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A newsletter de todos os que fazem
parte da rede do Terra Madre
e que juntos defendem a agricultura, a pesca e a criação
sustentável
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Projectos
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Uma Fortaleza para defender
a pimenta preta de Rimbàs (Borneo, Malásia)
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Babu Sedebau é uma pequena aldeia situada na região do
Rimbàs, no Sarawak, um dos dois Estados Malaios da ilha
de Borneo. Nesta região fértil e longe dos centros habitados
cultiva-se um pequeno tesouro: a pimenta preta kuching,
uma variedade malaia particularmente perfumada. A pimenta
preta é talvez a especiaria, mais conhecida e usada no
mundo, tanto que representa um quarto do comércio mundial
de especiarias, no entanto, para os Ibans – a população
nativa de Sarawak – a pimenta preta é uma cultura pouco
rentável: exige muito trabalho e não é um bem de primeira
necessidade; por esse motivo as famílias dedicam apenas
o tempo resíduo para cuidar das plantas.
Para salvaguardar a produção desta preciosa variedade
de pimenta a comunidade local – que participou no encontro
do Terra Madre 2006 – e a Fundação Slow Food para a Biodiversidade
começaram um projecto de Fortaleza.
A Fortaleza ajudará os produtores seleccionados a melhorar
a transformação de pimenta. Muito em breve a comunidade
de Babu Sedebau construirá também um novo laboratório
de secagem e embalagem de produto. Kamenka.
Para contactar os produtores de pimenta preta de Rimbàs,
escrever para:
Mulokanak Saban
Mail: tfanfare@tm.net.my
- tfanfare@gmail.com
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Fortaleza:
As Fortalezas são projectos de desenvolvimento
local suportados pela Fundação Slow Food para
a Biodiversidade que salvaguardam pequenas
produções de qualidade em risco de extinção.
As Fortalezas envolvem directamente os produtores,
para valorizar territórios, recuperar saberes
e técnicas tradicionais, salvar da extinção
raças autóctones e variedades de cereais,
fruta e verduras ancestrais.
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Food
for Thought: Alimento para a mente
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Por onde começar, para mudar a relação da sociedade com
os alimentos? O Schumacher College (Dartington, South
England) tenta dar uma primeira resposta com um curso,
concebido para aprofundar o papel das universidades e
das instituições na educação para uma alimentação sustentável,
explorando as possibilidades de transformação do sistema
de aprovisionamento. A ideia do Food for Thought
(Alimento para a mente) começou a tomar forma quando Inga
Page, Coordenadora de Programas do Schumacher, participou
no encontro do Terra Madre 2006. “Ouvir Carlo Petrini
falar dos ideias pelos quais o Slow Food se bate e de
quão importante é um trabalho comum entre as universidades
para mudar o sistema alimentar inspirou-me”, diz Inga.
Food for Thought terá lugar de 29 de Outubro
a 2 de Novembro no Schumacher College. Durante os 5 dias
de curso intervirão Roberta Sonnino (Cardiff University),
Tom Kelly (University of New Hampshire), Victor Kuri (University
of Plymouth) e Cinzia Scaffidi (Slow Food): uma combinação
de experiências e perspectivas diferentes que ajudarão
os participantes a tomar um novo rumo nos sistemas alimentares
das respectivas instituições para criar e difundir uma
nova cultura da alimentação na sociedade.
Outra iniciativa importante do Schumacher College diz
respeito à preparação de refeições quotidianas, na qual
participam quase todos os estudantes. Seguindo as receitas
sugeridas pelos professores, os alunos utilizam os ingredientes
da época, comprados na vizinha Riverford Farm, South Devon,
de produção biológica, e assim estreitam um laço muito
forte com a comunidade do alimento local.
Para informações e inscrições em Food for Thought:
www.schumachercollege.org.uk
Enfoque em...
Biodiversidade
A biodiversidade é a variedade das formas de vida vegetais
e animais presentes nos ecossistemas do planeta. A biodiversidade
compreende a diversidade genética dentro de cada espécie
e a diversidade dos ecossistemas, mas também a diversidade
cultural, que se pode exprimir de várias formas (diversidade
de linguagem, de cultura, de alimento ou outra) e representa
uma solução para o problema da sobrevivência da vida em
ambientes em mutação.
A biodiversidade resulta de um longo processo evolutivo
e é simultaneamente o reservatório de onde brota a evolução
para realizar todas as modificações genéticas e morfológicas
que originam novas espécies de seres vivos. A biodiversidade
é o seguro de vida do nosso planeta. Mas tudo isto está
em risco de desaparecer, apagado pelas regras da indústria
e da agricultura massificada. Perder esta riqueza significa
renunciar para sempre a um património genético único e
irrepetível, aos sabores de um território, à cultura e
às tradições de uma comunidade.
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Agricultura
sustentável, biodiversidade e comércio justo, juntos
contra a pobreza
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Demonstrar que agricultura sustentável, desenvolvimento
rural que respeita as culturas locais e consumo responsável
podem reduzir a pobreza: este objectivo do projecto
trienal realizado em parceria pela ONG italiana CEFA,
a Fundação Slow Food para a Biodiversidade e o Consórcio
Fairtrade Itália; projecto co-financiado pela União
Europeia.
O projecto terá uma etapa importante em Varsóvia, na
Polónia, o 7 Setembro próximo: na capital polaca cozinheiros,
produtores, representantes de organizações não governamentais
e de comércio justo, e alguns jornalistas, encontrar-se-ão
para debater a tutela da agro-biodiversidade e de um
comércio justo e solidário que valorize uma interacção
eficaz entre países europeus e do Sul do mundo.
O grande público poderá participar num dos dois dias
dedicados particularmente aos produtos espontâneos e
ao mel, recursos frequentemente subestimados, mas que
podem constituir uma fonte de rendimento significativa
nas regiões onde não é possível praticar agricultura
ou criação.
Em Varsóvia participarão os representantes da rede do
Terra Madre da Europa de Leste: dos apicultores ucranianos
aos apanhadores de frutos espontâneos eslovenos, dos
produtores de infusões de Rosson (Bielo-Rússia) aos
produtores de uma bebida alcoólica típica polaca chamada
“mel de beber”.
Para mais informações contactar:
Paolo Bolzacchini
Mail:
p.bolzacchini@slowfood.it
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Dicionário Slow Food |
Fundação Slow Food para a
Biodiversidade
A Fundação Slow Food para a Biodiversidade
defende a biodiversidade alimentar e as tradições gastronómicas
de todo o mundo. Promove uma agricultura sustentável,
que respeita a identidade cultural dos povos, o ambiente
e o bem-estar animal; reivindica a soberania alimentar,
ou seja, o direito de cada comunidade de decidir o que
cultivar, produzir e comer, sendo por isso autónomas na
resposta às próprias necessidades alimentares. Subsidia
projectos em todo o mundo, mas a sua missão mais importante
está relacionada com os pequenos produtores artesanais
de países em vias de desenvolvimento.
Fundada em Florença (Itália) em 2003, a Fundação existe
graças à mobilização do movimento Slow Food, mas também
graças aos contributos de instituições públicas, empresas
privadas e de quem se interesse em apoiar projectos em
defesa da biodiversidade.
Vozes do
Terra Madre
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O
Slow Food é saber a origem do que comemos,
saborear os prazeres que a comida nos proporciona
em conjunto com a sua família, aproveitar
o convívio à mesa. |
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Linda
McCallum-Jackson,
produtora,
associada do convivium Slow Food Otago,
Dunedin, Nova Zelândia
Mail:
havoc.farm@xtra.co.nz
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Tradições alimentares
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A
biodiversidade do milho
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Entre a primeira planta selvagem, que dava maçarocas amargas
e pequenas (máximo 3 cm) e as variedades de milho actuais,
há sete mil anos de história. No livro sagrada dos Maia,
o homem nasce de uma maçaroca e ainda hoje no México o
milho é um alimento fundamental: basta pensar que na Cidade
do México se consomem 600 milhões de tortilhas
diariamente.
O milho não é apenas uma cultivação de planície: nas regiões
tropicais pode crescer até aos 2000-3000 metros. É o ingrediente
mais importante da gastronomia da América Central. Pode-se
beber, quente ou frio, em forma de atole; acompanha
outros pratos como o pão, em forma de tortilha,
e é base de tamales, tacos e enchiladas.
No México, Guatemala e nos Andes peruanos e argentinos
o milho não é apenas amarelo ou branco. Os grãos podem
ser vermelhos, rosa, roxos, pretos, azuis e podem ter
as formas mais díspares. Uma riqueza extraordinária que
está a desaparecer aos poucos. A ponto de actualmente
no México, o país originário do milho, se ver obrigado
a importar 40% deste cereal dos Estados Unidos: para fazer
tortilhas compram farinha às multinacionais americanas
e nos campos a variedade local desaparece porque o mercado
quer os híbridos modernos. Os pequenos produtores compram
sementes e produtos químicos e as suas terras, ano após
ano, produzem menos e custam mais.
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PARTILHEM
AS VOSSAS TRADIÇÕES! Descrevam-nos
a vossa comunidade, quais os vossos pratos
típicos e em que ocasiões se comem. Aparecerão
nesta secção.
Escrevam-nos para communication@slowfood.com
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Do
biocombustível à memória dos povos, tudo está
relacionado
É a lógica do dominó: se se deita abaixo a primeira
peça, esta faz cair todas as outras.
Os governos dos países industrializados, liderados
pelos Estados Unidos, não querem mais depender
do petróleo proveniente do estrangeiro. Decidiram
por isso incentivar massivamente a produção de
biocombustível, frequentemente com programas de
subsídios consideráveis e estabelecendo acordos
internacionais. Por exemplo, quem cultiva milho
tentará aumentar o seu rendimento por todos os
meios possíveis, incluindo o uso de OGM – mais
fácil, visto não se tratar de culturas alimentares
–, de pesticidas e de fertilizantes químicos.
Quem nunca tinha cultivado milho começará a fazê-lo
para este fim, talvez abandonando outras culturas
destinadas à alimentação: vão literalmente pôr
comida no motor.
Graças a isso o preço do milho já aumentou, e
está destinado a atingir valores recorde, para
mais num mercado global.
Aumentarão também os preços de outros cereais,
como o trigo ou o arroz. A China, cujas reservas
estão a diminuir drasticamente, começa já a importar
estes alimentos, afectando o equilíbrio mundial
com quedas significativas a nível local.
Mas se um dia se encontrar outra fonte de energia,
países inteiros – em particular os países em vias
de desenvolvimento que procuram assim saldar as
suas dívidas – após ter abandonado as suas culturas
alimentares, não poderão mais alimentar-se, nem
vender a produção própria destinada ao biocombustível.
Um dia, talvez, os recursos do terreno se esgotem
devido a esta nova monocultura intensiva.
Um dia...
Entretanto, a biodiversidade vegetal desaparece
a um ritmo cada vez mais rápido: dia após dia
alimentamo-nos de um número cada vez menor de
variedades vegetais; uma tendência reforçada pelo
uso de OGM, que nos faz vislumbrar a miragem do
“super cereal” criado em laboratório. Estes OGM
serão apresentados como uma resposta natural para
nutrir a população mundial, uma vez que as culturas
“alimentares” não serão suficientes. Desta forma
perder-se-á o património naturalmente adaptado
aos nossos terrenos, cuja variedade seria uma
garantia em caso de doenças e carência devido
a factores naturais.
Entretanto, juntamente com a capacidade dos povos
se nutrirem dos solos, estamos a perder a memória
dos alimentos que nos alimentaram durante séculos.
É esta memória que devemos recuperar ou preservar.
Quem tem memória das coisas estima-a. Aquela variedade
de inhame que cresce – ou crescia – no Norte do
Mali, com um sabor tão diferente do de outras
regiões, como é que se usava?
Conta-me avó por favor...
Carlo Petrini
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Perguntas e respostas
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A questão dos OGM
é complexa e difícil. Não há uma resposta unívoca para combatê-los,
cada um de nós pode agir a vários níveis, escolhendo cuidadosamente
os produtos que compra e informando as pessoas que nos são próximas
das consequências dos OGM, muitas vezes escondidos por detrás
de argumentos consolidados, como o facto que os OGM representariam
a solução para nutrir uma população mundial em crescimento continuo.
É necessário criar uma consciência e um movimento colectivo.
Clique aqui
para ler as respostas aos lugares comuns mais frequentes a propósito
dos OGM.
Em Espanha Josep Pamiès, líder de convivium Slow Food, levou
o problema dos OGM às capas dos jornais locais arrancando algumas
plantas OGM. Muitos se mobilizaram para o apoiar. Para ler o
apelo e aderir à campanha de Pamiès, visitem o site: www.freepamies.org
Sugerimos que discutam e partilhem os eventuais elementos de
solução que encontram no blog
do Terra Madre, onde podem já ler um testemunho
da Polónia.
Convidamos também os investigadores e académicos de todo o mundo
a aderirem ao Apelo "Uma
ciência responsável para uma alimentação sustentável"
(em italiano), promovido numa campanha sobre os OGM e a sustentabilidade
do sistema agro-alimentar começada pela Coalizione ItaliaEuropa
– Livre de OGM.
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OGM:
é um organismo cujo património genético foi
modificado através de técnicas de engenharia genética
que permitem isolar, modificar e transferir a sequência
de ADN de um organismo a outro com o objectivo de
obter determinadas características, que não seria
possível desenvolver espontaneamente. Tais organismos,
portanto, contêm no próprio código genético genes
que na natureza pertencem ao ADN de outros organismos
de espécies vegetais ou animais.
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Sabiam que...
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Uma
alimentação melhor para uma saúde mais democrática
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O Farm Bill é uma complicada lei federal norte-americana,
revista de cinco em cinco anos, que no desinteresse geral
dita as regras do sistema alimentar americano mas também em
grande parte do sistema mundial, determinando quais as culturas
que serão subsidiadas e quais as que não serão. Os médicos
americanos solicitam ao Congresso para votar um Farm Bill
“para a saúde”. Os americanos gastam 1800 biliões de dólares,
15% do rendimento nacional, para o tratamento de doenças cardíacas,
cancro e diabetes, e doenças crónicas para cuja prevenção
seria útil o aumento do consumo de fruta e vegetais e um redimensionamento
do consumo de gorduras e açúcar. Apesar disso, menos de 0,5%
do Farm Bill se destina ao sector hortofrutícola: para quem
cultiva hortaliças e fruta fresca não está previsto praticamente
nenhum apoio.
Michael Pollan (académico que participou no Terra Madre) lembra
que nos EUA as pessoas mais obesas são também as mais pobres,
porque comer mal, com gorduras e calorias é mais barato. Um
lanche industrial com 39 ingredientes transformados através
de processos complicados custa menos do que uma cenoura.
Carol Havens, líder do convivium Skagit River Salish Sea do
Estado de Washington, promoveu juntamente com os associados
do Slow Food e com os agricultores da sua região, um apelo
ao Congresso para que o Farm Bill 2007 tenha mais atenção
às pequenas produções locais, com vantagens consideráveis
para a saúde dos consumidores.
Entretanto o Slow Food Itália subscreveu um protocolo de intenção
com o Ministério da Saúde italiano para monitorizar e melhorar
a qualidade da alimentação nos hospitais, estabelecendo ligações
directas entre responsáveis pelas refeições hospitalares,
pacientes e produtores locais.
Para mais informações sobre o Farm Bill:
info@slowfoodskagit.org
o chavens@cnw.com
Saiba
mais sobre o Protocolo de Intenção
Slow Food - Ministério da Saúde italiano (em italiano).
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