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Maio 2008


Nesta edição:
 
Editorial
de Carlo Petrini

Em honra da batata

A escola de cozinha com Kiko Klub

Primeira edição do Terra Madre Holanda

O branco e o verde

Petrini apoia a campanha anti transgénicos na Catalunha

Um sócio conta o Master de Cerveja

Uma aula de turismo sustentável na Roménia

Para te comer melhor

O dom das abelhas

Tantos compromissos do Slow Food no Brasil

Eyes on the Planet... ou seja, olhar no mundo em transformação

Novos gastrónomos para a Unisg

Novos convivia

 





Em honra da batata

A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2008 o Ano Internacional da Batata.
Para celebrar este produto estão previstas numerosas iniciativas em vários países do mundo e Joy Durston, do convivium Slow Food de Central Victoria, conta-nos como se festeja na Austrália.

«O ano internacional da batata! Mas porque raio se deveria celebrar o ano internacional da batata? Todos conhecem a batata e sabem bem que há apenas quatro variedades: a vermelha, a branca, a lavada e a pelada!
Mas nós, que vivemos no meio das batatas (principal produto da nossa região), sabemos que a história não acaba aqui. Para além disso, aqui em baixo, todos os pretextos são bons para festejar!
Por isso, em todo o Central Victoria, fizemos fóruns agrícolas, encontros com chefes, grupos de produtores, escolas e cultivadores; encontros secretos, encontros para difundir os nossos boatos sobre as muitas variedades de batatas que tínhamos visto, cultivado e comido, onde a descrição de receitas deliciosas nos fazia crescer água na boca, e encontros com famílias que cultivam batatas há mais de cinco gerações e até têm as suas variedades.
Passou a palavra rapidamente: os alunos de uma escola primária plantaram 17 variedades diferentes de batata; Gary Thomas idealizou o projecto Spudhunter (caçadores de batatas) com o qual convidou as crianças a escavar e encontrar batatas escondidas, e a seguir tiveram que as identificar provando-as e com a ajuda de um catálogo. Uma cidade inteira convidou quase todos os seus habitantes e homens de negócios a passar três dias a cozinhar batatas, comê-las, visitar plantações históricas e equipamentos para a apanha. Outra cidade adoptou uma nova sinalética de bem-vindas: uma batata enorme.
Um ano inteiro de festejos! Que sorte a nossa! E visto que também somos cidadãos modernos, contamos os nossos festejos no nosso blog».

Joy Durston
Líder do convivium Slow Food Central Victoria, Austrália
admin@slowfoodcentralvictoria.org.au




A escola de cozinha
com Kiko Klub

«Não gosto de peixe!»
«Não gostas de filetezinhos de peixe?»
«Claro que sim...»
«E de que são feitos?»
«Ah, pois é, de peixe!»
Começou assim o último encontro do Kiko Klub, o clube de cozinha para crianças entre os 6 e os 12 anos lançado pelo convivium alemão de Oldenburg.
Durante as aulas, com periodicidade trimestral, cozinham-se frequentemente produtos da época (como morangos no Verão e abóbora no Outono), outras vezes tratam-se de encontros temáticos: as batatas, a massa, etc.
O peixe, por exemplo, foi o protagonista da última aula. As crianças aprenderam a cozinhar salmão e descobriram alguns truques para reconhecer o peixe fresco: olhos brilhantes, pele elástica, guelras vermelho claro, cheiro a mar e não a peixe. Depois de ter deixado as crianças inspeccionar o peixe em todas as suas partes, o cozinheiro, Michael Ditzer, ensinou-os a fazer os filetezinhos de peixe: cortaram em pedaços os filetes de salmão previamente preparados e passaram-nos por farinha, ovo e pão ralado antes de os fritar. Como acompanhamento prepararam um divertido puré de batata de três cores com cenouras, ervilhas e beterraba, encerrando em beleza com tortinhas de chocolate.
Para o mês de Setembro está agendado um churrasco na mata à base de caça e cogumelos.

Para mais informações contactar:
Klaus Ruwisch
Líder de convivium de Oldenburg
oldenburg@slowfood.de




Primeira edição
do Terra Madre Holanda

A 17 e 18 de Maio, a cidade de Middelburg Abbey recebe a edição inaugural do Terra Madre Holanda, o encontro de artesãos e pequenos produtores holandeses e flamingos organizado pelo Slow Food Holanda e inspirado no evento do Terra Madre que se realiza em Turim de dois em dois anos.
«Não obstante na Holanda não exista uma cultura alimentar comparável com a italiana, estamos a assistir a um aumento do número de consumidores amantes dos produtos bons, limpos e justos. O Slow Food Holanda pretende estimular essa tendência; é este o motivo que nos levou a organizar o Terra Madre Holanda no ano do evento internacional» declarou Jan Wolf, presidente do Slow Food Holanda.
A característica peculiar do Terra Madre Holanda é o simpósio, que dará a oportunidade a fruticultores, produtores de queijo, criadores e pescadores de debater e partilhar saberes e experiências.
Na Praça de produção agrícola local e nos Teatros do Gosto, os produtores poderão apresentar ao público as suas especialidades; a Enoteca oferecerá degustações de vinhos e cervejas locais e um programa de projecções cinematográficas exibirá uma selecção de filmes sob a insígnia da filosofia Slow Food.



O branco e o verde

Já em 300 a.C. os egípcios tinham conhecimento das qualidades afrodisíacas e das virtudes curativas do espargo. O faraó Akhenaton e a sua mulher Nefertiti chamaram ao espargo ambrosia (do grego comida dos deuses).
Graças à descoberta de métodos que bloqueiam a produção de clorofila cobrindo as pontas, hoje em dia, para além dos espargos verdes existem também os espargos brancos. A apanha deste legume (que dura de meados de Maio até finais de Junho) é um processo difícil de mecanizar que requer muito tempo e um trabalho intenso: o trabalhador apanha o espargo escavando o terreno e cortando-o a cerca de 25 cm debaixo do solo com uma faca especial.
O Slow Food Linz dedica o dia 16 de Maio de 2008 ao ambrosia com uma excursão ao centro da cidade de Alkoven às cultivações do duque de Ledebur, para assistir à apanha de espargos, descobrir as diferenças entre as várias variedades, os métodos de sementeira e de apanha deste legume. Para concluir em beleza a visita está prevista uma prova de quatro pratos à base do legume.

Para mais informações sobre o evento contactar:
Philipp Braun
Líder do convivium de Linz.
slowfood-linz@gmx.at



Petrini apoia a campanha anti transgénicos na Catalunha

Carlo Petrini interveio a 11 de Maio na décima quinta edição de BioCultura, a feira espanhola mais importante dedicada ao biológico, que decorre na cidade de Barcelona. O Presidente da Slow Food descreveu a filosofia associativa desde o seu inicio até à actualidade, chamando a atenção para a questão agro-alimentar, em particular sobre os riscos relacionados com os transgénicos e a perda de biodiversidade, e participou no encontro “A stevia, a planta que as multinacionais de edulcorantes pretendem ocultar”, juntamente com Josep Pàmies, produtor biológico e líder do Convivium Slow Food de Balaguer. Nesta ocasião, a associação espanhola apresentou o manifesto em defesa da stevia, planta originária do Paraguai, com um poder adoçante 200 vezes superior ao do açúcar e isenta de calorias. Os seus extractos, utilizados durante séculos pelos indígenas sul-americanos e curiosamente muito difusos no Japão, podem-se comprar apenas em herbanários nos Estados Unidos, enquanto que na Europa, excepto em alguns países, não é permitida a sua venda. A comercialização da planta determinaria repercussões significativas na indústria de adoçantes, dominada por produtores de açúcar e de outros edulcorantes sintéticos.

O próprio Pàmies, acompanhado por Petrini, apresentou a campanh Som lo que sembrem, a favor da proposta de lei da iniciativa popular para uma Catalunha livre de transgénicos. A Espanha, até à entrada da Roménia na UE, era o único país no qual os transgénicos podiam ser cultivados em grande escala.



Um sócio conta
o Master de Cerveja

Emanuela Daros, sócia Slow Food, conta-nos a sua experiência ao participar no Master of Food sobre cerveja organizado pelo convivium de Ciampino, Itália.

«
No outro dia abri o frigorifico e vi duas latas de Guinness: “talvez no domingo experimente fazer um guisado com a Guinness”. Nunca me teria ocorrido semelhante ideia até há um ano atrás. Há 29 anos, uma viagem fantástica à Irlanda fez-me descobrir os prazeres da cerveja. Depois quando chegou o Slow Food e com a inscrição na associação em 2007 descobri que existiam alguns “Master” dedicados a tipologias específicas de produtos.
Inscrevi-me no Master de Cerveja organizado em Ciampino, e apresentado num pub muito simpático onde fui recebida calorosamente pelo grupo do convivium local. O docente, o especialista Leonardo Di Vincenzo, Mestre Cervejeiro, foi uma agradável descoberta. Nos quatro dias do curso foi fascinante ouvir a história, as culturas, as tradições de um produto tão incrivelmente variado e radicado em lugares tão diferentes. O programa de estudo fez-nos percorrer os primeiros passos de “provadores” com cervejas delicadas, tanto de alta como de baixa fermentação, e seguidamente provamos cervejas muito distantes dos sabores a que estamos habituados (ainda me lembro, um pouco chocada, da cerveja flamenga de fermentação espontânea). Foi muito interessante descobrir as várias combinações gastronómicas, que existem cervejas de meditação, que algumas tipologias são perfeitas como refresco no Verão e que a Rauchbier acompanha muito bem produtos defumados. Enfim, quatro dias de Master mudaram a minha relação com esta bebida.
Não vejo a hora de conseguir frequentar outro cursos para descobrir novos mundos!».

Emanuela Daros
emanuela_daros@libero.it




Uma aula de turismo sustentável na Roménia

O programa de actividades do convivium de Slow Food Turda prevê este mês uma série de seminários dirigidos aos habitantes das povoações rurais, que falaram das potencialidades e das vantagens de turismo sustentável para os produtores locais.
O objectivo destes encontros é dotar os participantes de instrumentos e competências úteis para desenvolver o sector turístico, através da valorização e tutela de produtos e práticas agrícolas tradicionais.
A iniciativa foi inaugurada no ano passado no Centro Raitu para a democracia por uma série de seminários abertos ao público mas destinados em primeiro lugar aos estudantes do sector hoteleiro. Os cursos, nos quais participaram mais de 100 estudantes, foram leccionados por Rosemary Baron, vice-presidente da International Association of Culinary Professionals e defensora convicta da filosofia Slow Food, e por quatro estudantes da Oxford Brooks University’s school of hospitality management.
Alguns dos temas abordados: de onde vem uma tradição culinária e qual é o seu valor; a importância da localidade e da sazonalidade; como conquistar o mercado do turismo eno-gastronómico.

Per maggiori informazioni contattare:
Marta Pozsonyi
Coordenadora da iniciativa
martapozsonyi@turdafest.ro



Para te comer melhor: a nova colecção da Slow Food Editore dedicada aos mais jovens

Mais histórias de crianças com capuchinho vermelho e cestos de comida? Lobos esfomeados? Não!
Para te comer melhor quer dizer, levar a comida a sério: qual o fim de boca do capuchinho vermelho? É preciso treino para o reconhecer, ter uma boca grande não é suficiente…

Para te comer melhor é a nova colecção ilustrada, em italiano, da Slow Food Editore idealizada para propor a um público muito jovem os temas defendidos pelo movimento e para transmitir às crianças o prazer de conhecer e provar determinados alimentos. O caracol decidiu dar o seu contributo no vasto mundo da literatura infantil propondo uma série de livros biodiversos. Cada volume não se baseia apenas numa história que capte o interesse dos leitores e nem sequer sobre uma lista atenta do que se deve comer e o que evitar como a peste; é mais um diário para identificar a relação entre a comida, as pessoas que a produzem e o seu território de proveniência.
Os dois primeiro números da colecção Para te comer melhor que estarão na Feira do Livro, são:
- O chocolate. Diário de uma longa viagem, de Sara Marconi e Francesco Mele, ilustrações de Simone Frasca
- O queijo. Uma história verdadeira, aliás duas, de Cinzia Ghigliano e Marco Tomatis
O chocolate, além do mais, recompensará quem quiser aventurar-se não apenas com os sentidos e papilas, mas também com lápis, pincel, computador, máquinas fotográficas, tesouras e cola: espaço para todas as obras no site www.permangiartimeglio.it



O dom das abelhas

A criação de abelhas apresenta várias vantagens, relativamente à de outros animais: as abelhas não necessitam de ser alimentadas porque procuram alimento sozinhas durante todo o ano; produzem também em regiões áridas ou semi-áridas; se se usarem colmeias tradicionais, todo o material necessário pode ser recuperado no local; os apicultores não precisam ser proprietários de terra; uma vez iniciada, a apicultura auto-financia-se.
Estas vantagens tornam a criação de abelhas uma actividade simples de empreender, porque requer poucos fundos, e à qual todos se podem dedicar (também os jovens e as mulheres). O mel é um produto rico em propriedades e pode aumentar os recursos de uma comunidade, sem falar do papel fundamental desempenhado pelas abelhas na protecção da biodiversidade.

Consciente do papel, muitas vezes crucial desta produção, a Fundação Slow Food para a Biodiversidade tem 5 Fortalezas de mel no mundo (no Brasil, Itália, Polónia e duas na Etiópia) e no seio da rede Terra Madre estão presentes 58 comunidades de apicultores.
Na Etiópia, o primeiro objectivo da Fortaleza de mel de Wenchi foi a formação dos apicultores através da organização de trocas com outros criadores de abelhas do país, mas também de Itália. A Fundação, com a consultoria de Diego Pagani (apicultor de Conapi), ajudou os produtores a redigir um caderno de especificações de produção. Diego Pagani, desenhador famoso para além de apicultor, apaixonou-se tanto pelo projecto que decidiu participar com os seus desenhos na realização de um manual em banda desenhada que ilustra as técnicas de produção do mel: um manual feito de pequenos apicultores, para pequenos apicultores.
A redacção dos textos é da responsabilidade de Diego Pagani juntamente com Massimiliano Gotti, Técnico Aspromiele e membro do Conselho de Administração da AAPI.

Podem descarregar a versão italiana ou inglesa deste trabalho.




Tantos compromissos do Slow Food
no Brasil


O Festival Brasil Sabor, encerrou as portas no passado dia 11 de Maio, o evento organizado pelo ministério do turismo e pela associação brasileira de bares e restaurantes para valorizar e promover a gastronomia brasileira. Entre 9 de Abril e 11 de Maio o Centro de Convenções Ulisses Guimarães em Brasília recebeu a terceira edição do festival, durante a qual foram propostos mais de 2.000 pratos diferentes. Na inauguração, no dia 8 de Abril, esteve presente também o convivium Slow Food Brasília que apresentou a filosofia do Slow Food e os seus princípios de eco-gastronomia, oferecendo uma degustação de pratos preparados pelos próprios associados.
Não faltaram as actividades para os mais pequenos. O convivium organizou um laboratório no qual participaram 30 crianças entre os 4 e os 8 anos. As crianças fizeram um bolo com avelãs, maçãs, bananas e doce de jabuticaba, tudo produtos provenientes de uma comunidade do alimento local. Para os habituar a educar nos sabores, as crianças forma convidadas a cheirar e provar cada ingrediente durante a preparação.

Ao mesmo tempo os convivia brasileiros participaram na Bio Brazil Fair 2008 de São Paulo, a feira dedicada à agricultura orgânica.



Eyes on the Planet...
ou seja, olhar no mundo em transformação


Amantes de fotografia e defensores de temas socio-ambientais encontram-se em www.eyesontheplanet.org para participar no concurso fotográfico internacional Eyes on the Planet, que procura sensibilizar jovens e opinião pública sobre as emergências socio-ambientais mais actuais, testemunhando as grandes alterações do nosso planeta. São quatro as secções temáticas previstas: environment, people, climate e food (ambiente, pessoas, clima e alimentação).
Eyes on the Planet destina-se às jovens promessas do mundo da fotografia mas também a simples amadores, italianos e estrangeiros, de idade compreendida entre os 18 e os 35 anos, oferecendo-lhes uma oportunidade concreta de visibilidade e formação. Os melhores retratos serão exibidos numa exposição fotográfica e oferecidos num leilão de beneficência cujos lucros reverterão para projectos que a Fundação Slow Food para a Biodiversidade e o WWF estão a levar a cabo na Amazónia, para apoiar o desenvolvimento de economias locais de forma duradouro e sustentável.



Novos gastrónomos para a Unisg

No passado dia 1 de Maio os estudantes norte americanos realizaram dois encontros em Nova Iorque e Berkley (Califórnia) sobre as perspectivas para os recém-licenciados da Universidade de Ciências Gastronómicas.
Mais de 50 pessoas encheram o Murray’s Cheese e The Ecology Center por ocasião da primeira das reuniões organizadas nos Estados Unidos: receberam informações sobre a oferta formativa e os programas, informaram-se sobre as saídas profissionais, sobre os procedimentos de inscrição, e sobre a vida em Itália.



Novos convivia

Aqui ficam os convivia que entraram recentemente na rede Slow Food:

Bio Argentina, Mendoza – Argentina
Oberà, Misiones – Argentina
San Martín de los Andes – Argentina
Rio Negro – Argentina
Côté de Beaupré – Canada
Klang Valley – Malásia
Alentejo – Portugal
Brasov – Roménia
Extremadura – Espanha



 


 

EDITORIAL

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Está-se a verificar no mundo aquilo que poucos conseguiram prever: os produtos quotidianos, os bens de primeira necessidade, estão a assistir a um aumento contínuo de preços. A estabilidade de muitos países mais pobres está em risco (em 33 nações já ocorreram distúrbios e revoltas por causa do preço dos alimentos) e também no Norte do mundo muitas famílias devem encarar o aumento constante das despesas, no limite do suportável pelo orçamento familiar mensal.
Os produtos de marca industrial, conhecidos pela sua acessibilidade mas produto de um sistema global que criticámos sempre veementemente por motivos ecológicos, relacionados com a qualidade dos alimentos ou por causa da homologação que difunde em prejuízo das diversidades culturais e biológicas, revelou também uma insustentabilidade económica. Acentuada pelo aumento da procura de consumos “à ocidental” em muitos países emergentes como a China e a Índia, pela explosão do fenómeno dos biocombustíveis e da especulação cada vez mais agressiva nos mercados financeiros.

De repente, os produtos que nós sempre procurámos, o mais possível bons, limpos e justos, tornaram-se até convenientes, para além de mais saborosos, saudáveis e ecológicos. Talvez isto nos ajude finalmente a demonstrar como as nossas escolhas, alheias ao sistema global baseado num liberalismo selvagem, que tende à criação de economias locais que formam uma rede entre elas, não fazem parte de um comportamento elitista. Muitas vezes gerou-se esse mal entendido: no estrangeiro a nossa associação era percebida como altamente selectiva, dedicada sobretudo aos prazeres de pessoas mediamente ricas. Toda a complexidade das nossas ideias arriscava-se a ver-se reduzida ao simples capricho supérfluo de quem se pode dar a esse luxo.
Agora a situação mudou, os cenários futuros tornam-se mais sombrios e nunca, como agora, foi tão evidente que será necessário reprojectar o sistema de produção, transformação, distribuição e consumo de produtos no mundo. Acredito que com o nosso trabalho, com as nossas escolhas, já há algum tempo que indicámos um percurso: alimentar-se consoante o território, fazer escolhas o mais possível locais, reduzir as fileiras alimentares, escolher a natureza em detrimento do artificial.

Daqui ao Terra Madre e ao Salone del Gusto convido todos os sócios a fazerem estas reflexões – que podem seguir e aprofundar nos vários meios de comunicação que a associação disponibiliza – a procurar realizá-las em concreto nos convivia e serem seus porta-voz, que se até à pouco tempo parecia destoar, hoje pode representar uma oportunidade importante de crescimento também para o próprio Slow Food, e para todos os diversos sujeitos que consegue envolver no mundo.


Carlo Petrini


 






  Calendário
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Terra Madre Holanda

17-18 Maio
Middelburg Abbey, Holanda


Salon des savoirs et des saveurs de la montagne:
17-18 Maio
Gap, França


Golden Glass
8 Junho
São Francisco, Usa


Slow Food Nation
29 Agosto–1 Setembro
São Francisco, Usa


Terra Madre Irlanda
4-7 Setembro
Waterford, Irlanda


Salone del Gusto - Terra Madre
23-27 Outubro
Turim, Itália

O programa oficial da edição 2008 do Salone del Gusto (Salão do Gosto) estará disponível on-line no website www.salonedelgusto.it a partir do mês de junho.

 





 
Slow Food
on Film

Depois de 5 dias de sol, filmes e um grandíssimo sucesso de público, Slow Food on Film – o festival internacional de cinema e alimentos (7-11 maio, Bologna) – anunciou os vencedores e as menções especiais

BFF - BEST FOOD FEATURE
The Golden Snail
The Wind Blows Round
by Giorgio Diritti
Italy, 2005.

DOCS COMPETITION
The Golden Snail
The price of sugar
by Bill Haney
USA, 2006.
Mentions:
Cry sea
by Cafi Mohamud and Luca Cusani
Italy, 2007.
Strawberry Fields
by Ayelet Heller
Israel, 2006.

DOCS COMPETITION - Under 35'
The Golden Snail
Silent Snow
by Jan Van Der Berg
The Netherlands, 2007.
Mention:
The Poet of Grappa
by Stefano Scarafia
Italy, 2006.

SHORTS COMPETITION
The Golden Snail
Along Came the Rain

by Alejandro Fernàndez Almendras
Chile, 2006.
Mentions:
Mammal

by Astrid Rieger
Germany, 2007.
Marie Spapen, protagonist in
Alice, or Life in Black and White
di Sophie Schoukens
Belgium, 2006.

BEST TV SERIES
The Golden Snailo
Cooking in the danger zone

by Mark Perkins, with Stefan Gates
UK, 2007.

 
 






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Terra Madre é o encontro mundial das comunidades do alimento, o maior evento cultural organizado pela Slow Food que reúne mais de 5.000 pessoas provenientes de todo o mundo. Durante o Terra Madre realiza-se uma extraordinária partilha de informações, de ideias e soluções entre os delegados das comunidades do alimento, que se revela o instrumento mais eficaz para tutelar o seu trabalho e a biodiversidade agro-alimentar. Para que seja possível realizar este encontro é fundamental o significativo contributo dado por todos os nossos patrocinadores, todas as múltiplas e variadas categorias de apoiantes que com várias modalidades de contributo, cada uma na forma que lhes for mais conveniente, ajuda-nos a realizar este projecto ambicioso.
Também nesta edição do Terra Madre precisamos da vossa ajuda para permitir a participação no evento de delegados provenientes de países em vias de desenvolvimento.

Se quiser contribuir, contate:
Simona Malatesta
tel. +39/0172/419 648

 





Têm dito


  Penso que a cultura gastronómica dos nossos povos guiar-nos-á sabiamente no reconhecimento de novas formas de interacção social úteis para tornar este nosso mundo um lugar mais feliz e melhor para todos, sem limitações nem fronteiras.  
     
  Rodrigo Gajardo Robles
Valparaíso, Chile
pelahez@gmail.com
 



  Queremos participar de forma concreta nas actividades do movimento e aproveitamos esta newsletter para perguntar esclarecimentos nesse sentido.
Pensamos que podia ser interessante mostrar a forma como os alimentos são produzidos e sucessivamente confeccionados no seio da nossa comunidade local que, com o desenvolvimento vertiginoso do sector turístico, está actualmente em risco de perder a sua identidade e a soberania alimentar.
 
     
  Daniel Brenes
Punta del Diablo, Uruguay
buenosdias@posadarocamar.com.uy
 



















Enviem-nos as vossas questões e os vossos comentários, relatem-nos as vossas histórias e experiências: serão transmitidas aqui.

communication @slowfood.com
 
 
 
 
 
  Este newletter foi realizada por o departamento Comunicação Slow Food Internacional
 Elisa Marenco: e.marenco@slowfood.com -  Michèle Mesmain: m.mesmain@slowfood.com
Para todas as questões associativas contate o Centro de Assistência: centroservizi@slowfood.it
Se não deseja receber o boletim, favor enviar um email a:communication@slowfood.com (objeto:unsuscribe)