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Maio 2009

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Nesta edição:
 


Editorial
de Carlo Petrini

Slow Food em duas palavras
Terra Madre

Da mesa à terra...

O Dia Da Avó
Slow Food Irlanda dá o exemplo

A Universidade de Ciências Gastronómicas em Cuba
Uma comunidade do Terra Madre Cuba recebe 15 alunos

Mercados da Terra

Foi assinado em Beirute um acordo entre o Líbano e a Toscana

O caminho da pastelaria árabe
O convivium de Saragoça explora as raízes dos doces tradicionais da sua região

Uma refeição camponesa do início do século XIX
O convivium de Malta revela aos associados os sabores do passado


Vozes do Terra Madre
Notas de viagem
Giuseppe Gajarin, responsável por duas Fortalezas italianas, relata-nos o seu encontro com a Fortaleza de Cabo Verde

Tradições alimentares
Kenya - Sal de cana do rio Nzoia

Para alimentar a sua biblioteca
Slow Food on Film
Food, INC. vence o caracol de ouro como melhor documentário

Alimento para a mente
Salmões como frangos
Comer os tigres do mar e criar os lobos do oceano     

Campanhas
Slow Fish
O futuro das sementes na Europa
Apelo à difusão do rosé

 
     




Slow Food
em duas palavras
 

Terra Madre
Terra Madre é uma rede constituída por todos aqueles que querem preservar e promover métodos de produção alimentar sustentáveis, em harmonia com a natureza, a paisagem e a tradição. Dedica especial atenção aos territórios, às variedades vegetais e às espécies animais que nos séculos se adaptaram aos vários ambientes naturais. Dia após dia, a família Terra Madre cresce, enriquece-se e organiza-se para tutelar melhor os produtos e as culturas gastronómicas locais. As comunidades do alimento de Terra Madre concretizam o princípio de qualidade do Slow Food, baseada em três conceitos: bom, limpo e justo.
Terra Madre é um projecto do Slow Food, fruto do seu percurso de crescimento, concebido para proteger, apoiar e dar voz aos pequenos produtores, mas também para mudar o sistema que os prejudica, unindo as forças de todos os que – com as suas escolhas quotidianas – podem influenciar as políticas futuras: consumidores, chefes e cozinheiros, escolas, centros de investigação, organizações não governamentais, associações e jovens. Porque apenas multiplicando acções locais com uma visão global, se poderá ter um impacto significativo.

Para mais informações:
www.terramadre.org



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 Da mesa à terra...


O Dia Da Avó
Slow Food Irlanda dá o exemplo


Irlanda – Toda a gente festeja o Dia da Mãe; e os avós? Nunca lhes foi dedicado um dia, até agora… Assim, seguindo a minha sugestão e da Alice Waters no último encontro Terra Madre em Turim, no dia 25 de abril celebrou-se o primeiro Dia da Avó do Slow Food, no qual as crianças passaram um dia na cozinha com as suas avós.

São dez os convivia irlandeses que aderiram à iniciativa. Por exemplo, Slow Food de East Cork, juntamente com The Irish Examiner (um jornal diário nacional, adoptou e apoiou com entusiasmo a iniciativa), organizaram um concurso no qual as crianças apresentaram a receita preferida que adoram cozinhar com os avós. Os vencedores foram da Ballymaloe Cookery School onde as avós ensinaram os netos a confeccionar pratos. Foi organizado ainda um concurso artístico entre seis escolas locais no qual as crianças tinham de desenhar ou pintar um quadro sob o tema “Cozinhar com a avó”. A iniciativa teve enorme sucesso e os desenhos evidenciaram a relação especial e importante entre avós e netos.

Em Waterford um grupo de avós e netos participaram no encontro organizado pelo Four Rivers Convivium: as avós relembraram a sua infância e explicaram as suas receitas, foi muito divertido.
Também a televisão nacional nos deu a oportunidade de convidar os avós de todo o país a reunirem-se com os seus netos para transmitir-lhes a sabedoria herdada, fazer um bolo, pescar um peixe, plantar uma semente, tricotar, cantar uma canção, assobiar, mas sobretudo cozinhar.

Eu também sou avó de seis crianças adoráveis. Juntos colhemos as primeiras batatas novas, algumas cenouras e beterrabas pequenas como bolas de pingue-pongue. Limpámos e cozinhámos os legumes, assámos um pato, descascámos umas maçãs para fazer o molho de maçã. Depois sentámo-nos à mesa da cozinha onde desfrutamos de um jantar delicioso em que as crianças comeram tudo até à última migalha e depois fizeram um desenho da apanha das batatas com a avó; no final, escrevemos as receitas deste jantar simples, e pensamos repeti-lo uma vez por mês.

Começámos esta iniciativa na Irlanda e estamos certos que a ideia continuará a fazer adeptos e que no próximo ano o Dia da Avó será maior, melhor e verdadeiramente internacional..

Darina Allen
Conselheira Slow Food para a Irlanda
Info@slowfoodireland.com


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A Universidade de Ciências Gastronómicas em Cuba
Uma comunidade do Terra Madre recebe 15 alunos

Cuba - A comunidade cubana “Proyecto Comunitario Conservación de Alimentos” e a faculdade de Agrária da Universidade La Habana (que também faz parte da rede Terra Madre), no mês de março receberam e organizaram a visita a Cuba de quinze alunos da Universidade de Ciências Gastronómicas (Pollenzo, Itália).

O Proyecto Comunitario nasceu em 1996, num bairro na zona oeste de Havana. O seu objectivo é introduzir e divulgar técnicas sustentáveis, naturais, adaptadas ao contexto local e que respeitam o ambiente. Técnicas que favorecem um estilo de vida saudável e a participação democrática das comunidades locais.

Os voluntários que trabalham no projecto dedicam-se sobretudo à produção, transformação, conservação e consumo de alimentos, através do cultivo de hortas familiares e comunitárias de pequena e média dimensão, o uso de secadouros solares e a produção de compotas. Nestas hortas (biológicas) cultivam-se mais de 120 espécies de plantas: vegetais, tubérculos, pequenos frutos e ervas medicinais. Além disso, o Projecto procura melhorar o nível da cultura alimentar local.
O trabalho realizado por esta comunidade do Terra Madre tornou-se um ponto de referência para todo o movimento de agricultura urbana de Cuba.
Os alunos da Universidade de Ciências Gastronómicas – provenientes da Alemanha, Quénia, Suíça e Itália – puderam trocar experiências com produtores, professores e responsáveis pela gastronomia local em cinco províncias do país: de Pinar del Rio até Santiago de Cuba. O conhecimento prático da gastronomia da ilha foi complementado com a visita a lugares de interesse histórico, social e cultural.

Para mais informações, visite o site da comunidade Proyecto comunitario


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Mercados da Terra
Foi assinado em Beirute um acordo entre o Líbano e a Toscana

Libano - Em Hamra, no coração de Beirute, entre edifícios de cimento e de vidro, centros comerciais, marcas ocidentais (da Nike a Radio Shack) e um trânsito oprimente, há uma ilha: uma estrada com apenas algumas centenas de metros onde todas as quintas-feiras de manhã, chegam os agricultores dos arredores e expõem os seus produtos: o pão árabe, o kechek (trigo partido, temperado com ervas em azeite), o sumac (uma especiaria vermelha escura com sabor a limão), o mwaraka (uma massa folhada muito fina recheada de nozes, amêndoas e mel), o mel de cedro, as ervas aromáticas, etc.

É o Mercado da Terra de Hamra, o orgulho do Slow Food Beirute. Na terça-feira 28 de Abril, Hamra recebeu os produtores de três Mercados da Terra toscanos, chegados ao Líbano para apresentar os seus produtos (azeites extra virgens, vinhos, queijo de ovelha, ovas de peixe de Orbetello, etc.) mas sobretudo para fazer um acordo internacional.

O acordo (entre os Mercados da Terra toscanos e libaneses e entre Slow Food Toscana e Slow Food Beirute) foi assinado oficialmente em 29 de Abril no Horeka (o evento mais importante dedicado à alimentação do Meio Oriente). Este evento contou com a presença do embaixador da Itália em Beirute, do director do Instituto Italiano para o Comércio Exterior, do Director do Ministério da Agricultura libanês, de representantes da Região Toscana e da Câmara Municipal de Montevarchi (sede do primeiro Mercado da Terra), da ONG Ucodep, da Cooperação Italiana e da Fundação Slow Food para Biodiversidade.

O objectivo do acordo: colaboração contínua e assistência mútua entre os Mercados da Terra libaneses e toscanos, através da partilha de experiências e iniciativas de promoção comuns. A demonstração que os projectos do Slow Food têm sempre fortes raízes locais mas um horizonte e uma visão global.


Para mais informações : www.mercatidellaterra.it



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O caminho da pastelaria árabe
O convivium de Saragoça explora as raízes dos doces tradicionais da sua região   

Espanha - Durante o mês de maio, 30 pessoas fizeram oito cursos, promovidos pelo convivium de Saragoça, dedicados às origens da pastelaria tradicional da região, isto é a pastelaria árabe. Na época Medieval - quando Saragoça se chamava Medina Albaida - o mel, a farinha e a fruta seca eram ingredientes fundamentais da sua pastelaria. Actualmente a cidade acolhe um dos três exemplos de arquitectura hispano-muçulmana mais importantes que restam no país: o palácio da Aljafería. Não é portanto de estranhar que a pastelaria do Magreb seja a mais parecida com a pastelaria tradicional de Saragoça. Por este motivo, o convivium pediu a Fátima Zerargui, proprietária da pastelaria árabe “as três estrelas” (situada na avenida Conde de Aranda, a mais multi cultural da cidade) para ilustrar os fundamentos da pastelaria tradicional de Saragoça, através de algumas receitas árabes clássicas, como a massa de amêndoa e nozes, os chifres de gazela e os brik orientais. Os cursos previram também um ciclo de música árabe.

Para mais informações, contactar Jorge Hernandez, líder do convivium de Saragoça : jhernandez@aragon.es


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Uma refeição camponesa do início do século XIX
O convivium de Malta revela aos associados os sabores do passado

Malta – Carmel Cassar é um dos académicos que participou ao encontro Terra Madre em Turim. Decidido a transmitir o saber tradicional às novas gerações, juntamente com um leitor do ITS (Institute for Tourism Studies) levou consigo três estudantes de Malta. No regresso à ilha, Carmel decidiu concretizar os seus ideais. E assim, em conjunto com um pequeno grupo de pessoas igualmente entusiastas, fundou o novo Convivium Slow Food de Malta. Têm agora o prazer de anunciar a sua primeira iniciativa: “Um almoço camponês dos anos 30 do século XIX – a experiência”. O menu escolhido para a ocasião pretende dar uma idéia, e oferecer os sabores, das práticas culinárias dos agricultores malteses na primeira metade do século XIX. Um dos pratos preparados propositadamente para o evento foi o pão maslin, um tipo de pão rústico feito com uma mistura de cereais que os agricultores malteses comiam regularmente. A iniciativa pretende dar relevância à comida que era maioritariamente produzida a nível local pelos agricultores. O almoço foi organizado em conjunto com o Centre of Cultural and Heritage Studies (Institute of Tourism Studies). A pesquisa sobre os ingredientes originais e a forma de preparação foram desenvolvidas pelo próprio Carmel Cassar e por Noel Buttigieg juntamente com outros associados do Slow Food Malta e leitores do Institute of Tourism Studies, o almoço foi preparado pelos aspirantes a chefes do Institute sob a supervisão dos seus leitores, alguns dos quais são também associados do Slow Food.

Carmel Cassar
Líder do convivium do Slow Food Malta:
carmel.cassar@um.edu.mt


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Vozes do Terra Madre

Notas de viagem
Giuseppe Gajarin, responsável por duas Fortalezas italianas, relata-nos o seu encontro com a Fortaleza de Cabo Verde

 

Cabo Verde - Na edição de 2007 de Cheese, conheci Giuseppe Quaranta, professor da Universidade de Turim que acompanha a Fortaleza do queijo de cabra do Planalto de Bolona (Cabo Verde). Perguntou-me se podia disponibilizar os meus conhecimentos técnicos, especialmente no que diz respeito ao uso de coalhada. Cabo Verde estimulava-me a imaginação e provocava-me um formigueiro, uma efervescência. Desfolhei brochuras, vi fotografias, ouvi o relato de amigos. Mas nada disto podia descrever verdadeiramente o que iria ver. De 3 a 10 de Março de 2008 tive a oportunidade de “pôr as mãos” nesta Fortaleza, este arquipélago, as pessoas......

 
     
  Giuseppe Gajarin
gaiarin.giampaolo@trentingrana.it



Clique aqui para ler o resto da história de Giuseppe no site do Terra Madre...
 


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Tradições alimentares

Sal de cana do rio Nzoia 

Kenya - Em algumas zonas do Quénia ocidental - historicamente excluídas das principais rotas do sal – as comunidades locais desenvolveram um método especial de extracção de uma planta aquática.

Trata-se de uma cana fina, que cresce na água entre setembro e março e que é cortada pela base com uma foice quando está bem madura. Depois da apanha, deixa-se a secar sob as rochas nas margens do rio durante três ou quatro dias. São então recolhidas e queimadas em lume muito brando, sempre nas rochas. As cinzas resultantes são misturadas com água quente e sucessivamente filtradas para eliminar a areia ou outras impurezas. O líquido é então vertido para um frigideira grande onde se deixa ferver em lume forte. Quando estiver completamente evaporado, no fundo deposita-se um puré acinzentado e salgado, que é espalhado e enrolado em folhas de bananeira. Nos maços de folhas seca-se o “sal” colocando-o por baixo das cinzas quentes durante uma noite.

Depois da chegada dos ingleses e a construção das estradas que ligaram a zona ao lago Vittoria, foi introduzido o sal marinho e o tradicional – cujo processo de produção é longo e complexo – foi-se abandonando aos poucos. É ainda usado em alguns vilarejos, sobretudo de pessoas diabéticas e com problemas de pressão.

Clique aqui
para ler o resto da história de Giuseppe no site do Terra Madre.


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Para alimentar a sua biblioteca

Slow Food on Film
Food, INC. vence o caracol de ouro como melhor documentário 


Um filme-choque sobre a indústria alimentar americana triunfa no Slow Food on Film: Food, Inc. arrecadou o caracol de ouro e o prémio de € 5.000, recebido pelo realizador Robert Kenner, como melhor documentário longa-metragem da segunda edição do Slow Food on Film. Segundo o júri, “O filme dá um forte contributo ao discurso sobre a desastrosa situação alimentar do planeta. Relata a história de um sistema internacional de produção alimentar muito complexo de forma compreensível, informativa, mas ao mesmo tempo espectacular”.

O prémio para o melhor documentário curta-metragem (€ 2.000) foi para o húngaro Sándor Mohi com o seu Imádság (A oração), que relata cinco anos de vida de um casal de agricultores idosos. Esta foi a motivação do júri: “Pela profundidade humana que o realizador soube capturar nos poucos gestos simples e dolorosos dos seus protagonistas, fazendo-nos participar nas suas vidas e, sobretudo, de uma relação com a terra que nos parece mais do que nunca necessária”. 

O concurso para o melhor curta-metragem de ficção (€ 5.000) foi no entanto ganho por Thé Noir do francês Serge Elissalde. “Pela elegância estilística, a originalidade do cunho e a capacidade de elaborar um relato fascinante e de forte valor simbólico; não livre de uma certa ironia e estreitamente representativo de uma realidade dramaticamente actual”: assim os júris expressaram a sua motivação.

A Food & Film Academy – ou seja o júri internacional designado para escolher o melhor longa-metragem de ficção – premiou ainda Almoço de 15 de Agosto di Gianni Di Gregorio, enquanto que o prémio para a melhor série televisiva já tinha sido entregue no sábado a Report de Milena Gabanelli.

Leia o artigo completo no site slowfood.com clique aqui



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Alimento para a mente

Salmões como frangos
Comer os tigres do mar e criar os lobos do oceano

Imaginem entrar na vossa mercearia em busca de qualquer coisa para o jantar. Não têm nada de específico em mente e irão preparar a refeição com o que vos parecer mais fresco e apetitoso. Tendo decidido começar pelas proteínas, começam por se dirigir ao balcão do talho que está bem abastecido de peças interessantes: ainda há um lombo de leão do Serengeti, mas as peças de lobo da floresta boreal canadiana têm um aspecto verdadeiramente especial. Ou talvez não fosse mal um ave de rapina nocturna assada, mas só há corujas grandes e para dois é demasiado. No final acaba por decidir pela conveniência e leva um par de hambúrgueres de urso polar.
Tudo isto parece surreal ou exagerado? Talvez, mas imaginem dirigir-se ao balcão da peixaria em vez do talho…

Trecho de um artigo de John Volpe para a edição italiana da Slowfood n° 39

Leia aqui o artigo completo



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Campanhas



Slow Fish

Lembrem-se do Slow Fish Challenge e enviem-nos as vossas receitas com peixe local sustentável!
Para mais informações sobre o Slow Fish Challenge, clique aqui

The End of the Line
Documentário internacional vencedor do Sundance Festival

O alarme é global. Os cientistas prevêem que continuando a pescar ao ritmo actual o planeta ficará sem peixe em 2048, com consequências catastróficas. The End of the Line, baseado no livro de Charles Clover, analisa os efeitos devastadores que a pesca excessiva tem nos bancos de peixe e na saúde dos nossos oceanos. Baseando-se em Clover, o veterano do Sundance Festival Ruper Murray (Unknown White Male) atravessa o globo examinando as causas do dilema e o que se pode fazer para o resolver. A pesca industrial começou nos anos 50; hoje navios super-tecnológicos sulcam os oceanos pescando com redes do tamanho de campos de futebol. As espécies marinhas não podem sobreviver ao ritmo a que são actualmente retiradas do mar. A juntar a isto há ainda décadas de má ciência, a ganância das grandes empresas, a miopia dos governos, a procura crescente dos consumidores e uma crise de dimensões épicas. 90% dos grandes peixes dos oceanos já desapareceram. Murray mistura sequências fantásticas filmadas debaixo de água e na superfície do mar com testemunhos científicos impressionantes, para fazer um quadro forte e alarmante do estado do mar. Resumindo, a força de End of the Line está no facto de ir para além da retórica catastrófica propondo soluções concretas. Este filme, terrivelmente actual, comunica uma mensagem: o tempo passa inexorável e é urgente intervir.

Veja a recensão completa do Sundance Festival:
http://endoftheline.com/
 



  O futuro das sementes na Europa
Carta aberta pela biodiversidade agrícola e pelos direitos colectivos dos agricultores

O órgão directivo do tratado da FAO TIRFAA (Tratado Internacional de Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura) reunir-se-á em Tunes de 1 a 5 de Junho. Nesta ocasião discutir-se-á o uso sustentável da biodiversidade agrícola e dos direitos dos agricultores: os direitos de conservar, usar, trocar e vender as sementes dos agricultores, de preservar os conhecimentos tradicionais, de participar nas decisões nacionais e internacionais sobre a biodiversidade, e assim por diante. Direitos que não são respeitados na maioria dos países europeus.

Fazemos um apelo às organizações de agricultores e de consumidores, às associações ambientalistas e dos direitos civis e políticos, para que assinem a carta aberta que será enviada, entre 20 de Maio, aos governos europeus, à comissão europeia e à secretaria do Tratado.
A iniciativa é promovida por várias organizações de conservação de sementes europeias (Heritage Seed Libary - Inglaterra, Interessengemeinschaft für gentechnikfreie Saatgutarbeit – Alemanha e Áustria, Protect the Future - Hungria; Red de Semillas - Espanha, Réseau Semences Paysannes - França, Rete Semi Rurali – Itália).

Faça o download do texto completo das cartas
Para assinar a carta aberta, , clique aqui.
Para mais informações sobre o Tratado FAO, clicque aqui.




Apelo à difusão do rosé!

Até agora, o regulamento europeu relativo às práticas enológicas (OCM) proibia a mistura de vinhos brancos e tintos. Agora, com a revisão destes textos a disposição foi eliminada, permitindo misturar vinhos brancos e tintos para obter um vinho de cor rosada. Lembramos que o vinho "rosé" se obtém através da pisa de uvas especialmente habilidosa e rápida. A pele da uva é o que dá a cor ao vinho: quanto menos tempo estiver no sumo, mais o rosé será claro no final da vinificação. Cabe a cada qual portanto, deixar exprimir o seu "savoir-faire" e "terroir", para fazer um vinho "rosé" de qualidade. A autorização de "fabrico", com os vinhos brancos excedentes, dos vinhos que se assemelham aos rosés, mas a custo inferior e em qualquer época do ano, parece uma manobra oportunista: a mistura destes dois vinhos, tinto e branco que, no geral, não se encontram, actualmente, em uma boa situação económica, permite atacar o mercado dos vinhos rosé que, pelo contrário está em crescimento. A venda destes vinhos de mistura, que podem ser confundidos facilmente com os rosé, poderia desestabilizar a economia das regiões tradicionalmente produtoras de vinhos rosé.

Actualmente o tema é vital, e as regiões produtoras de rosé organizaram-se para criar uma frente comum através desta petição, que também podem assinar, para defender o rosé.
 
 



   


 
Depois de ter elaborado os manifestos sobre o futuro da alimentação, das sementes e das alterações climáticas, a comissão internacional para o futuro da alimentação e da agricultura criada em 2003 pelo Presidente da Região Toscana Claudio Martini e de Vandana Shiva - e da qual me orgulho de pertencer – produziu em abril um novo manifesto sobre outro tema muito importante: o futuro dos conhecimentos tradicionais.

Sabemos perfeitamente como os conhecimentos tradicionais e ancestrais das comunidades do alimento estão em sério risco de extinção, tal como a biodiversidade, os ecossistemas e as culturas identitárias com as quais se foram moldando ao longo dos séculos.
A sua importância é fundamental, porque foram há muito relegadas para um âmbito não-cientifico e secundário, quando no entanto nos relatam uma relação harmoniosa com a natureza, de produção de alimentos sustentável, de exploração dos recursos conscientes dos limites, para além de práticas como o uso de energias renováveis ou a reciclagem que, em tempos de crise, são de grande actualidade. É por isso que estou convencido que as comunidades do alimento serão as protagonistas de uma terceira revolução industrial, a de uma produção limpa, e que têm ainda tanto para nos ensinar.

É preciso fazer com que entre estas e a ciência oficial se possa instaurar um diálogo paritário e respeitoso, que obtenham toda a dignidade que merecem e que a sua sobrevivência seja garantida. Ter memória significa também cuidar, é o que as comunidades do alimento nos ensinam: o manifesto sobre o futuro do conhecimento propõe introduzir o novo conceito de soberania do conhecimento, análogo ao da soberania alimentar, segundo o qual as comunidades têm o direito inalienável de praticar, ensinar e evoluir os seus conhecimentos tradicionais, respeitando a própria identidade e cultura, sem que ninguém possa interferir. Também esta é uma fundamental conquista de civilidade que as comunidades do alimento de Terra Madre e a rede do Slow Food poderão orgulhosamente mostrar ao mundo.

Carlo Petrini
Presidente da Slow Food


 
Venha fazer parte de uma

grande comunidade internacional que defende a agricultura, a pesca e a criação sustentável.
Celebre o prazer que os melhores alimentos do mundo proporcionam em toda a sua variedade.
servicecentre
@slowfood.com

 
       


Foto:
Horta escolar em Uganda
 


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Calendário

Terra Madre Tanzania
29 Maio - 30 Maio 2009
Dar Es Salam, Tanzânia

Savoirs et Saveurs de Montagne
13 Junho - 14 Junho 2009
Gap, França

Journées Gastronomiques
Nord Sud

18 Junho - 20 Junho 2009
Libreville, Gabão

Terra Madre Argentina
13 - 16 agosto 2009
Buenos Aires, Argentina


Cheese
18 Set 09 - 21 Set 09
Bra, Itália

Slow Food Nippon
23 Out 09 - 25 Out 09
Yokohmama, Japão

Terra Madre Áustria
28 Out 09 - 29 Out 09
Viena, Áustria

Slow Fisch
6 Nov 09 - 8 Nov 09
Brema, Alemanha

EURO GUSTO & Terra Madre dos Jovens Europeus
27 Nov 09 - 30 Nov 09
Tours, França

Vignerons d'Europe
5 Dez 09 - 8 Dez 09
Firenze, Italia

ALGUSTO – Saber y Sabor
11 Dez 09 - 14 Dez 09
Bilbao, Espanha




 



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Slow Food e Terra Madre
em números


Associados: 100.000
Convivia: 1.000
Países: 150
Fortalezas: 306
Produtos da Arca do Gosto: 813
Mercados da Terra: 9
Hortas Escolares: 300

 


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  12 gestos propostos pelo Slow Food França para comer slow

1. Aproveitem!
Arranjem tempo para saborear e escutar as vossas sensações: esta é a melhor forma de comer bem!

2. Levem as estações para a mesa!
Em cada estação do ano reencontrem o prazer de sabores que não provam há um ano.

3. Pensem global, comam local!
Seleccionem os produtos dos agricultores e criadores próximos das vossas casas: assim reforçarão a economia local e contribuirão para fortalecer os laços entre os habitantes do vosso território.

4. Comam qualquer coisa cultivada por vocês…
…e cultivem alguma coisa que comam. Esta é a melhor forma de entrar em contacto com a natureza.

5. Conheçam pessoalmente agricultores, criadores, artesãos e comerciantes especializados.
Comprem produtos de fileira curta (mercados de produtores, grupos de compras) ou nas próprias lojas dos artesãos (padarias, charcutarias, queijarias) ou no comércio especializado de qualidade.

6. Sejam curiosos!
Na loja, no restaurante, no café, no supermercado, façam perguntas sobre a qualidade dos produtos!

7. Sejam atentos ao escolher os produtos de origem animal.
Quando comem carne, prefiram sempre os animais que comem pasto (vitela, borrego) ou criados em liberdade (suínos, aves)..

8. Façam uma alimentação variada para defender a biodiversidade agrícola.
Provem variedades raras e insólitas de batatas, cereais, frutas e legumes.

9. Comam produtos integrais e ao natural, escolham produtos não transformados.
Os produtos já transformados, prontos a comer, contêm muitos alimentos modificados e gorduras de baixa qualidade nutritiva.

10. Cozinhem!
É a melhor forma de poupar e de saber exactamente o que se come, é um prazer quotidiano que concedeis a vos e a quem vos é próximo.

11. Gastem melhor, gastem menos!
Comer melhor não significa forçosamente gastar mais, não poupem na qualidade!

12. Tornem-se exploradores do gosto!
Eduquem as crianças e os vossos amigos e conhecidos para o verdadeiro prazer de comer.
 


 





 
  Questa newsletterz è realizata dall'ufficio Comunicazione di Slow Food International
 Bess Mucke: b.mucke@slowfood.com -  Michèle Mesmain: m.mesmain@slowfood.com
Per tutte le questioni associative contattate il Centro Servizi: centroservizi@slowfood.it
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