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Fevereiro 2010
Imprima
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Nesta
edição: |
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Projeto do mês
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Projeto
DISC
Em Uganda, combater
a fome através de uma abordagem de educação
alimentar inovadora |
Uganda – Em Uganda, a baixa renda
proveniente da agricultura leva a maioria dos jovens a
buscar outras formas de emprego. Além disto, a
fertilidade do solo é escassa, e muitas áreas
dependem de cultivos rentáveis, como o café.
Isto faz com que a maioria dos produtos destinados ao
consumo diário seja importada da vizinha República
Democrática do Congo, com o consequente aumento
dos custos – muitas vezes inacessíveis à
renda média per capita – e a perda das variedades
locais.
Um projeto do Convivium Slow Food de Mukono envolve hoje
17 escolas e mais de 620 estudantes, com o objetivo de
melhorar a relação dos jovens com a agricultura
e de desenvolver métodos inovadores para garantir
uma soberania alimentar duradoura.
O Projeto DISC (Developing Innovations in School Cultivation)
foi lançado em 2006 por Edward Mukiibi, líder
do Convivium Slow Food de Mukuno, com o objetivo de restabelecer
uma relação entre os jovens e a agricultura,
criando hortas escolares onde cultivar variedades locais
de frutas e verduras com métodos tradicionais que
respeitem o meio ambiente.
Através da experiência no campo e de aulas
tradicionais, os estudantes aprendem a conhecer os produtos
locais, seu sabor e seu uso, aprendendo a escolher os
alimentos bons, limpos e justos. Os produtos da horta
servem para abastecer a cantina escolar, e o excedente
é vendido ao mercado de forma a financiar o projeto.
Em 2010 mais 14 escolas aderirão ao projeto DISC,
contando um total de 31 escolas envolvidas.
Ajude a levar adiante este projeto em 2010: clique
aqui para dar a sua contribuição.
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Palavras chave do
Slow Food
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Mercados
da Terra |
Os Mercados da Terra são
mercados de produtores, criados segundo a filosofia
Slow Food. São administrados pelas comunidades
locais, e se tornaram lugares de encontro sociais, onde
todos os produtores oferecem alimentos saudáveis
e de qualidade, diretamente aos consumidores, a preços
justos e com a garantia de produtos cultivados com métodos
sustentáveis para o meio ambiente. Grande atenção
é dada também à tutela da cultura
gastronômica local e à biodiversidade dos
cultivos e das raças animais.
Para maiores informações:
www.earthmarkets.net
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Da terra à mesa…
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Terra
Madre Brasil
A rede de 50
comunidades do alimento se reúne |
A rede de Terra Madre no Brasil é formada por representantes
de 50 comunidades do alimento e de 11 Universidades, produtores
de 8 Fortalezas, 20 cozinheiros, 15 estudantes ligados
ao Youth Food Movement e 10 artistas populares.
Nascida em 2004, esta rede foi crescendo e se fortalecendo,
graças à importância dos temas promovidos,
às ocasiões de encontro e intercâmbio
que foram se desenvolvendo ao longo dos anos, às
atividades realizadas para preservar o riquíssimo
patrimônio gastronômico do país.
Criou-se assim uma sólida rede de colaboradores
e aliados que permitiu realizar, em 2007, o primeiro encontro
Terra Madre Brasil.
A segunda edição irá acontecer em
Brasília de 19 a 22 de março de 2010, no
espaço cultural FUNARTE. Participarão do
evento 500 delegados, e mais de 200 observadores (representantes
das instituições locais e da sociedade civil,
jornalistas especialistas do setor e profissionais do
mundo da produção agro-alimentar). Uma parte
das atividades previstas pelo programa será aberta
ao público.
Durante os quatro dias do evento, os delegados terão
a oportunidade de participar de workshops temáticos
para abordar e discutir questões de interesse comum.
Ao mesmo tempo, serão realizados laboratórios
de educação do gosto para adultos e crianças,
percursos de análise sensorial, demonstrações
gastronômicas dos cozinheiros da rede, palestras
e seminários sobre qualidade alimentar, produção
sustentável e biodiversidade agrícola.
Na área verde junto à estrutura onde se
realizará o evento, será organizado um Mercado
da Biodiversidade, onde os visitantes poderão descobrir,
saborear e comprar os produtos das comunidades do alimento
e da Arca do Gosto brasileiros, e das Fortalezas do país.
O programa do evento também prevê a realização
de atividades culturais ligadas ao tema do alimento, entre
elas exposições, projeção
de documentários, shows de música, teatro
e dança.
Para
maiores informações.
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Mercados
à Obra
Os Mercados da Terra
em Bolonha e Milão |
Itália – Sábado,
20 de fevereiro, realizou-se uma nova edição
dos dois Mercados da Terra metropolitanos do Slow Food,
na Itália.
Em Bolonha, onde o mercado acontece todos os sábados,
e sempre com muito sucesso, foi proposta a primeira das
três aulas de cozinha: Antonella Bonora, chef e
professora do Master of Food, orientou os participantes
durante as compras no mercado e durante o curso de cozinha,
com a assistência das “rezdore” (as
donas de casa da região, segundo a antiga definição
dialetal). Foi preparado um menu tradicional e ao mesmo
tempo criativo, a base de produtos do mercado, e o momento
mais importante da experiência foi o convívio,
a degustação, para a qual cada participante
levou um comensal.
Em Milão, aconteceu a primeira edição
de 2010 do mercado nos Jardins do Largo Marinai d'Italia.
Foram convidados especiais a Fortaleza do Pannerone de
Lodi e os produtores sicilianos do consórcio Le
Galline Felici – com suas laranjas vermelhas orgânicas
- e das Cooperativas de pescadores do Golfo de Catânia.
O público do Mercado pode também participar
dos Laboratórios do Gosto organizados pelos conviva
da Lombardia, e visitar as Mesas do Convívio, para
uma pausa saborosa com os produtos recém comprados
ou para bater um papo.
Três aulas de cozinha no Mercado da Terra de Bolonha:
sábado 20 e 27 de fevereiro, e sábado 6
de março
Próxima edição do Mercado da Terra
de Milão: 20 de março, 17 de abril
Para maiores informações:
www.mercatidellaterra.it
www.earthmarkets.net
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De
Norte a Sul de um continente
Um intercâmbio
entre os sócios argentinos e canadenses |
Os intercâmbios são um elemento indispensável
para fortalecer a rede Slow Food.
No dia 21 de janeiro passado, os sócios do Convivium
Raiz de Cuyo (San Juan, Cuyo, Argentina) receberam dois
representantes do Convivium Slow Food Abitibi-Témiscamingue
(Val d'Or, Québec, Canadá). Ghislain Trudel,
Líder do Convivium canadense e sua filha Martina,
em visita à Argentina, foram na região de
Cuyo para conhecer uma realidade associativa e produtiva
interessante. Em San Juan encontraram os sócios
locais e com eles visitaram a horta orgânica Anahata,
caminharam ao longo das videiras de Chardonnay e Cabernet
Sauvignon e degustaram os vinhos de Miguel Mas, líder
do Convivium. Os sócios levaram os próprios
produtos para um almoço Convivial: presuntos, queijos,
azeite de oliva, vinagre balsâmico, vinho, pão
feito no forno à lenha, verduras da estação,
uvas e melões recém colhidos. O desejo de
comunicar, de conhecer-se e de trocar informações
sobre os próprios países, conseguiu derrubar
as barreiras linguísticas sem nenhuma dificuldade.
Assim, num idioma universal feito de inglês, espanhol
e francês, tomando um chimarrão, nasceram
novas amizades e reforçou-se um pequeno, mas significativo,
nó da rede mundial de Terra Madre.
"A energia que corre através dos canais de
Terra Madre, permitiu que nos encontrássemos num
lugar de compreensão, onde a língua diferente
e a distância (Québec, Canadá - San
Juan, Argentina) não são um obstáculo"
Miguel Angel Mas,
Slow Food Raiz de Cuyo líder do Convivium
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Slow
Wine
Pequenos viticultores
unidos |
Geórgia –
Participaram do encontro Vignerons d'Europe em dezembro
passado na Toscana, dois produtores da Fortaleza do vinho
georgiano em ânfora, um vinho natural produzido
numa das mais antigas regiões vinícolas
da Europa. A técnica de fermentação
e amadurecimento do vinho em recipientes de barro enterrados
corre o risco de desaparecer, num mercado que privilegia
a produção em larga escala e as tecnologias
modernas.
Os georgianos se uniram aos mais de 600 pequenos produtores
de vinho vindos de toda a Europa para esta segunda edição
de Vignerons d’Europe. O evento ofereceu uma oportunidade
para discutir como renovar a qualidade dos vinhos do continente,
para identificar as atuais ameaças à profissão
do viticultor, e a busca de possíveis soluções
“Eu tinha medo de encontrar aqui (na Itália),
numa região tão cheia de tradições
vinícolas, uma situação muito diferente
da que temos na Geórgia”, explicou Solomon
Tsaishvili, um produtor da região de Kakheti. “Mas
depois de uma semana em contato com os outros viticultores,
me dei conta de que os pequenos produtores têm os
mesmos problemas e as mesmas esperanças, sejam
eles italianos, georgianos, ou de qualquer outro país”.
Terminado o evento, os produtores georgianos foram recebidos
pelos viticultores toscanos e pelos Convivia Slow Food
da região. Um encontro com a associação
Cammino Autoctuve, que promove os vinhos tradicionais
da Maremma (região no sul da Toscana) e da Ilha
da Elba, levaram à criação de um
novo “irmanamento” entre os viticultores das
duas regiões, com um seminário de um enólogo
italiano na Geórgia já agendado para o ano
que vem.
Clique aqui para ler o Manifesto
europeu para uma viticultura e uma vinificação
sustentáveis redigido durante o evento
Vignerons d’Europe.
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O
dia das avós
Slow Food Irlanda
celebra os saberes perdidos |
Internacional –
O segundo dia anual das avós será celebrada
no dia 25 de abril para lembrar e reunir os saberes perdidos
e as preciosas técnicas culinárias herdadas
das gerações passadas. Lançada por
ocasião da reunião de Terra Madre no mês
de outubro de 2008, o dia das avós quer ser uma
ocasião para lembrar e transmitir os saberes práticos
e as habilidades das comunidades e das famílias,
como o cultivo da horta, a preparação de
um prato, a conservação de um produto de
estação, ou compartilhar histórias.
Os Convivia irlandeses estão organizando mais uma
vez inúmeras atividades no país todo, e
estenderam o convite a Convivia, comunidades, avôs
e netos do mundo inteiro. No ano passado, Slow Food Irlanda
celebrou o dia com uma série de eventos entre os
quais a preparação, em público, de
receitas tradicionais, um concurso de arte cujo tema foi
“cozinhando com a vovó”, um concurso
para descobrir as receitas favoritas de avós e
netos para cozinhar junto a publicação de
receitas tradicionais de família nos jornais locais
e muito mais.
Para maiores informações:
www.slowfoodireland.com
Sarah Fleming
s.fleming@slowfood.com
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Comida
verdadeira e chocolate justo
As iniciativas
Slow Food USA para favorecer, no país, a
adesão às campanhas nacionais |
USA - Slow Food USA
está levando adiante a campanha Time for Lunch
(lançada no outono passado) para estimular a população
a manifestar para que o Congresso considere seriamente
as causas da obesidade e dos problemas de saúde
nas crianças quando atualizar o Child Nutrition
Act. “Obesidade e diabete custam 263 bilhões
de dólares por ano para o país, mais da
metade paga pelos contribuintes. Contudo, as verbas destinadas
às cantinas escolares são tão limitadas
que a maioria das escolas pode utilizar apenas comidas
baratas que só agravam obesidade e diabete. Investir
em alimentos mais saudáveis é o que deve
ser feito para as nossas crianças e para a nossa
economia”, declarou Josh Veirtel, presidente do
Slow Food Usa.
Slow Food USA pede aos cidadãos que se juntem à
campanha Time for Lunch, exigindo que o Congresso invista
no mínimo um bilhão em verbas adicionais
destinadas ao Child Nutrition Act, melhorando os padrões
nutricionais e ajudando as escolas a implementar programas
de abastecimento direto dos produtores. O objetivo é
chegar a enviar 100.000 cartas. Até o momento,
40.000 pessoas já assinaram uma carta ou uma petição
em prol da campanha.
Visite o website
da campanha para saber mais ou para enviar
um email ao legislador.
Durante o mês de fevereiro, a rede American Slow
Food on Campus colaborou com United Students for Fair
Trade (USFT) para ajudar os Convivia de 33 campus em todo
o país a organizar, no dia de São Valentim,
uma série de eventos em favor do comércio
justo.
Para saber mais sobre Slow Food on Campus
clique
aqui
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Vozes
do Terra Madre
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Dharti
Ma No Diwas
O papel das
mulheres para manter as comunidades em contato
com as próprias tradições
e com a natureza foi celebrado por ocasião
do Terra Madre Day, quando 250 mulheres se reuniram
na aldeia de Manipur, na Índia, para agradecer
à mãe terra e reconhecer o valor
de seu trabalho. A cerimônia começou
com uma oração coletiva das participantes,
seguida de canções, exposições
e apresentações de receitas tradicionais.
As mulheres, sobretudo as camponesas e as produtoras
das áreas rurais, relataram as próprias
experiências, cozinharam e compartilharam
pratos tradicionais, e no final da comemoração,
cantaram e dançaram todas juntas. A organizadora,
Namrata Bali nos explica.. |
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Índia
– “Foi nosso desejo realizar
esse projeto, pois temos a firme convicção
de que a mulher mantém uma ligação
muito forte com a natureza, com a agricultura
e com as tradições. As mulheres
são mães das nossas crianças,
mas o seu trabalho e a sua contribuição
para a nossa sociedade não são
reconhecidos. As mães guardam as
tradições, que transmitem
às próprias filhas que,
por sua vez, as transmitem às suas
filhas, e assim por diante. As mulheres
estão em contato com a natureza.
Aqui, são as mulheres que trabalham
do nascer ao pôr do sol, buscando
água, cuidando das fazendas e alimentando
as nossas comunidades. Foi por isso que
quisemos que a contribuição
das mulheres fosse reconhecida.
Foi muito importante, para nós,
organizar este evento, para documentar
algumas das nossas tradições
gastronômicas e das nossas receitas
que correm o risco de serem esquecidas
por nossos filhos. O “junk food”,
hoje, está cada vez mais presente,
alcançando também as áreas
rurais, e não queremos que isto
aconteça. Foram as mulheres que
se empenharam para a realização
deste evento, pois não querem perder
as próprias tradições.
A maioria das mulheres que participaram
do nosso encontro para o Terra Madre Day,
eram camponesas, algumas eram trabalhadoras
vindas da cidade, mas todas elas tinham
em comum a nossa tradição
culinária. Éramos um grupo
misto, que teria sido dividido por casta
e religião, mas durante esse dia,
éramos todas iguais. ...
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Namrata
Bali
SEWA Academy
sewaacdy@youtele.com
Clique
aqui para a galeria fotográfica
do evento.
Clique
aqui para ler as 200 histórias
recebidas após o Terra Madre Day,
ocorrido no dia 10 de dezembro e que foi
organizado pela rede internacional do Slow
Food para celebrar o alimento local. As
histórias foram traduzidas em oito
idiomas, acompanhadas de muitas fotos bonitas.
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Tradições
alimentares
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No
teto do mundo
Apresentar
os alimentos tradicionais às crianças
em Portugal |
Portugal –
A tiborna, iguaria tradicional feita com pão
regado com azeite de oliva e polvilhado com açúcar
ou mel, está novamente sendo difundida em Évora,
graças ao trabalho de redescoberta de comidas
tradicionais do Slow Food local, de modo especial através
do projeto de educação do gosto Slow Food
na cantina.
Além de empenhar-se para aumentar o consumo de
produtos locais e saudáveis, o projeto visa reintroduzir
alimentos tradicionais, perdidos ou esquecidos, nas
cantinas escolares, a partir da tiborna. O projeto,
lançado na freguesia rural de Canaviais, envolverá
crianças e idosos, incluindo visitas de estudantes
às cozinhas dos chefs, seminários sobre
a produção local de alimentos como o azeite
de oliva e o pão. “A melhor forma de mudar
a dieta nas famílias, é através
das crianças”, declara Victor Lamberto,
responsável do Convivium Slow Food Alentejo.
“Sermos inovadores pode também implicar
um resgate do passado. Queremos que os miúdos
voltem a comer aquilo que os seus antepassados comiam
e que tenham orgulho”.
Slow Food na cantina é um projeto para as escolas
européias lançado em 2009 como parte da
campanha Slow Food para levar um alimento bom, limpo
e justo nas cantinas públicas.
Victor S. Lamberto
vlamberto@gmail.com
Slow Food Alentejo
Para maiores informações sobre
o Slow Food na cantina:
Sarah Fleming : s.fleming@slowfood.com
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Slow
Food na cantina
Mais de 60
variedades de amoreira crescem na região
montanhosa do Pamir, no Tajiquistão |
Tajiquistão
– No território dos vales do Pamir, na
província de Gorno-Badakhshan, o papel da amoreira
é tão importante na dieta local, que as
variedades da fruta presentes na região chegam
a ser mais de 60. Vinda da China através do Caminho
da Seda, adaptou-se rapidamente ao difícil ambiente
montanhoso, cujas poucas aldeias se encontram em vales
íngremes, com poucas terras cultiváveis.
As 60 variedades de amoras da região do Pamir
são o resultado de séculos de seleção
e adaptação, e são geralmente consumidas
frescas ou utilizadas para preparar geleias, xaropes
e pikht, uma farinha de amora que é misturada
com farinhas de outras sementes e cereais. Devido à
inacessibilidade destes locais, nos vales do Pamir fala-se
ainda um grande número de dialetos locais e os
subprodutos da amoreira têm nomes diferentes conforme
a região.
Na cultura local, a árvore e o fruto da amoreira
são associados à beleza: as amoras são
tradicionalmente oferecidas aos casais para tornar a
sua vida mais doce, e antes de construir uma casa, sempre
se planta uma amoreira. Em épocas de crise, como
durante a segunda guerra mundial ou durante a guerra
civil que assolou o país até 1997, a amoreira
foi importantíssima como fonte principal de alimentação.
A partir de 2004, a comunidade dos produtores de amora
de Khorog faz parte da rede de Terra Madre, atualmente
contando com 23 produtores, que há pouco criaram
uma Fortaleza.
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Palavras
férteis
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Atum
Slow
A Europa rumo
à proibição do comércio
de atum vermelho |
Espanha –
No começo de fevereiro, Slow Food Espanha juntou-se
a inúmeras outras organizações
para pedir que governo espanhol tomasse medidas urgentes
para salvar o atum vermelho, já próximo
à extinção. No ano passado, a espécie
foi candidata a fazer parte do CITES (Convenção
sobre o Comércio Internacional de Espécies
da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção),
que proibiria seu comércio a partir de 2011 –
tarde demais, segundo muitos. A França já
anunciou seu apoio à proposta de proibição
e muitos dos 27 países da União Europeia
estão dando sinais positivos neste sentido. Em
todo caso, a Espanha, que atualmente está na
presidência da União Europeia e que apresentará
a posição da União na reunião
da CITES em março, ainda não declarou
o próprio apoio.
Slow Food Espanha também defendeu o trabalho
das comunidades de pescadores artesanais como as almadrabas
(pequenas comunidades voltadas à pesca tradicional
do atum), onde a pesca tem sido praticada de forma sustentável
ao longo dos séculos, e enfatizou que estes pescadores
são os primeiros a sofrer os efeitos negativos
da sobre-exploração pesqueira.
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França – Um número
cada vez maior de chefs e restaurateurs está
desde já abolindo espontaneamente o atum vermelho,
sem esperar a implementação de eventuais
leis. O mais recente deles foi o grupo Relais &
Chateaux, que eliminou dos menus de seus 475 restaurantes
as espécies ameaçadas de extinção.
“O problema dos recursos ictícos é
extremamente urgente, e devemos fazer com que as pessoas
se dêem conta o quanto antes”, frisou Olivier
Roellinger, chef e vice-presidente da cadeia internacional
de restaurantes e hotéis de luxo. “A idéia
é que se todos os chefs do mundo unirem suas
forças, podemos realmente fazer a diferença.”
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Introduzir
o imposto sobre o Junk Food
A Romênia
considera um imposto para combater a obesidade
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A Romênia poderia ser o primeiro
país a introduzir um imposto sobre o junk food,
já a partir de março deste ano, na tentativa
de reduzir a incidência da obesidade e de aumentar
os recursos de um sistema de saúde em crise.
Um a cada quatro romenos é obeso e o sistema
de saúde nacional sofre de uma falta crônica
de recursos. Se aprovado, o imposto seria aplicado aos
produtores de alimentos fast food, alguns lanches prontos,
batatinhas, doces e bebidas e estima-se que levaria
para os cofres do Estado aproximadamente um bilhão
de euros. Em outros países, como a França
e a Austrália por exemplo, foi levada em consideração
a adoção de medidas similares, embora
não tenham sido aprovadas devido à preocupação
com os aumentos de preços para os consumidores
e à dificuldade de chegar a uma formulação
comum.
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Livros
e filmes
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Terra
Madre
A publicação
da edição inglesa |
Em Terra Madre, o presidente do
Slow Food Carlo Petrini explica por que razão,
em escala global, não estamos comendo alimentos.
São os alimentos que estão nos comendo.
Inspirada pela rede de comunidades do alimento Terra
Madre, a solução de Petrini para o problema
da agricultura industrial em larga escala, se baseia
em milhares de novas alianças em nível
local entre produtores e consumidores. Petrini propõe
ampliar estas alianças, ligando as comunidades
do alimento das regiões do mundo inteiro entre
si, para promover o alimento bom, limpo e justo. O objetivo
final é um mundo em que as comunidades têm
direito a decidir não apenas o que cultivar e
comer, mas também de que forma produzir e distribuir
o alimento.
A edição inglesa do último livro
de Petrini foi publicada em meados de fevereiro:
Terra Madre: Forging a New Global Network of
Sustainable Food Communities, Carlo Petrini,
Chelsea Green, 2009
Clique
aqui para maiores informações.
A edição italiana foi publicada no final
do ano passado:
Terra Madre: Come non farci mangiare dal cibo,
Carlo Petrini, Giunti, 2009
Clique
aqui para maiores informações:
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The
food wars
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Através deste livro, Walden
Bello, eminente escritor e ativista do Sul Global, nos
oferece uma análise crítica das várias
causas da crise alimentar global. Traçando um
novo caminho rumo ao princípio de soberania alimentar,
Bello declara que é preciso permitir que o mundo
em desenvolvimento proteja e mantenha uma gama diferenciada
de cultivos.
The Food Wars, Walden Bello, Verso,
2009.
Para maiores informações,
clique
aqui
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Il
canto dell'ultima cena
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Em Il canto dell’ultima
cena, Ovadia e Di Santo analisam a ética da gastronomia
judaica e a complexa relação entre alimento
e cultura. É a história de gerações
de emigrantes no Mediterrâneo, que têm uma
ligação forte com suas receitas e com
a ideia de um alimento ‘puro’ (kosher),
mas também abertos a enriquecer a sua cozinha,
introduzindo elementos da cozinha de suas novas pátrias.
Il canto dell’ultima cena, Moni
Ovadia e Gianni Di Santo, Einaudi, 2010.
Para maiores informações, clique
aqui.
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O
Pornô Verde de Isabella Rossellini
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Com uma abordagem excêntrica
para uma campanha séria, esta série de
curtas de Isabella Rossellini sobre a crise da pesca
e sobre os hábitos reprodutivos dos animais marinhos,
muito elogiada pela crítica, é cientificamente
muito bem feita, mas ao mesmo tempo extremamente divertida.
Clique aqui para assistir
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É Boa Sr, uma senhora de 85 anos, segundo
os jornais do começo de fevereiro de 2010,
faleceu. Era o último ser humano que falava
o idioma “bo”, um dos dez idiomas
conhecidos nas ilhas de Andaman e Nicobar, no
Golfo de Bengala, não muito distantes da
Birmânia. Com ela desaparece para sempre
uma forma de expressão.
Esta “extinção cultural”
não é um fenômeno raro: segundo
os lingüistas existem aproximadamente 7.000
idiomas no mundo, 5.900 dos quais falados apenas
por 3% da população do planeta.
Idiomas em risco de extinção, que
poderiam nos dizer muito sobre quem é o
homem, qual a sua relação com o
meio ambiente, sobre a sua cultura e evolução.
Estamos assistindo a uma perda de diversidade,
quem sabe comparável à da biodiversidade,
que Slow Food e Terra Madre vêm combatendo
há muito tempo. Estes idiomas em risco
estão, de fato, ligados intimamente às
sociedades rurais, tribais e camponesas que representam
a alma e o corpo de Terra Madre.
Sendo Terra Madre a casa da diversidade, da afirmação
identitária, da troca e da abertura, de
uma agricultura e uma gastronomia boas, limpas
e justas, não pode então ficar indiferente
ao fenômeno da erosão do patrimônio
lingüístico.
É o lugar ideal para intervir ou, pelo
menos, para levantar o problema, coloca-lo na
agenda, discutindo e buscando soluções.
Por isto posso antecipar que o tema das línguas
será uma das grandes novidades da próxima
edição de Terra Madre, de 21 a 25
de outubro de 2010.
Novidade em grande estilo, a partir da cerimônia
de inauguração, na sessão
plenária. A organização do
evento encontra-se ainda numa fase embrionária,
mas a idéia é deixar a abertura
de Terra Madre 2010 nas mãos dos povos
indígenas. Os políticos, os grandes
pensadores, os intelectuais deixarão de
intervir; alguns representantes de povos que se
expressam com linguagens menos internacionais,
mas em muitos casos não por isso menos
usados (se pensarmos em termos de número
de “falantes”) serão os protagonistas.
Será a sua forma, a nossa forma de chamar
a atenção sobre o fato de que as
línguas são muitas, diferenciadas,
expressões de uma diversidade preciosa,
associada à biodiversidade, aos saberes
que defendemos, às formas mais sustentáveis
de viver o mundo.
Carlo Petrini
Presidente do Slow Food
Internazionale
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O Slow Food está
trabalhando para ajudar comunidades ao redor do
mundo a reconstruir os seus sistemas locais de produção
para que possam se alimentar melhor, proteger o
meio ambiente e manter a própria diversidade
cultural. Ajude-nos
a concretizar as soluções.
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| Venha
fazer parte de uma |
grande
comunidade internacional que defende a agricultura,
a pesca e a criação sustentável.
Celebre o prazer que os melhores alimentos do
mundo proporcionam em toda a sua variedade.
servicecentre
@slowfood.com
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Calendário
Terra
Madre Brasil
Brasília, Brasil
19 - 22 de março de 2010
Markt
Des Guten Geschmacks
Stuttgart, Alemanha
15 - 18 de abril de 2010
Dia
da avó
Internacional
25 de abril de 2010
Burren
Slow Food Festival
Irlanda
21 - 23 de maio de 2010
Terra Madre Argentina
Buenos Aires
8-11 Julho de 2010
Terra Madre Balcãs
Sofia, Bulgária
Julho de 2010
Salone del Gusto
Turim, Itália
21 - 25 de outubro de 2010
Terra Madre
Turim, Itália
21 - 24 de outubro de 2010
Terra
Madre Day
Internacional
Dezembro de 2010 |
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Slow Food e Terra
Madre
em números
Associados: 100.000
Convivia: 1.300
Países: 150
Fortalezas: 314
Produtos da Arca do Gosto: 903
Mercados da Terra: 10
Hortas Escolares: 300
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