| |
Maio 2010
Imprima
 |
Nesta
edição: |
 |
Projeto do mês
|
 |
Consommons
ivoiriens
Projeto de educação
alimentar na Costa do Marfim |
O conflito que explodiu na Costa do Marfim em
setembro de 2002 teve um impacto enorme em Korhogo, no
norte do país, comprometendo seriamente a produção
agrícola. Isto implicou numa redução
significativa da renda das mulheres – que representam
a principal força de trabalho agrícola -
e o abandono da escola por parte de muitas crianças.
Desde sua criação, em 2006, o convivium
Slow Food Chigata lutou para criar, na aldeia de N'Ganon,
uma cooperativa agrícola de mulheres, com o objetivo
de abastecer, com produtos locais de boa qualidade, a
cantina da escola local. Devido à falta de verbas,
as refeições eram preparadas com matérias-primas
de baixo custo, e muitas crianças voltavam para
casa por não querer comer na escola. Assim, por
um lado, a comida da cantina era desperdiçada,
e por outro lado, as mulheres da aldeia eram obrigadas
a voltar para casa para cuidar dos filhos, com menos tempo
para o trabalho no campo e, consequentemente, com uma
redução da própria renda.
Hoje, a cooperativa de produtoras das aldeias de N'Ganon,
cultiva uma horta orgânica de 7 hectares: uma parte
da colheita é destinada às famílias
das produtoras da cooperativa e uma parte é entregue
à cantina da escola para as refeições
dos alunos, o restante é vendido no mercado local,
gerando uma renda adicional para a cooperativa.
A meta para 2010 é ampliar o projeto, envolvendo
a aldeia de Nangounkaha (2500 habitantes) e a escola primária
local: lá também será feita uma horta
sob a responsabilidade de uma cooperativa de mulheres,
que fornecerá os alimentos à cantina da
escola primária. O que sobrar da produção
será, em parte, destinado às mulheres e
suas famílias e, em parte, à venda no mercado..
Ajude-nos a desenvolver este projeto em 2010:
dê a sua contribuição através
do site de Terra Madre: www.slowfood.it/donate.
<
Voltar ao indice >
 |
Palavras chave do
Slow Food
|
 |
Neo-gastronomia
|
Neo - ou 'nova' - gastronomia indica
uma concessão da gastronomia como abordagem multidisciplinar
ao alimento, consciente da forte ligação
entre comida, planeta, pessoas e cultura. O termo foi
cunhado para expressar a evolução do movimento
Slow Food que, nascido para defender o alimento bom,
o prazer gastronômico e um ritmo de vida mais
lento (eno-gastronomia), ampliou assim o seu horizonte,
abrangendo também temas como a qualidade da vida
e a saúde do planeta no qual vivemos (eco-gastronomia).
A neo-gastronomia agrega um elemento holístico
a este enfoque: o neo-gastrônomo tem uma abordagem
responsável e de amplo espectro, que une o interesse
pela cultura do alimento e do vinho ao desejo de preservação
da biodiversidade dos alimentos e do meio ambiente;
e considera o ato de alimentar-se não apenas
uma necessidade biológica, mas também
um prazer convivial que deve ser compartilhado. O neo-gastrônomo
é consciente do fato de que suas escolhas em
matéria de alimentação têm
efeito direto no mercado e, portanto, na produção
alimentar; e que podemos orientar nossas escolhas do
dia a dia, beneficiando o paladar, o meio ambiente e
a sociedade.
<
Voltar ao indice >
 |
Campanhas…
|
 |
Slow
Fish
Peixe em Lisboa, Portugal
|
Portugal – No mês passado,
foi realizada a terceira edição de Peixe
em Lisboa, festival gastronômico dedicado ao peixe,
organizado pela Associação Turismo de
Lisboa em colaboração com a Câmara
Municipal da cidade.
O Slow Food participou do festival com um estande, onde
estavam reunidos pela primeira vez os quatro convivia
portugueses. O estande foi o ponto de referência
para todos os visitantes à procura de informações
sobre a pesca sustentável. Além disso,
o evento foi uma oportunidade para lançar em
Portugal a campanha internacional do Slow Fish, sensibilizando,
assim, todos os visitantes da feira em relação
à importância das escolhas responsáveis,
escolhendo o peixe fresco, local e pescado com técnicas
que respeitem o meio ambiente.
Duas pirogas para
o Senegal
Senegal – Duas pirogas muito
coloridas, como é tradição local,
com os símbolos do caracol e da Fundação
e o nome da Região Piemonte, foram doadas pela
Região Piemonte e a Fundação Slow
Food às comunidades de mulheres de três
ilhas do delta: Dionewar, Falia, Niodior.
A atividade da Fundação visa reduzir a
pressão da pesca: o tamanho e a quantidade pescada
vem diminuindo ano a ano. Assim, para garantir novas
fontes de renda, pensou-se em valorizar a produção
de xaropes e geleias produzidas com as frutas silvestres
que crescem em abundância, em Saloum: Karkadé,
Pain de Seinge, Gengibre, Tamarindo, Ditakh e New.
Havia, contudo, um problema preliminar a ser resolvido:
as comunidades de mulheres das três ilhas dependiam,
para se deslocarem, da boa vontade de algum pescador
que pudesse colocar a piroga à disposição.
Isto resultava na instabilidade das colheitas e do transporte
das frutas, custos exorbitantes, dificuldade para a
organização dos encontros. Os dois barcos
se tornaram, portanto, um símbolo positivo: obrigaram
as comunidades a atuarem conjuntamente e unidas, tornando
plausível a ideia de colher e transportar frutas
numa área muito mais ampla do que a normalmente
utilizada.
Duas pirogas para
o Senegal
Senegal – Duas pirogas muito
coloridas, como é tradição local,
com os símbolos do caracol e da Fundação
e o nome da Região Piemonte, foram doadas pela
Região Piemonte e a Fundação Slow
Food às comunidades de mulheres de três
ilhas do delta: Dionewar, Falia, Niodior.
Últimos guardiões
do salmão selvagem na Rússia
Rússia – No extremo leste
da Rússia, a região de Kamchatka, conquistou
o título, merecido, de terra incontaminada “do
fogo e do gelo”, graças a seus 29 vulcões
ativos. Aqui trabalha a comunidade dos nativos itelmenos
da Kamchatka “Tarja”, que sempre se dedicou
à pesca – sustentável – e
à venda do salmão selvagem. Os Itelmenos
respeitam as formas de pesca corretas e têm autorização
especial que permite pescar apenas uma determinada quantidade
de salmão que, sendo um produto tradicional,
é usado até para produzir brinquedos de
crianças.
O grupo dos Itelmenos vive quase que unicamente da caça
e da pesca. O ano de 2010 foi fundamental para a comunidade
de pescadores: as autoridades locais levaram adiante
um plano de redistribuição dos territórios
destinados à pesca entre as comunidades nativas
para os próximos 20 anos. Isto significa que
mais da metade das comunidades locais que não
conseguiram obter a autorização, ficaram
sem uma área de pesca, sem portanto a possibilidade
de autonomia econômica.
A comunidade dos pescadores de Tarja – graças
à prática da pesca tradicional e `a localidade
em que se encontra – o lago Bolshoje Sarannoje
–, conseguiu manter o próprio ofício,
realizado desde sempre pela comunidade indígena
como parte inseparável de sua cultura.
A possibilidade de pescar no lago tradicional dos nativos
significa desempenhar muitas outras atividades ligadas
à proteção da tradição
itelmena. Para envolver as novas gerações
neste processo, o Convivium Kamchatka, em colaboração
com o Centro do Pacífico para a proteção
do meio ambiente e dos recursos naturais, organiza,
no verão de 2010, um acampamento de verão
chamado “Guardiões do salmão selvagem”
envolvendo os jovens da comunidade e também os
visitantes de toda a península.
Para maiores informações:
Oleg Posvolskiy
líder do convivium
Slow Food Kamchatka
tarya1@yandex.ru
Slow Fish Challenge
Recordamos que é possível
participar ao Slow Fish Challenge para criar um receituário
coletivo, selecionando uma espécie local de peixe
obtida de forma sustentável, e uma boa receita
que ressalte o seu gosto.
Clique
aqui para mais informações sobre o
Slow Fish Challenge.
Slow Fish
www.slowfood.com/slowfish
<
Voltar ao indice >
 |
Da terra à
mesa…
|
 |
Coração
consciente, barriga cheia
Slow Food Quetzaltenango
(Guatemala) em festa, com sabor e responsabilidade
|
Guatemala – Alimentos locais, cultura,
terra, trabalho e políticas de bom governo são
os ingredientes da segunda edição da feira
“Coração consciente, barriga cheia”,
organizada em Quetzaltenango (Guatemala) pelo convivium
local e pelo Movimiento Emergente, no início do
mês. Ingredientes preparados com sabedoria pelo
convivium, que organizou laboratórios do gosto
com cozinheiros locais, seminários, um mercado,
atividades culturais, espaços de socialização
na mesa. “Dentro das culturas milenares da Guatemala,”
disseram os organizadores, “o ato de comer e a gastronomia
assumiram um peso cada vez maior. Por isto, hoje, a nova
revolução deve se basear na criação
de comunidades conscientes, que produzem alimentos de
qualidade respeitando a Mãe Terra o os trabalhadores”.
Durante a feira também foram apresentados os resultados
do projeto de educação “Cultivando
Vida”, que foi organizado, durante um ano, nas escolas
da região, pelo convivium Quetzaltenango, com apoio
do Slow Food Internacional.
Clique
aqui para maiores informações
Ramínez De León Pablo
teco125000@hotmail.com
< Voltar ao indice >
 |
Vinhos
jovens, tradições antigas
Um festival para
a nova safra do Slow Food Tbilisi (Geórgia) |
Geórgia – Vinicultores,
proprietários de pequenas adegas, jornalistas,
representantes das autoridades locais, especialistas e
conhecedores se reuniram, no começo de maio, por
ocasião do “Festival do vinho novo”,
unidos pela paixão pelo vinho georgiano. Os visitantes
foram recebidos no Museu etnográfico de Tbilisi,
onde foi organizada uma degustação do vinho
da safra 2009, acompanhado com comidas, cantos e música
tradicional.
Entre os participantes do festival havia também
produtores do vinho georgiano de ânfora, das regiões
de Kakheti e Imereti. Os representantes desta Fortaleza
Slow Food ofereceram uma degustação do vinho
que será apresentado no Salone Internazionale del
Gusto, em outubro em Turim. Segundo as declarações
de Malkhaz Kharbedia, presidente do “Wine Club”
organizador do evento, “o objetivo do festival era
reunir as pessoas que amam o vinho georgiano, que querem
preservá-lo e melhorá-lo”.
Para mais informações:
Maka Samatelli
Líder do Slow Food Tbilisi
mszgc@access.sanet.ge
< Voltar
ao indice >
 |
De
fava em fava
O cacau une Equador
e México |
Equador – Três
representantes da Fortaleza do cacau da Chontalpa (México)
visitaram a Fortaleza equatoriana do Cacau Nacional. Durante
uma semana, os produtores mexicanos visitaram os cultivos
de cacau, conheceram as instalações para
fermentação e secagem do produto, visitaram
a fábrica artesanal de produção de
chocolate, conheceram a diretoria da cooperativa e estudaram
em detalhe a organização relativa à
distribuição do cacau às cooperativas
e os investimentos.
A Fortaleza do Equador é um exemplo interessantíssimo,
tratando-se de um dos poucos projetos de comunidade indígena
que cultiva cacau e produz chocolate, administrando toda
a cadeia de produção, sem intermediários.
O chocolate da cooperativa Kallari tornou-se muito conhecido,
sendo exportado até para os EUA.
Para a Fortaleza mexicana foi sem dúvida uma excelente
oportunidade de estudar de perto a Fortaleza equatoriana,
recebendo algumas sugestões para desenvolver o
próprio projeto em Tabasco.
“Ficamos muito felizes com a oportunidade de conhecer
a experiência de Kallari, que é admirável,
um verdadeiro exemplo de trabalho produtivo, bem organizado
e sustentável”, declarou Rosa Medina Garcés,
diretora de ATCO (Asesoría Técnica en Cultivos
Orgánicos) – a associação local
que, a partir do ano 2000, apoia os produtores. “Esta
visita será de grande ajuda para o nosso trabalho
com a Fortaleza do cacau da Chontalpa, no México".
Para mais informações:
Alma Rosa Garcés Medina
Chontalpa Cacao Presidium
atcovillahermosa@yahoo.com.mx
Elias Alvarado
Cacao Nacional Presidium
eliasala@latinmail.com
<
Voltar ao indice >
Vozes do Terra Madre
 |
Uma
resistência de 30 anos
França
– Em abril foi organizada a festa anual
das Fortalezas francesas. Durante um fim de semana
dedicado à biodiversidade, o dia das Fortalezas
foi uma oportunidade de encontro, troca de experiências
e troca de ideias novas para os produtores e para
todos aqueles que trabalham pela promoção
de uma alimentação boa, limpa e
justa. Marie-Lise Broueilh, produtora
da Fortaleza francesa do carneiro barèges-gavarnie,
nos relata a sua experiência... |
 |
| |
"Continuar com a criação
do carneiro barèges-gavarnie, resistente
às ásperas condições
geoclimáticas dos nossos vales,
foi uma luta que durou trinta anos. Nos
anos 70, muitos produtores sentiam a necessidade
de preservar a criação desta
raça autóctone. O carneiro
necessita de um longo período de
crescimento – aproximadamente dois
anos – em região de montanha
- por isto, raças mais produtivas
ameaçavam a sua existência.
Para tentar resolver a situação,
uma dezena de criadores, decidiram preservar
o carneiro Barèges-gavarnie, criando
apenas esta raça local..."
|
|
| |
|
|
| |
Marie-Lise
Broueilh
Responsável pela Fortaleza
do carneiro Barèges-gavarnie (França)
moutonbg@free.fr
Clique
aqui para ler o resto da história
de Marie-Lise no site de Terra Madre.
|
|
|
 |
<
Voltar ao indice >
Tradições
alimentares
 |
Eat
the world
Um casal português,
dando a volta do mundo em busca das tradições
gastronômicas locais |
Um casal português - ele
chef de cozinha, ela escritora - ambos amigos do Slow
Food, partiram numa viagem ao redor do mundo para descobrir
as diversas culturas através dos prazeres da
mesa, compartilhando esta experiência com seu
país.
Com seu projeto Eat the World, Maria e Francisco Martins
da Silva visitarão 23 países em 365 dias,
vivendo com as famílias e aprendendo receitas
e técnicas através das pessoas do lugar,
de donas de casa a chefs famosos. Os encontros serão
documentados no site do casal, e serão relatados,
regularmente, num jornal português e numa revista
de gastronomia. “A nossa intenção
é levar ao conhecimento da sociedade portuguesa
aquilo que ocorre em diversos países do mundo:
o que as pessoas comem, suas tradições,
de onde vêm os nossos alimentos, etc.” escreve
o casal. “Acreditamos que a arte culinária
é uma extensão do nosso patrimônio
cultural, histórico e religioso... Queremos revelar
a gastronomia local, descobrir o mundo através
da cozinha, e através de nossos artigos, revelá-los
também aos outros.
Depois de ter saído de Portugal, em fevereiro
passado, o casal já visitou Moçambique,
Zanzibar, Reino Unido, Turquia, Síria, Jordânia,
Líbano, Israel e Dubai. Agora está indo
rumo à Asia, e depois América do Norte
e do Sul. Os relatos, as fotos e os vídeos das
receitas estão sendo publicados no site Eat
the World.
Clique
aqui para ler, em inglês, toda a história
do site do Slow Foodé.
< Voltar
ao indice >
Alimento
para a mente
 |
Jardineiros
criativos
Os habitantes
de centros urbanos no Reino Unido propõem
soluções criativas para cultivar
autonomamente as próprias hortaliças |
Reino Unido–
O desejo de economizar, um interesse cada vez maior
sobre a origem dos alimentos e uma desconfiança
cada vez maior das indústrias alimentares está
levando artistas e cidadãos à procura
de espaços e métodos alternativos para
praticar uma horticultura urbana, demonstrando que a
falta de áreas cultiváveis não
implica obrigatoriamente renunciar a produtos cultivados
pessoalmente. Nas cidades inglesas com maior densidade
demográfica, muitos estão começando
a se dedicar à horticultura nos terraços,
compartilhando, muitas vezes, suas experiências
em blogs. “Não há necessidade de
um terreno ou de um jardim para produzir os próprios
alimentos, no Reino Unido temos o equivalente de 344
campos de futebol de espaço cultivável
na frente das nossas janelas”, declara Fiona Reynolds,
do National Trust, que lançou no começo
do ano uma campanha para o auto-cultivo.
Ao mesmo tempo, na França, um
grupo de designers urbanos, lançou recentemente
uma linha de mini-hortas portáteis, feitas de
bolsas de material poroso. A ideia foi concebida pela
Bacsac como solução às limitações
impostas pela jardinagem tradicional de terraço,
consistindo no uso de bolsas que podem ser deslocadas
facilmente, oferecendo assim infinitas possibilidades
de aproveitamento dos espaços nas áreas
urbanas.
Clique
aqui para ler todo o artigo em inglês.
Crescendo
EUA – O convivium Slow Food de
São Francisco também aderiu à tendência,
ajudando a lançar a primeira horta escolar “vertical”
da cidade. A horta vertical “sem-solo” da
escola primária Sanchez foi montada numa rede
metálica suspensa, não reduzindo, assim,
o espaço de lazer das crianças. Criada
segundo critérios de sustentabilidade, a horta
utiliza a tecnologia hidropônica, sendo alimentada
com energia renovável. O convivium espera que
a horta da escola Sanchez se torne um modelo para outras
escolas urbanas, abrindo o caminho ao uso do espaço
vertical não aproveitado, transformando-o num
espaço didático verde, especialmente nos
campus onde o espaço é um problema.
Clique
aqui para maiores informações, acessando
ao blog do Slow Food USA.
<
Voltar ao indice >
 |
O
sabor da fome
Seguindo um
regime 'de fome', uma escritora conscientiza sobre
a malnutrição no mundo |
EUA – Com
o objetivo de denunciar, examinar e chamar a atenção
sobre a fome no mundo, a escritora Natasha Burge realizou
este mês um projeto que consiste em seguir o regime,
durante sete dias, das populações que
mais passam fome no mundo. Com World Hunger Exploration,
Natasha Burge alimentou-se com alimentos básicos
das regiões mais afetadas pela falta de alimentos,
seguindo a mesma dieta diária de um bilhão
e duzentos milhões de homens, mulheres e crianças
cronicamente desnutridos.
Durante a semana de privação alimentar,
a escritora investigou as causas e as possíveis
soluções para o fenômeno devastador
da fome crônica, concentrando-se num aspeto diferente
para cada dia de seu regime. Na semana seguinte, Natasha
refletiu sobre a sua experiência. “A raiva
e o desconforto que senti durante esta pesquisa, estavam
acompanhadas pela esperança e pela alegria, pois
há no mundo milhares e milhares de pessoas que
dedicam a própria vida à luta contra esta
tragédia... Acredito sinceramente que se todo
ser no mundo se sentisse assim durante, no minimo, uma
semana da própria vida, a desnutrição
crônica seria definitivamente derrotada... uma
vez vivenciada esta dor, o estômago vazio, aquela
fraqueza que deixa as pernas tremendo, ninguém
mais permitiria que outros seres humanos passassem por
um sofrimento semelhante.”
Clique
aqui para ler o artigo completo.
< Voltar ao
indice >
Livros
e filmes
 |
O
negócio dos porcos |
O documentário Pig Business,
do diretor Tracy Worcester – uma denúncia
contra o verdadeiro preço da econômica
carne de porco – revela os métodos revoltantes
usados pela indústria suína para produzir
todo ano um milhão de toneladas de carne de porco
para o mercado do Reino Unido. O sofrimento dos animais,
os danos para a saúde humana e o meio ambiente,
e a ameaça para a sobrevivência dos pequenos
criadores de porcos são algumas das questões
levantadas no documentário, apresentado este
mês pelo Slow Food North Yorkshire. O dvd será
distribuído gratuitamente a todos aqueles que
quiserem organizar uma projeção.
Clique
aqui para ler o artigo completo,
do site do Slow Food em inglês
Visite o site do Pig Business para maiores informações
sobre o filme e a campanha, para assistir todo o filme
online, ou para organizar uma projeção.
www.pigbusiness.co.uk.
< Voltar
ao indice >
 |
Mel
doce, limões azedos: uma volta pela Sicília
de Vespa
|
Mais recentemente conhecido por ter criticado abertamente
o governo italiano pelo apoio ao hambúrguer McItaly
do McDonalds, o jornalista, amante da Itália,
Matthew Fort relata, em Sweet Honey, Bitter Lemons,
a Sicília que conheceu através de suas
comidas, viajando pela ilha a bordo de uma Vespa. Explorando
a maior das ilhas do Mediterrâneo, Matthew Fort
descobriu e saboreou os alimentos locais, onde quer
que fosse: entradas em vilarejos quase abandonados,
sorvete de limão num litoral deslumbrante ou
a pesca das anchovas sob um céu estrelado. Impressionado
pela intensidade da vida na Sicília, pelas paisagens
extraordinárias e pelas tradições,
o autor descobre como a rica cultura gastronômica
da ilha é ligada ao seu passado muitas vezes
turbulento.
Sweet
Honey, Bitter Lemons: Travels in Sicily on a Vespa,
2008, Ebury Press.
< Voltar
ao indice >
 |
Um
Ano de Impacto Zero |
O livro relata, informalmente,
as aventuras de um homem, com sua esposa, filha e cachorro
que, no coração de Manhattan, tenta salvar
o Planeta mudando radicalmente seus hábitos.
Há muitos conselhos práticos que permitem
reduzir o nosso impacto ambiental e a parte dedicada
ao alimento é reveladora: comendo de forma sustentável,
aumenta-se o prazer da alimentação e do
convívio com as pessoas queridas.
No
Impact Man: The Adventures of a Guilty Liberal Who Attempts
to Save the Planet, and the Discoveries He Makes About
Himself and Our Way of Life in the Process, 2009,
Farrar, Straus and Giroux.
< Voltar
ao indice >
|
|
|
|
 |
| |
Como
fazer das virtudes necessidades
A tradição
das “Virtudes Teramanas” (da província
de Téramo), que ainda hoje acontece em
Abruzzo em princípios de maio, é
um rito popular do passado que nos faz refletir
sobre o presente e o futuro. A sociedade rural
que deu origem à tradição
não existe mais, mas a mensagem continua
válida, ainda mais nesta época de
desperdícios e distrações...
Na época em que as “virtudes”
nasceram, era preciso “fazer das necessidades,
virtudes”, hoje em dia podemos dizer que
as “virtudes” têm se tornado
uma necessidade.
As “virtudes” nada mais são
que um prato, cujas protagonistas, como sempre
nestes casos, são as mulheres. “Virtudes”
pois o objetivo é conseguir preparar bem
uma iguaria complexa, com grande habilidade. Os
ingredientes básicos são as sobras
da dispensa depois do inverno: grãos, massa
de vários tipos, sobras de porco que a
mulher, no passado, sabia recuperar e reciclar.
O prato une todas estas sobras a verduras frescas
de primavera: legumes frescos e as primeiras hortaliças,
e ainda massa fresca e alguma carne, como pedacinhos
de presunto ou almôndegas fritas. Não
existe uma receita única, a habilidade
está em saber transformar uma longa lista
de ingredientes em algo diferente de um simples
“minestrone”: equilibrado e delicioso.
É uma receita iluminante: nos ensina o
valor da economia, da reutilização
e da reciclagem; é um hino contra o desperdício,
mas também é símbolo de compartilhamento
e inclusão em uma comunidade. De fato,
as famílias tradicionalmente ofereciam
as “virtudes” aos vizinhos e parentes.
Esquecer-se de alguém muitas vezes era
motivo de brigas familiares...
Quando me dizem que comida boa custa caro, respondo
mencionando as “Virtudes Teramanas”,
que, além de tudo, são um prato
delicioso. E, se no passado eram realmente preparadas
com custo zero, não podemos dizer que hoje
a preparação seja cara. Mais do
que aconselhar a todos que experimentem e preparem
em sua versão original, queremos enfatizar
o significado desta tradição: é
preciso voltar à cozinha das sobras, saber
economizar a comida do refrigerador, depois de
ter pago o justo preço aos produtores.
As virtudes nos ensinam que a comida é
algo precioso, e que o aproveitamento das sobras
pode, muitas vezes, ter resultados extraordinários.
As virtudes também nos trazem de volta
o significado social da comida, uma reciprocidade
que em tempos de crise aguda, muitas vezes dramática,
se torna um elemento econômico revolucionário.
Procuremos, dentro do possível, realizar
as virtudes em casa, começando agora a
luta contra os desperdícios no campo alimentar.
Para nós, para o planeta, e para os mais
necessitados. Que a tradição se
renove, demonstrando a própria modernidade.
Gostaria de sugerir aos grandes chefs criativos,
que voltem à cozinha das sobras, inventando
novas receitas para recuperar e reutilizar os
ingredientes que temos em casa. Mas acima de tudo,
gostaria que as comunidades de Terra Madre nos
mostrassem suas receitas tradicionais feitas com
sobras, descrevendo-as para que possam ser reunidas
e colocadas à disposição
da rede: poderia ser o início do futuro
da gastronomia, começando pelo passado.
É assim que se passa, do “fazer das
necessidades, virtudes”, ao compreender
que as Virtudes são uma verdadeira necessidade.
.
Carlo Petrini
Presidente do Slow Food Internacional
|
|
|
|
 |
O Slow Food está
trabalhando para ajudar comunidades ao redor do
mundo a reconstruir os seus sistemas locais de produção
para que possam se alimentar melhor, proteger o
meio ambiente e manter a própria diversidade
cultural. Ajude-nos
a concretizar as soluções.
|
|
|
 |
| Venha
fazer parte de uma |
grande
comunidade internacional que defende a agricultura,
a pesca e a criação sustentável.
Celebre o prazer que os melhores alimentos do
mundo proporcionam em toda a sua variedade.
servicecentre
@slowfood.com
|
|
| |
.........................................................................
| |
Calendário
Terra Madre Argentina
Buenos Aires
8-11 Julho de 2010
Terra Madre Balcãs
Sofia, Bulgária
Julho de 2010
Salone del Gusto
Turim, Itália
21 - 25 de outubro de 2010
Terra Madre
Turim, Itália
21 - 24 de outubro de 2010
Terra
Madre Day
Internacional
Dezembro de 2010
|
|
.....................................................................
| |
Slow Food e Terra
Madre
em números
Associados: 100.000
Convivia: 1.300
Países: 150
Fortalezas: 314
Produtos da Arca do Gosto: 903
Mercados da Terra: 10
Hortas Escolares: 300
|
|
.......................................................................
|
| |
 |
|