Arquivo e versões em outras línguas
Se não conseguir visualizar correctamente esta newsletter, clique aqui
 

Fevereiro 2010

Imprima
Nesta edição:
 

Editorial de Carlo Petrini

Projeto do Mês
Projeto DISC

Em Uganda, combater a fome através de uma abordagem de educação alimentar inovadora

Palavras chave do Slow Food

Mercados da Terra

Da terra à mesa
Terra Madre Brasil
A rede de 50 comunidades do alimento se reúne

Mercados à Obra
Os Mercados da Terra em Bolonha e Milão

De Norte a Sul de um continente
Um intercâmbio entre os sócios argentinos e canadenses

Slow Wine
Pequenos viticultores unidos

O dia das avós

Slow Food Irlanda celebra os saberes perdidos

Comida verdadeira e chocolate justo
As iniciativas Slow Food USA para favorecer, no país, a adesão às campanhas nacionais

Vozes de Terra Madre
Dharti Ma No Diwas
250 mulheres reuniram-se em Manipur, na Índia, em ocasião do Terra Madre Day

Tradições alimentares
No teto do mundo
Mais de 60 variedades de amoreira crescem na região montanhosa do Pamir, no Tajiquistão

Slow Food na cantina
Apresentar os alimentos tradicionais às crianças em Portugal

Palavras férteis
Atum Slow
A Europa rumo à proibição do comércio de atum vermelho

Introduzir o imposto sobre o Junk Food
A Romênia considera um imposto para combater a obesidade

Livros e Filmes
Terra Madre
A publicação da edição inglesa

The food wars

Il canto dell'ultima cena

O Pornô Verde de Isabella Rossellini

Calendário

 

   


Projeto do mês
 

Projeto DISC
Em Uganda, combater a fome através de uma abordagem de educação alimentar inovadora

Uganda – Em Uganda, a baixa renda proveniente da agricultura leva a maioria dos jovens a buscar outras formas de emprego. Além disto, a fertilidade do solo é escassa, e muitas áreas dependem de cultivos rentáveis, como o café. Isto faz com que a maioria dos produtos destinados ao consumo diário seja importada da vizinha República Democrática do Congo, com o consequente aumento dos custos – muitas vezes inacessíveis à renda média per capita – e a perda das variedades locais.
Um projeto do Convivium Slow Food de Mukono envolve hoje 17 escolas e mais de 620 estudantes, com o objetivo de melhorar a relação dos jovens com a agricultura e de desenvolver métodos inovadores para garantir uma soberania alimentar duradoura.
O Projeto DISC (Developing Innovations in School Cultivation) foi lançado em 2006 por Edward Mukiibi, líder do Convivium Slow Food de Mukuno, com o objetivo de restabelecer uma relação entre os jovens e a agricultura, criando hortas escolares onde cultivar variedades locais de frutas e verduras com métodos tradicionais que respeitem o meio ambiente.
Através da experiência no campo e de aulas tradicionais, os estudantes aprendem a conhecer os produtos locais, seu sabor e seu uso, aprendendo a escolher os alimentos bons, limpos e justos. Os produtos da horta servem para abastecer a cantina escolar, e o excedente é vendido ao mercado de forma a financiar o projeto.
Em 2010 mais 14 escolas aderirão ao projeto DISC, contando um total de 31 escolas envolvidas.

Ajude a levar adiante este projeto em 2010: clique aqui para dar a sua contribuição.

< Voltar ao indice >


Palavras chave do Slow Food
 

Mercados da Terra

Os Mercados da Terra são mercados de produtores, criados segundo a filosofia Slow Food. São administrados pelas comunidades locais, e se tornaram lugares de encontro sociais, onde todos os produtores oferecem alimentos saudáveis e de qualidade, diretamente aos consumidores, a preços justos e com a garantia de produtos cultivados com métodos sustentáveis para o meio ambiente. Grande atenção é dada também à tutela da cultura gastronômica local e à biodiversidade dos cultivos e das raças animais.

Para maiores informações: www.earthmarkets.net

< Voltar ao indice >

Da terra à mesa…
 

Terra Madre Brasil
A rede de 50 comunidades do alimento se reúne

A rede de Terra Madre no Brasil é formada por representantes de 50 comunidades do alimento e de 11 Universidades, produtores de 8 Fortalezas, 20 cozinheiros, 15 estudantes ligados ao Youth Food Movement e 10 artistas populares.
Nascida em 2004, esta rede foi crescendo e se fortalecendo, graças à importância dos temas promovidos, às ocasiões de encontro e intercâmbio que foram se desenvolvendo ao longo dos anos, às atividades realizadas para preservar o riquíssimo patrimônio gastronômico do país.
Criou-se assim uma sólida rede de colaboradores e aliados que permitiu realizar, em 2007, o primeiro encontro Terra Madre Brasil.
A segunda edição irá acontecer em Brasília de 19 a 22 de março de 2010, no espaço cultural FUNARTE. Participarão do evento 500 delegados, e mais de 200 observadores (representantes das instituições locais e da sociedade civil, jornalistas especialistas do setor e profissionais do mundo da produção agro-alimentar). Uma parte das atividades previstas pelo programa será aberta ao público.
Durante os quatro dias do evento, os delegados terão a oportunidade de participar de workshops temáticos para abordar e discutir questões de interesse comum. Ao mesmo tempo, serão realizados laboratórios de educação do gosto para adultos e crianças, percursos de análise sensorial, demonstrações gastronômicas dos cozinheiros da rede, palestras e seminários sobre qualidade alimentar, produção sustentável e biodiversidade agrícola.
Na área verde junto à estrutura onde se realizará o evento, será organizado um Mercado da Biodiversidade, onde os visitantes poderão descobrir, saborear e comprar os produtos das comunidades do alimento e da Arca do Gosto brasileiros, e das Fortalezas do país.
O programa do evento também prevê a realização de atividades culturais ligadas ao tema do alimento, entre elas exposições, projeção de documentários, shows de música, teatro e dança.

Para maiores informações.

  < Voltar ao indice >


Mercados à Obra
Os Mercados da Terra em Bolonha e Milão

Itália – Sábado, 20 de fevereiro, realizou-se uma nova edição dos dois Mercados da Terra metropolitanos do Slow Food, na Itália.
Em Bolonha, onde o mercado acontece todos os sábados, e sempre com muito sucesso, foi proposta a primeira das três aulas de cozinha: Antonella Bonora, chef e professora do Master of Food, orientou os participantes durante as compras no mercado e durante o curso de cozinha, com a assistência das “rezdore” (as donas de casa da região, segundo a antiga definição dialetal). Foi preparado um menu tradicional e ao mesmo tempo criativo, a base de produtos do mercado, e o momento mais importante da experiência foi o convívio, a degustação, para a qual cada participante levou um comensal.
Em Milão, aconteceu a primeira edição de 2010 do mercado nos Jardins do Largo Marinai d'Italia. Foram convidados especiais a Fortaleza do Pannerone de Lodi e os produtores sicilianos do consórcio Le Galline Felici – com suas laranjas vermelhas orgânicas - e das Cooperativas de pescadores do Golfo de Catânia. O público do Mercado pode também participar dos Laboratórios do Gosto organizados pelos conviva da Lombardia, e visitar as Mesas do Convívio, para uma pausa saborosa com os produtos recém comprados ou para bater um papo.
Três aulas de cozinha no Mercado da Terra de Bolonha: sábado 20 e 27 de fevereiro, e sábado 6 de março
Próxima edição do Mercado da Terra de Milão: 20 de março, 17 de abril

Para maiores informações:
www.mercatidellaterra.it
www.earthmarkets.net

< Voltar ao indice >


De Norte a Sul de um continente
Um intercâmbio entre os sócios argentinos e canadenses

Os intercâmbios são um elemento indispensável para fortalecer a rede Slow Food.
No dia 21 de janeiro passado, os sócios do Convivium Raiz de Cuyo (San Juan, Cuyo, Argentina) receberam dois representantes do Convivium Slow Food Abitibi-Témiscamingue (Val d'Or, Québec, Canadá). Ghislain Trudel, Líder do Convivium canadense e sua filha Martina, em visita à Argentina, foram na região de Cuyo para conhecer uma realidade associativa e produtiva interessante. Em San Juan encontraram os sócios locais e com eles visitaram a horta orgânica Anahata, caminharam ao longo das videiras de Chardonnay e Cabernet Sauvignon e degustaram os vinhos de Miguel Mas, líder do Convivium. Os sócios levaram os próprios produtos para um almoço Convivial: presuntos, queijos, azeite de oliva, vinagre balsâmico, vinho, pão feito no forno à lenha, verduras da estação, uvas e melões recém colhidos. O desejo de comunicar, de conhecer-se e de trocar informações sobre os próprios países, conseguiu derrubar as barreiras linguísticas sem nenhuma dificuldade. Assim, num idioma universal feito de inglês, espanhol e francês, tomando um chimarrão, nasceram novas amizades e reforçou-se um pequeno, mas significativo, nó da rede mundial de Terra Madre.
"A energia que corre através dos canais de Terra Madre, permitiu que nos encontrássemos num lugar de compreensão, onde a língua diferente e a distância (Québec, Canadá - San Juan, Argentina) não são um obstáculo"

Miguel Angel Mas,
Slow Food Raiz de Cuyo líder do Convivium


< Voltar ao indice >


Slow Wine
Pequenos viticultores unidos

Geórgia – Participaram do encontro Vignerons d'Europe em dezembro passado na Toscana, dois produtores da Fortaleza do vinho georgiano em ânfora, um vinho natural produzido numa das mais antigas regiões vinícolas da Europa. A técnica de fermentação e amadurecimento do vinho em recipientes de barro enterrados corre o risco de desaparecer, num mercado que privilegia a produção em larga escala e as tecnologias modernas.
Os georgianos se uniram aos mais de 600 pequenos produtores de vinho vindos de toda a Europa para esta segunda edição de Vignerons d’Europe. O evento ofereceu uma oportunidade para discutir como renovar a qualidade dos vinhos do continente, para identificar as atuais ameaças à profissão do viticultor, e a busca de possíveis soluções “Eu tinha medo de encontrar aqui (na Itália), numa região tão cheia de tradições vinícolas, uma situação muito diferente da que temos na Geórgia”, explicou Solomon Tsaishvili, um produtor da região de Kakheti. “Mas depois de uma semana em contato com os outros viticultores, me dei conta de que os pequenos produtores têm os mesmos problemas e as mesmas esperanças, sejam eles italianos, georgianos, ou de qualquer outro país”.
Terminado o evento, os produtores georgianos foram recebidos pelos viticultores toscanos e pelos Convivia Slow Food da região. Um encontro com a associação Cammino Autoctuve, que promove os vinhos tradicionais da Maremma (região no sul da Toscana) e da Ilha da Elba, levaram à criação de um novo “irmanamento” entre os viticultores das duas regiões, com um seminário de um enólogo italiano na Geórgia já agendado para o ano que vem.

Clique aqui para ler o Manifesto europeu para uma viticultura e uma vinificação sustentáveis redigido durante o evento Vignerons d’Europe.

< Voltar ao indice >  


O dia das avós
Slow Food Irlanda celebra os saberes perdidos

Internacional – O segundo dia anual das avós será celebrada no dia 25 de abril para lembrar e reunir os saberes perdidos e as preciosas técnicas culinárias herdadas das gerações passadas. Lançada por ocasião da reunião de Terra Madre no mês de outubro de 2008, o dia das avós quer ser uma ocasião para lembrar e transmitir os saberes práticos e as habilidades das comunidades e das famílias, como o cultivo da horta, a preparação de um prato, a conservação de um produto de estação, ou compartilhar histórias. Os Convivia irlandeses estão organizando mais uma vez inúmeras atividades no país todo, e estenderam o convite a Convivia, comunidades, avôs e netos do mundo inteiro. No ano passado, Slow Food Irlanda celebrou o dia com uma série de eventos entre os quais a preparação, em público, de receitas tradicionais, um concurso de arte cujo tema foi “cozinhando com a vovó”, um concurso para descobrir as receitas favoritas de avós e netos para cozinhar junto a publicação de receitas tradicionais de família nos jornais locais e muito mais.

Para maiores informações:
www.slowfoodireland.com
Sarah Fleming
s.fleming@slowfood.com

< Voltar ao indice >  


Comida verdadeira e chocolate justo
As iniciativas Slow Food USA para favorecer, no país, a adesão às campanhas nacionais

USA - Slow Food USA está levando adiante a campanha Time for Lunch (lançada no outono passado) para estimular a população a manifestar para que o Congresso considere seriamente as causas da obesidade e dos problemas de saúde nas crianças quando atualizar o Child Nutrition Act. “Obesidade e diabete custam 263 bilhões de dólares por ano para o país, mais da metade paga pelos contribuintes. Contudo, as verbas destinadas às cantinas escolares são tão limitadas que a maioria das escolas pode utilizar apenas comidas baratas que só agravam obesidade e diabete. Investir em alimentos mais saudáveis é o que deve ser feito para as nossas crianças e para a nossa economia”, declarou Josh Veirtel, presidente do Slow Food Usa.
Slow Food USA pede aos cidadãos que se juntem à campanha Time for Lunch, exigindo que o Congresso invista no mínimo um bilhão em verbas adicionais destinadas ao Child Nutrition Act, melhorando os padrões nutricionais e ajudando as escolas a implementar programas de abastecimento direto dos produtores. O objetivo é chegar a enviar 100.000 cartas. Até o momento, 40.000 pessoas já assinaram uma carta ou uma petição em prol da campanha.

Visite o website da campanha para saber mais ou para enviar um email ao legislador.

Durante o mês de fevereiro, a rede American Slow Food on Campus colaborou com United Students for Fair Trade (USFT) para ajudar os Convivia de 33 campus em todo o país a organizar, no dia de São Valentim, uma série de eventos em favor do comércio justo.

Para saber mais sobre Slow Food on Campus clique aqui

< Voltar ao indice >  


Vozes do Terra Madre

Dharti Ma No Diwas
O papel das mulheres para manter as comunidades em contato com as próprias tradições e com a natureza foi celebrado por ocasião do Terra Madre Day, quando 250 mulheres se reuniram na aldeia de Manipur, na Índia, para agradecer à mãe terra e reconhecer o valor de seu trabalho. A cerimônia começou com uma oração coletiva das participantes, seguida de canções, exposições e apresentações de receitas tradicionais. As mulheres, sobretudo as camponesas e as produtoras das áreas rurais, relataram as próprias experiências, cozinharam e compartilharam pratos tradicionais, e no final da comemoração, cantaram e dançaram todas juntas. A organizadora, Namrata Bali nos explica..

 

Índia – “Foi nosso desejo realizar esse projeto, pois temos a firme convicção de que a mulher mantém uma ligação muito forte com a natureza, com a agricultura e com as tradições. As mulheres são mães das nossas crianças, mas o seu trabalho e a sua contribuição para a nossa sociedade não são reconhecidos. As mães guardam as tradições, que transmitem às próprias filhas que, por sua vez, as transmitem às suas filhas, e assim por diante. As mulheres estão em contato com a natureza. Aqui, são as mulheres que trabalham do nascer ao pôr do sol, buscando água, cuidando das fazendas e alimentando as nossas comunidades. Foi por isso que quisemos que a contribuição das mulheres fosse reconhecida.
Foi muito importante, para nós, organizar este evento, para documentar algumas das nossas tradições gastronômicas e das nossas receitas que correm o risco de serem esquecidas por nossos filhos. O “junk food”, hoje, está cada vez mais presente, alcançando também as áreas rurais, e não queremos que isto aconteça. Foram as mulheres que se empenharam para a realização deste evento, pois não querem perder as próprias tradições.
A maioria das mulheres que participaram do nosso encontro para o Terra Madre Day, eram camponesas, algumas eram trabalhadoras vindas da cidade, mas todas elas tinham em comum a nossa tradição culinária. Éramos um grupo misto, que teria sido dividido por casta e religião, mas durante esse dia, éramos todas iguais. ...

 
     
  Namrata Bali
SEWA Academy
sewaacdy@youtele.com

Clique aqui para a galeria fotográfica do evento.
Clique aqui para ler as 200 histórias recebidas após o Terra Madre Day, ocorrido no dia 10 de dezembro e que foi organizado pela rede internacional do Slow Food para celebrar o alimento local. As histórias foram traduzidas em oito idiomas, acompanhadas de muitas fotos bonitas.
 

< Voltar ao indice >


Tradições alimentares

No teto do mundo
Apresentar os alimentos tradicionais às crianças em Portugal

Portugal – A tiborna, iguaria tradicional feita com pão regado com azeite de oliva e polvilhado com açúcar ou mel, está novamente sendo difundida em Évora, graças ao trabalho de redescoberta de comidas tradicionais do Slow Food local, de modo especial através do projeto de educação do gosto Slow Food na cantina.
Além de empenhar-se para aumentar o consumo de produtos locais e saudáveis, o projeto visa reintroduzir alimentos tradicionais, perdidos ou esquecidos, nas cantinas escolares, a partir da tiborna. O projeto, lançado na freguesia rural de Canaviais, envolverá crianças e idosos, incluindo visitas de estudantes às cozinhas dos chefs, seminários sobre a produção local de alimentos como o azeite de oliva e o pão. “A melhor forma de mudar a dieta nas famílias, é através das crianças”, declara Victor Lamberto, responsável do Convivium Slow Food Alentejo. “Sermos inovadores pode também implicar um resgate do passado. Queremos que os miúdos voltem a comer aquilo que os seus antepassados comiam e que tenham orgulho”.
Slow Food na cantina é um projeto para as escolas européias lançado em 2009 como parte da campanha Slow Food para levar um alimento bom, limpo e justo nas cantinas públicas.

Victor S. Lamberto
vlamberto@gmail.com
Slow Food Alentejo

Para maiores informações sobre o Slow Food na cantina:
Sarah Fleming : s.fleming@slowfood.com

< Voltar ao indice >


Slow Food na cantina
Mais de 60 variedades de amoreira crescem na região montanhosa do Pamir, no Tajiquistão

Tajiquistão – No território dos vales do Pamir, na província de Gorno-Badakhshan, o papel da amoreira é tão importante na dieta local, que as variedades da fruta presentes na região chegam a ser mais de 60. Vinda da China através do Caminho da Seda, adaptou-se rapidamente ao difícil ambiente montanhoso, cujas poucas aldeias se encontram em vales íngremes, com poucas terras cultiváveis.
As 60 variedades de amoras da região do Pamir são o resultado de séculos de seleção e adaptação, e são geralmente consumidas frescas ou utilizadas para preparar geleias, xaropes e pikht, uma farinha de amora que é misturada com farinhas de outras sementes e cereais. Devido à inacessibilidade destes locais, nos vales do Pamir fala-se ainda um grande número de dialetos locais e os subprodutos da amoreira têm nomes diferentes conforme a região.
Na cultura local, a árvore e o fruto da amoreira são associados à beleza: as amoras são tradicionalmente oferecidas aos casais para tornar a sua vida mais doce, e antes de construir uma casa, sempre se planta uma amoreira. Em épocas de crise, como durante a segunda guerra mundial ou durante a guerra civil que assolou o país até 1997, a amoreira foi importantíssima como fonte principal de alimentação.
A partir de 2004, a comunidade dos produtores de amora de Khorog faz parte da rede de Terra Madre, atualmente contando com 23 produtores, que há pouco criaram uma Fortaleza.

< Voltar ao indice >


Palavras férteis

Atum Slow
A Europa rumo à proibição do comércio de atum vermelho

Espanha – No começo de fevereiro, Slow Food Espanha juntou-se a inúmeras outras organizações para pedir que governo espanhol tomasse medidas urgentes para salvar o atum vermelho, já próximo à extinção. No ano passado, a espécie foi candidata a fazer parte do CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção), que proibiria seu comércio a partir de 2011 – tarde demais, segundo muitos. A França já anunciou seu apoio à proposta de proibição e muitos dos 27 países da União Europeia estão dando sinais positivos neste sentido. Em todo caso, a Espanha, que atualmente está na presidência da União Europeia e que apresentará a posição da União na reunião da CITES em março, ainda não declarou o próprio apoio.
Slow Food Espanha também defendeu o trabalho das comunidades de pescadores artesanais como as almadrabas (pequenas comunidades voltadas à pesca tradicional do atum), onde a pesca tem sido praticada de forma sustentável ao longo dos séculos, e enfatizou que estes pescadores são os primeiros a sofrer os efeitos negativos da sobre-exploração pesqueira.

Clique aqui para ler o artigo inteiro

França – Um número cada vez maior de chefs e restaurateurs está desde já abolindo espontaneamente o atum vermelho, sem esperar a implementação de eventuais leis. O mais recente deles foi o grupo Relais & Chateaux, que eliminou dos menus de seus 475 restaurantes as espécies ameaçadas de extinção. “O problema dos recursos ictícos é extremamente urgente, e devemos fazer com que as pessoas se dêem conta o quanto antes”, frisou Olivier Roellinger, chef e vice-presidente da cadeia internacional de restaurantes e hotéis de luxo. “A idéia é que se todos os chefs do mundo unirem suas forças, podemos realmente fazer a diferença.”

Clique aqui para ler o artigo inteiro

< Voltar ao indice >


Introduzir o imposto sobre o Junk Food
A Romênia considera um imposto para combater a obesidade

A Romênia poderia ser o primeiro país a introduzir um imposto sobre o junk food, já a partir de março deste ano, na tentativa de reduzir a incidência da obesidade e de aumentar os recursos de um sistema de saúde em crise. Um a cada quatro romenos é obeso e o sistema de saúde nacional sofre de uma falta crônica de recursos. Se aprovado, o imposto seria aplicado aos produtores de alimentos fast food, alguns lanches prontos, batatinhas, doces e bebidas e estima-se que levaria para os cofres do Estado aproximadamente um bilhão de euros. Em outros países, como a França e a Austrália por exemplo, foi levada em consideração a adoção de medidas similares, embora não tenham sido aprovadas devido à preocupação com os aumentos de preços para os consumidores e à dificuldade de chegar a uma formulação comum.

Clique aqui para ler o artigo inteiro

< Voltar ao indice >


Livros e filmes


Terra Madre
A publicação da edição inglesa

Em Terra Madre, o presidente do Slow Food Carlo Petrini explica por que razão, em escala global, não estamos comendo alimentos. São os alimentos que estão nos comendo. Inspirada pela rede de comunidades do alimento Terra Madre, a solução de Petrini para o problema da agricultura industrial em larga escala, se baseia em milhares de novas alianças em nível local entre produtores e consumidores. Petrini propõe ampliar estas alianças, ligando as comunidades do alimento das regiões do mundo inteiro entre si, para promover o alimento bom, limpo e justo. O objetivo final é um mundo em que as comunidades têm direito a decidir não apenas o que cultivar e comer, mas também de que forma produzir e distribuir o alimento.
A edição inglesa do último livro de Petrini foi publicada em meados de fevereiro:

Terra Madre: Forging a New Global Network of Sustainable Food Communities, Carlo Petrini, Chelsea Green, 2009

Clique aqui para maiores informações.

A edição italiana foi publicada no final do ano passado:
Terra Madre: Come non farci mangiare dal cibo, Carlo Petrini, Giunti, 2009

Clique aqui para maiores informações:

< Voltar ao indice >


The food wars
 
Através deste livro, Walden Bello, eminente escritor e ativista do Sul Global, nos oferece uma análise crítica das várias causas da crise alimentar global. Traçando um novo caminho rumo ao princípio de soberania alimentar, Bello declara que é preciso permitir que o mundo em desenvolvimento proteja e mantenha uma gama diferenciada de cultivos.

The Food Wars, Walden Bello, Verso, 2009.

Para maiores informações, clique aqui

< Voltar ao indice >


Il canto dell'ultima cena
 

Em Il canto dell’ultima cena, Ovadia e Di Santo analisam a ética da gastronomia judaica e a complexa relação entre alimento e cultura. É a história de gerações de emigrantes no Mediterrâneo, que têm uma ligação forte com suas receitas e com a ideia de um alimento ‘puro’ (kosher), mas também abertos a enriquecer a sua cozinha, introduzindo elementos da cozinha de suas novas pátrias.

Il canto dell’ultima cena, Moni Ovadia e Gianni Di Santo, Einaudi, 2010.

Para maiores informações, clique aqui.

< Voltar ao indice >


O Pornô Verde de Isabella Rossellini
 

Com uma abordagem excêntrica para uma campanha séria, esta série de curtas de Isabella Rossellini sobre a crise da pesca e sobre os hábitos reprodutivos dos animais marinhos, muito elogiada pela crítica, é cientificamente muito bem feita, mas ao mesmo tempo extremamente divertida.

Clique aqui
para assistir

< Voltar ao indice >
   


 


É Boa Sr, uma senhora de 85 anos, segundo os jornais do começo de fevereiro de 2010, faleceu. Era o último ser humano que falava o idioma “bo”, um dos dez idiomas conhecidos nas ilhas de Andaman e Nicobar, no Golfo de Bengala, não muito distantes da Birmânia. Com ela desaparece para sempre uma forma de expressão.

Esta “extinção cultural” não é um fenômeno raro: segundo os lingüistas existem aproximadamente 7.000 idiomas no mundo, 5.900 dos quais falados apenas por 3% da população do planeta. Idiomas em risco de extinção, que poderiam nos dizer muito sobre quem é o homem, qual a sua relação com o meio ambiente, sobre a sua cultura e evolução.

Estamos assistindo a uma perda de diversidade, quem sabe comparável à da biodiversidade, que Slow Food e Terra Madre vêm combatendo há muito tempo. Estes idiomas em risco estão, de fato, ligados intimamente às sociedades rurais, tribais e camponesas que representam a alma e o corpo de Terra Madre.
Sendo Terra Madre a casa da diversidade, da afirmação identitária, da troca e da abertura, de uma agricultura e uma gastronomia boas, limpas e justas, não pode então ficar indiferente ao fenômeno da erosão do patrimônio lingüístico.

É o lugar ideal para intervir ou, pelo menos, para levantar o problema, coloca-lo na agenda, discutindo e buscando soluções.
Por isto posso antecipar que o tema das línguas será uma das grandes novidades da próxima edição de Terra Madre, de 21 a 25 de outubro de 2010.

Novidade em grande estilo, a partir da cerimônia de inauguração, na sessão plenária. A organização do evento encontra-se ainda numa fase embrionária, mas a idéia é deixar a abertura de Terra Madre 2010 nas mãos dos povos indígenas. Os políticos, os grandes pensadores, os intelectuais deixarão de intervir; alguns representantes de povos que se expressam com linguagens menos internacionais, mas em muitos casos não por isso menos usados (se pensarmos em termos de número de “falantes”) serão os protagonistas.

Será a sua forma, a nossa forma de chamar a atenção sobre o fato de que as línguas são muitas, diferenciadas, expressões de uma diversidade preciosa, associada à biodiversidade, aos saberes que defendemos, às formas mais sustentáveis de viver o mundo.

Carlo Petrini
Presidente do Slow Food Internazionale


 




Venha fazer parte de uma

grande comunidade internacional que defende a agricultura, a pesca e a criação sustentável.
Celebre o prazer que os melhores alimentos do mundo proporcionam em toda a sua variedade.
servicecentre
@slowfood.com

 
 
 
 


.........................................................................


 

Calendário

Terra Madre Brasil
Brasília, Brasil
19 - 22 de março de 2010

Markt Des Guten Geschmacks
Stuttgart, Alemanha
15 - 18 de abril de 2010

Dia da avó
Internacional
25 de abril de 2010

Burren Slow Food Festival
Irlanda
21 - 23 de maio de 2010

Terra Madre Argentina
Buenos Aires
8-11 Julho de 2010

Terra Madre Balcãs
Sofia, Bulgária
Julho de 2010

Salone del Gusto
Turim, Itália
21 - 25 de outubro de 2010

Terra Madre
Turim, Itália
21 - 24 de outubro de 2010

Terra Madre Day
Internacional
Dezembro de 2010

 



.....................................................................

 
Slow Food e Terra Madre
em números


Associados: 100.000
Convivia: 1.300
Países: 150
Fortalezas: 314
Produtos da Arca do Gosto: 903
Mercados da Terra: 10
Hortas Escolares: 300

 


......................................................................... 

 

 
  Questa newsletterz è realizata dall'ufficio Comunicazione di Slow Food International
 Bess Mucke: b.mucke@slowfood.com -  Michèle Mesmain: m.mesmain@slowfood.com
Per tutte le questioni associative contattate il Centro Servizi: centroservizi@slowfood.it
Per disattivare la ricezione della newsletter, scrivere a communication@slowfood.com (oggetto mail: unsubscribe)