitio:
www.terramadreireland.com
Donald Lehane
Líder do convivium Waterford
lehane@iol.ie
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Os mercados plantam as sementes da paz |
A libanesa Dana Ghoussaini e a
israelita Michal Ansky tiveram recentemente a possibilidade
de se encontrar por ocasião da inauguração
da Rede Internacional dos Mercados da Terra. As duas
jovens mulheres são ambas pessoas profundamente
empenhadas nos respectivos países e mostraram-se
entusiásticas com a possibilidade de uma futura
colaboração. Dana, representante do
Slow Food Beirute
e coordenadora de três Mercados da Terra em
solo libanês, apresentou o projecto no encontro.
Michal, jornalista enogastronómica e aluna
de um Master na Universidade de Ciências Gastronómicas,
está entre as organizadoras do primeiro mercado
de produtores de Tel Aviv, que a partir de 2 de Maio
passará a ser semanal no porto da cidade israelita.
Dana e Michal juntaram-se a 70 representantes dos
mercados de produtores e do Slow Food provenientes
de todo o mundo no passado mês de Março
em Itália. Este novo projecto do Slow Food
elaborou um modelo claro de mercados de produtores:
os Mercados da Terra estão unidos por um conjunto
de regras comuns, que podem ser adaptadas aos contextos
nacionais específicos. Os delegados visitaram
o primeiro Mercado da Terra inaugurado há três
anos na cidade toscana de Montevarchi e ouviram os
testemunhos dos representantes de projectos-piloto
no Líbano e Mali. Os coordenadores da rede
de mercados de produtores na América e Inglaterra
também contaram as suas experiências,
que no futuro poderão aderir à rede
de Mercados da Terra.
Para mais informações:
info@mercatidellaterra.it
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Não se desperdiça nada |
Nicole Sturzenberger é
recém-licenciada do Master in Food Culture
promovido pela Universidade de Estudos de Ciências
Gastronómicas de Colorno, Itália. Após
a conclusão da sua tese subordinada ao tema
da transformação dos resíduos
derivados da produção de azeite em energia,
actualmente a Nicole trabalha na Universidade da Califórnia,
na cidade de Davis. Relata-nos: «aqui na Universidade
trabalho para o Olive Center e para o Robert Mondavi
Edible Garden. Estamos a produzir o nosso próprio
azeite, utilizando os recursos disponíveis
nas árvores do campus. O passo seguinte será
o aproveitamento do caroço da azeitona para
a produção de energia».
O papel de Nicole no Centro está relacionado
com o empenho da Universidade de atingir o objectivo
“impacto zero” até 2020.
Nicole Sturzenberger
Robert Mondavi Institute Garden
ndsturzenberger@ucdavis.edu
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Colher a serra |
O
convivium alpino de Coolpoteur
organizará a 17 e 18 de Maio de 2008, na cidade
de Gap (França), um salão dedicado aos
produtos e aos sabores da serra. Savoirs
et saveurs de montagne será um evento único
no território alpino mais ocidental, uma festa
dos terroir, uma escola do gosto, um debate aberto
sobre o futuro.
O evento irá propor:
- O mercado dos sabores, onde serão oferecidos
os produtos da Serra provenientes de França
e Itália e onde estarão representadas
entidades locais como o parque natural, os grupos
de compras, etc.
- Os Laboratórios do gosto, com provas comentadas
por produtores e chefes.
- O espaço Manger Slow, com demonstrações
culinárias para mostrar ao público como
preparar produtos simples e de qualidade, a custos
reduzidos.
Este evento encerra, localmente, um programa inter-regional
financiado pela União Europeia, intitulado
Le tour des savoirs et des saveurs de la montagne.
Esperam-se cerca de 1500 visitantes.
Rostain Philippe
Convivium leader Slow Food Coolporteur
philippe@slowfood.fr
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A
flauta mágica canadiana
da boa alimentação |
Paul Finkelstein começou a leccionar na Nothwestern
Secondary School de Stratford (Ontário, Canada)
há sete anos. Nesta escola, tal como em tantas
outras, a oferta alimentar baseava-se em máquinas
de distribuição automática espalhadas
pela escola e uma oferta hipercalórica no menu
da cantina. O Paul trava há muitos anos uma
batalha contra a epidemia da obesidade e outros graves
problemas de saúde que preocupam os jovens
com uma receita única, que conjuga programas
de educação alimentar, school gardens,
organizações de jantares e viagens.
O objectivo principal é o de dar a conhecer
aos seus alunos os verdadeiros alimentos, fazendo-os
cozinhar produtos frescos e convidando-os a experimentar
os vários ingredientes, para desenvolverem
um gosto próprio.
Com este espírito nasce o Screaming Avocado
Cafè, uma cafetaria dentro da escola gerido
pelo Paul e pelos seus alunos. Do menu do Screaming
constam apenas produtos saudáveis e os alunos
são responsáveis pela confecção
de todos os pratos: pão, massa, sanduíches,
coelho com azeitonas, cuscuz marroquino de borrego,
sushi…
A cafetaria integra um programa de educação
culinária mais amplo inspirado nos princípios
da origem e sazonalidade dos produtos, que envolve
200 estudantes por ano. Através do programa
de troca e partilha promovido pelo Slow Food os jovens
tiveram a oportunidade de viajar no Canada e no estrangeiro
(Japão) para se encontrarem e trocarem impressões
com os colegas provenientes de países e culturas
diferentes.
Paul Finkelstein
paulfink@fc.amdsb.ca
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Slow
Food on Film |
Toda a cidadela da Manifattura delle Arti de Bolonha,
Itália, será atravessada durante cinco
dias pela energia das imagens e dos eventos enogastronómicos
promovidos pelo Movimento Slow Food e pela Cinemateca
de Bolonha, para lançar uma comparação
internacional sobre a alimentação através
de algumas das linguagens audiovisuais contemporâneas
mais importantes, o cinema e a televisão. O
Slow Food on Film, de 7 a 11 de Maio, contará
com projecções de manhã à
noite nos principais cinemas da cidade, seguidas de
degustações de pratos e vinhos inspirados
nos filmes.
São quatro as competições oficiais:
Shorts competition (para curtas metragens de ficção),
Docs competition (para documentários), BFF
– Best Food Feature (para a melhor longa-metragem
gastronómica) e o Caracol de ouro – Best
Food tv Series (destinado à série televisiva,
ficção ou documentário, que se
distinga a nível internacional por uma representação
da gastronomia consciente, inteligente e culturalmente
relevante).
Todo o programa será disponível
logo: www.slowfoodonfilm.com
No sítio os sócios Slow Food
podem reservar também os eventos com preço
descontado.
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EDITORIAL
Caros sócios,
Este é o primeiro número de uma newsletter informática
que irão receber mensalmente.
Narra a nossa associação, o que acontece nos convivia
e como a Slow Food entende, vive e pratica das Chiapas
às estepes mongóis, das mesas alemãs aos farmers
market de São Francisco: os locais, as formas
e os tempos dos alimentos bons, limpos,
justos; e dos pensamentos e factos resultantes.
É uma newsletter em oito línguas e
é a expressão de uma rede cada vez
mais anárquica, contente, complexa e ainda
mais aberta à diversidade. É elaborada
na Rua Mendicità, na sede histórica
de Bra, mas queremos que, cada vez mais, fosse escrita
fora daqui, contando as vossas interpretações
locais do prazer, nas suas múltiplas expressões:
gastronómico, intelectual, emocional. Documentará
as trocas, as campanhas, os projectos desenvolvidos
pelos convivia Slow Food no mundo, que têm
sede nos cafés parisienses ou desabrocham
entre as plantações de café
guatemaltecas.
Slow Food Times, será um diário da viagem às raízes
da alimentação, seja filosófico – a partilha de
saberes, o mudar de opiniões e de interesses, o
pensamento que vai do prato à terra – seja em concreto:
dos sócios em visita aos produtores, das Comunidades
a caminho do encontro Terra Madre e do Salone del
Gusto, em Turim de 23-27 de Outubro, dos líderes
de convivium de regresso do México, com uma bagagem
rica em sugestões e estímulos para comunicar.
O Congresso Internacional que teve lugar no passado
mês de Novembro em Puebla efectivamente, foi um
momento fundamental para a nossa associação: permitiu-nos
fazer um ponto de situação sobre o percurso percorrido,
traçar as linhas de orientação para o futuro e definir
o horizonte que dará um sentido colectivo às nossas
acções individuais.
É por este motivo que decidimos inaugurar o Slow
Food Times partindo do México, com um “especial”
que se pretende seja um ponto de partida para um
diálogo que se quer cada vez mais rico; para além
de respeitoso da complexidade e das contradições
que são o nosso quotidiano, para crescer numa abordagem
mais madura e responsável do nosso relacionamento
com os alimentos e com o prazer que nos proporciona.
Boa viagem, então, sem pressa.
Paolo Di Croce
Secretário internacional Slow Food
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Têm
dito
no Congresso
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Inicialmente
no Japão, as pessoas associavam-se ao movimento
sobretudo por moda. Agora, no entanto, aderem
ao Slow Food pessoas muito mais motivadas
e empreendedoras e estamos a assistir a momentos
importantes, como a realização de um Terra
Madre asiático [...] O nosso país, tal como
o México, está cheio de contradições: a nossa
natureza é muito slow, mas o desenvolvimento
económico desenfreado destruiu as nossas tradições
e hoje o Japão é o país que conta mais food
miles no mundo. Mas, agora que o Slow Food
está presente em todas as regiões na nossa
nação, estamos prontos para dar vida a alterações
profundas. |
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Hirotoshi
Wako
Presidente do Slow Food Japão
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É
oportuno pensar numa solução ampla para os
problemas que se nos deparam. A solução reside
na educação e na instrução. A escola é o único
lugar onde podemos entrar em contacto com
as crianças, onde podemos ensinar-lhes a cultura
alimentar. A ecogastronomia deve entrar nos
programas das escolas, das creches às universidades. |
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Alice
Waters
Vice-presidente internacional
do Slow Food
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O Líbano
é uma viagem culinária muito interessante. Tem uma
tradição alimentar muito rica, ligada às estações.
Os alimentos, para nós, são um instrumento de hospitalidade
e sinal de amizade. Em Beirute, apesar de vivermos
dias muito difíceis para a nossa nação, estamos
a trabalhar para apoiar os mercados de produtores
e começámos vários programas educativos nas escolas
e universidades. |
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Barbara Massaad
Convivium Slow Food Beirut
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Na
Bielo-Rússia, os kolkoz são a maior força agrícola
do país. Têm terrenos muito férteis e muita maquinaria,
mas são altamente ineficientes, porque ainda são
os princípios soviéticos a ditar as directrizes
da agricultura. Esperamos que, entrando na rede
do Slow Food, as coisas possam mudar: redescobrindo
as variedades e as produções locais, trabalhando
na qualidade e não mais apenas na quantidade. Precisamos
de trocar ideias com aqueles que já tenham enveredado
por este caminho no passado e estamos abertos à
partilha. |
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Igor Danilov
Coordenador do Terra Madre e
do Slow Food na Bielo-Rússia
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Há
vinte anos o Slow Food centrava as suas atenções
no produto. Depois com o Terra Madre, os produtos
adquiriram um rosto humano. A cultura rural está
em risco, no Sul e no Norte do mundo. Em países
de tradições rurais como a Suiça, milhares de famílias
rurais abandonam as suas actividades tradicionais
para perseguir quimeras não lucrativas e que não
trazem felicidade. Aqui é importante o empenho e
o trabalho do Slow Food: devolvendo dignidade e
gratificação a todos os que se dedicam à produção
agrícola. |
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Rafael Pérez
Presidente do Slow Food Suiça
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O
convivium modificou-se em paralelo com a evolução
do pensamento slow. Actualmente já não intervimos
apenas nas mesas dos restaurantes, mas também nas
das escolas, das bibliotecas e dos departamentos
municipais. O novo objectivo do Convivum, hoje,
é a formação de cidadãos conscientes. |
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Marco
Brogiotti
Governador do Slow Food Itália
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Enviem-nos
as vossas questões e os vossos comentários,
relatem-nos as vossas histórias e experiências:
serão transmitidas aqui.
communication
@slowfood.com |
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