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A newsletter de todos os que fazem parte da rede do Terra Madre e que juntos defendem a agricultura, a pesca e a criação sustentável


 
  Projectos


 

Educação Slow

A reflexão da Slow Food em termos de bom, limpo e justo deriva de uma cadeia produtiva e distributiva boa, limpa e justa, de uma maior relação entre produtores e co-produtores e do acesso a produtos melhores para todos. A educação do gosto e o aprender como fazer todos os dias escolhas conscientes e responsáveis relativas à alimentação, são o ponto de partida para alcançar os objectivos da Slow Food. Uma mudança que garantirá a todos, alimentos produzidos de forma sustentável, naturalmente bons e saudáveis.
A Slow Food está actualmente a trabalhar numa relação que explora, em mais de 65 países, as actividades promovidas no território pelos convivium Slow Food, pelas Comunidades do alimento do Terra Madre e por todos aqueles que acreditam na possibilidade de comer melhor e mudar o sistema agro-alimentar actual. Aqui ficam alguns exemplos extraídos da pesquisa
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Os canadianos Elna e Doug recebem estudantes nas suas explorações

As explorações Edgar na província de Alberta (Canada), são uma empresa de propriedade da família Edgar há já seis gerações. Actualmente são geridas por Elna e Doug, autores de um programa educativo através do recebem nos seus campos grupos de estudantes durante o período da colheita (Maio e Junho). As visitas oferecem aos jovens a possibilidade de entrar em contacto directo com vários produtos e aspectos da exploração: o leite e a carne, o cultivo de espargos, feijões e ervilhas. Enquanto os acompanha pela exploração explicando-lhes os ciclos de vida naturais e consumo sazonal de produtos, Elna convida os jovens a tocar, provar e escolher pessoalmente.
O programa idealizado pelo casal Edgar visa colmatar o vazio relativo à educação alimentar dos programas escolares: muitas vezes os princípios básicos ensinados por eles representam uma absoluta novidade para os jovens, como o facto que os alimentos não vêm só dos armazéns e dos supermercados mas do campo.
«As crianças têm um extraordinário poder de influenciar os comportamentos de compra e os hábitos da sua família e podem tornar-se defensores dos produtos frescos locais. Não é raro vê-los regressar no fim-de-semana com os pais» comenta Elna.
«Quando o autocarro da escola deixa a propriedade levando as crianças e as seus gritos de alegria somos invadidos por uma sensação de vazio, imediatamente colmatado pelos preparativos da organização da próxima visita» diz o Doug. «Regressamos aos nossos compromissos plenos de satisfação por nós, pela nossa terra e pelo futuro».

Contactos:
Doug e Elna Edgar
Produtores de legumes frescos da comunidade de Innisfail, Canada.
elna@edgarfarms.com



Eat-In

Na primeira edição do Slow Food Nation que decorreu no passado mês de Agosto em São Francisco estreou uma iniciativa única, promovida pelo Youth Food Movement: o l’Eat-In. O primeiro Eat-In decorreu em São Francisco no Dolores Park e viu reunir-se à volta de uma longa mesa que dominava o parque, 250 estudantes e jovens agricultores, chefes, artesãos e activistas provenientes de todas as partes dos Estados Unidos. Em virtude do enorme sucesso atingido em São Francisco o Manifesto do Eat-In foi distribuído por ocasião de eventos similares organizados em todo o mundo e circulará também no Terra Madre: será distribuído sábado à tarde por ocasião do evento dedicado aos mais de 100 jovens delegados que se reunirão em Turim.

Manifesto do Eat-In
O que é o um Eat-In?
Um Eat-In é um protesto contra a cultura do fast food.
Um Eat-In é um apelo a alimentos bons, limpos e justos.
Um Eat-In é uma declaração que a alimentação representa a nossa linguagem comum e um direito universal.
Um Eat-In é uma celebração daqueles que cultivam, produzem, vendem e cozinham os nossos alimentos.
Um Eat-In é uma chamada de atenção para a geração que herda o nosso sistema alimentar, para que saia do carro, desligue o seu computador e se reúna à volta da mesa.


Come fazer um Eat-In
• Convide novos e velhos amigos a cozinhar na sua cozinha. Convide outros amigos a cozinhar noutras cozinhas. Sejam cinco ou 50 pessoas podem Eat-In (comer em casa).
• Vão aos mercados de produtores e às mercearias. Apertem a mão a quem vos alimenta.
• Ponham a mesa num parque, numa exploração, em frente a uma Câmara Municipal ou no estacionamento de um McDonald’s.
• Partilhem a refeição juntos.

Para mais informações e para aceder ao arquivo fotográfico do Eat-In de São Francisco, clique aqui.


Produtos locais nas cantinas escolares de N’ganon

Na aldeia de N’ganon, a 70 Km de Korhogo, na Costa do Marfim do Norte, continuam as actividades do projecto de educação ao consumo local, promovido e desenvolvido pelo convivium Chigata. Este convivium foi aberto pela associação Chigata juntamente com três Comunidades do alimento do Terra Madre: os produtores de manteiga de Karitè de Korhogo, os produtores de castanha de Caju de Niofouin e os produtores de Soumbala de N’Ganon.
O projecto envolve todos os habitantes da aldeia – do chefe da aldeia às mulheres, às crianças, a todos os homens – e quem conhece um pouco África, sabe que seria impossível de outra forma. Mas a principal protagonista é a escola de N’ganon. Para além de garantir pelo menos duas refeições por dia na escola, o programa prevê o fornecimento de pratos confeccionados à base de produtos locais, equilibrados e saudáveis. As mulheres da aldeia cultivam as matérias-primas, que em parte servem para reabastecer a cantina escolar e ao consumo familiar e outra parte são vendidos no mercado para apoiar o projecto.
Após três meses a partir do lançamento do projecto os sete hectares concedidos ao chefe da aldeia foram arroteados, arados e cultivados, enquanto foram seleccionadas as variedades de cereais e de legumes mais adaptados às características do terreno. Os primeiros produtos, tais como arroz, amendoins e feijões, serão apanhados em Setembro, Outubro. Os alunos da escola N’ganon, terão à disposição a partir de Setembro, diariamente, os pratos tradicionais da Costa do Marfim e poderão adquirir, comendo, a consciência do grande valor dos produtos cultivados em sua casa e da importância da sua cultura alimentar.
O projecto “Consommons Ivoirien, Equilibre et Sain dans nos Cantines Scolaires” é coordenado e apoiado pela Fundação Slow Food para a Biodiversidade, graças a um contributo da Gund Foundation.

Para contactar o convivium de Chigata:
chigatafsdd@yahoo.fr


Comunidade unida na defesa do seu património

Jim Turnbull, associado Sow Food de Oxfordshire (UK), trabalhou vários anos na Roménia e pensa que este país é um extraordinário recipiente de biodiversidade, tradições, saberes antigos e desconhecidos, com um grande potencial. Convicto que a vontade e a motivação para encontrar ideias criativas e sinergias podem dar grandes resultados, empenhou-se em conjunto com produtores, artesãos, famílias, associações locais e com a Slow Food em desenvolver este potencial. Foi responsável pela abertura do primeiro convivium na Roménia assim como da primeira Fortaleza, as compotas das aldeias saxónicas em 2005. É também cofundador do primeiro mercado de produtores em Bucareste, que vai tornar-se um Mercado da Terra, e está a trabalhar num segundo mercado de produtores que abrirá este Outono em Brasov.
Ultimamente tem trabalhado com a Fundação ADEPT (também contribuiu para a sua constituição) e com o convivium Slow food Tarnava Mare para levar para a aldeia o projecto internacional das "4 gerações". O projecto foi idealizado por Sveva Gallmann no Quénia, porque "em África as gerações mais velhas de curandeiros não estão a passar os seus conhecimentos às gerações mais jovens - na escola, as crianças aprendem que as artes antigas não são relevantes para a vida moderna. Os anciãos, que não sabem ler nem escrever, não são mais vistos como mestres, ainda que a sua cultura derive de centenas de anos de observação da natureza e convivência harmoniosa com o ambiente".
As histórias das pessoas, da paisagem e da cultura são reunidas e transmitidas antes que se percam irremediavelmente, com técnicas de ensino interactivo, incluindo o diálogo entre as gerações com sessões de perguntas e respostas, demonstrações práticas e dinâmicas de grupo, relatos, cantos e passeios pela natureza. O projecto foi um grande sucesso também na Roménia para ligar as crianças ao seu património cultural. Anca Calugar da Fundação ADEPT, foi importantíssima neste sucesso: "Este projecto é dedicado às pessoas e às suas histórias! Têm muito para nos contar! Acerca da sua experiência de vida, dos valores verdadeiros e simples que são cada vez mais difíceis de manter por causa do modo de vida actual... é por isso que é tão importante registar o seu saber, encorajá-los a partilhá-lo e também para nos conhecermos melhor e assim transmitir o presente às próximas gerações, para os fazer sentir orgulhosos de quem são e das suas origens, porque são estas coisas que nos tornam especiais. Trata-se de nossa identidade!". O projecto concluiu-se com um espectáculo teatral onde as crianças encenaram os seus novos conhecimentos.


Para mais informações:
Sobre a fundação Adept
Sobre a Fortaleza Slow Food das Compotas das aldeias saxónicas
Sobre o projecto 4 gerações:
http://www.gallmannkenya.org/
Articolo nella rivista National Geographic



Enfoque em...

Terra Madre Irlanda
Ministro por um dia


A cidade de Waterford, na Irlanda, recebeu de 4 a 7 de Setembro o último encontro nacional do Terra Madre antes do evento que decorrerá em Turim de 23 a 27 de Outubro.
A conferência política inaugural (All-Island Policy Conference) que teve lugar sexta-feira 5 no campus do instituto de tecnologia de Waterford representou um dos encontros mais importantes e significativos dos quatro dias na ilha esmeralda. Nessa ocasião centenas de participantes (repartidos por quarenta laboratórios presididos por especialistas do sector) deram vida a um animado e proveitoso debate, trocando ideias sobre temas como o futuro da carne bovina irlandesa, a agricultura, a pesca, as hortas escolares, a regulamentação, a rastreabilidade e a etiquetagem. Agricultores, criadores, produtores artesanais, chefes, nutricionistas, professores, alunos e investigadores de cada laboratório redigiram propostas utilizando a formula “se fosse ministro por um dia, queria...” e na sessão da tarde as suas ideias foram apresentadas ao Ministro da Agricultura da Irlanda do Norte, Michelle Gildernew, e a Trevor Sargent, Ministro da Alimentação da República da Irlanda.
Os dias seguintes foram dedicados a visitas a produtores artesanais da ilha, a degustações, piqueniques, competições e a um memorável banquete ao ar livre com 8 pratos para 750 pessoas.

Até ao final de Outubro é possível participar nos fóruns de discussão on-line sobre os temas dos workshops. As conclusões finais e as propostas serão publicadas num livro.

Clique aqui para ver a reportagem que a emissora Nationwide dedicou ao evento e visite o site do Terra Madre Irlanda para aceder à galeria fotográfica, ouvir os excertos áudio e ler os relatórios relativos ao evento.



A desforra do queijo irlandês

Na primavera de 2000, Jane Murphy não sabia se a sua querida empresa de queijo de cabra na margem do rio Blackwater no sudeste da Irlanda, chegaria ao final da época. Uma nova lei tinha sancionado que todos os produtos alimentares tinham que passar por um centro de distribuição central, coisa que de facto excluía do mercado os pequenos produtores. Sem fornecimentos interessantes para os armazenistas, os pequenos produtores encontravam-se repentinamente na condição de não poder mais vender aos revendedores directos. Até então desconhecidos, os Farmer’s Market (mercados de produtores) foram a salvação para os produtores artesanais. Jane começou a vender os seus queijos no novo mercado de produtores de Middleton e descobriu que as vendas permitiam dar novo fôlego aos seus negócios.
«Adoro o que faço, não tenho nada contra o trabalho duro e todos os dias para mim são um prazer, mas antes do aparecimento dos Farmer’s Market questionava-me se queria verdadeiramente trabalhar assim tanto, sete dias por semana, para vender a distribuidores e supermercados que tornam a vida cada vez mais difícil aos pequenos produtores». Hoje o marido e os filhos de Jane ajudam-na no que começou como um hobby há 30 anos e os Farmer’s Market continuam a ser o principal canal de venda do leite de cabra, do iogurte e do queijo que produzem.

Jane participou no Laboratório do Terra Madre Irlanda dedicado aos produtores de queijo artesanais. Estes solicitaram ao governo a revisão da lei europeia relativa ao leite cru e um empenho para se reconhecerem as características de qualidade de produtos lácteos locais e as suas propriedades benéficas para a saúde.

Jane Murphy
Delegada no Terra Madre Irlanda e associada do Convivium Slow Food de East Cork, Irlanda.
Mail: jane@ardsallaghgoats.com


Slow Food
em duas palavras


Viagem às raízes da alimentação

Na edição 2008 o Salone del Gusto e Terra Madre estão mais próximos do que nunca e em conjunto permitem efectuar uma verdadeira viagem da mesa às raízes da alimentação.
Os delegados presentes no Terra Madre 2008 têm a possibilidade de se debaterem sobre a produção, transformação e comercialização de produtos agro-alimentares de qualidade, graças aos Laboratórios da Terra encontros temáticos que envolvem as comunidades de produtores, chefes, académicos, jovens, estudantes, observadores e técnicos. Estão programados mais de 30 seminários entre 25 e 26 de Outubro no Oval Lingotto sobre temas actuais – da agro-ecologia ao acesso aos mercados, dos direitos relacionados com a terra, à educação alimentar – para os quais as próprias comunidades indicaram a necessidade de se encontrarem no último ano. A edição de 2008 apresenta uma importante novidade: a abertura dos seminários ao público do Salone del Gusto.

Importante ocasião de encontro entre o público do Salone del Gusto e as comunidades do alimento são também as conferências organizadas no Lingotto, dedicadas aos grandes temas do Terra Madre e as cerimónias de abertura e encerramento do Terra Madre.

Quer participar na cerimónia de abertura e encerramento do Terra Madre? Quer acompanhar num Laboratório da Terra? Clique aqui.



Vozes do Terra Madre

  Estou muito feliz por ver todas estas pessoas reunidas com um objectivo comum, em busca de novas e melhores soluções para difundir as produções alimentares sustentáveis na Irlanda. Estou confiante que este seja apenas o início de um futuro radioso para a produção alimentar sustentável: uma nova via a percorrer pelos nossos agricultores, pescadores e produtores, mas também algo capaz de enriquecer o nosso país.  
     
  Mary McAleese
Presidente da Irlanda
Terra Madre Irlanda 2008
 



Tradições alimentares

Dióspiros secos de Hachiya, Japão

O Dojo Hachiya-gaki é um tipo particular de dióspiro seco produzido na povoação de Hachiya, actualmente faz parte do município de Minokamo (prefeitura de Gifu, na parte central do Japão).
A sua história remonta ao século IX, quando se conta que eram oferecidos aos membros da corte imperial (dojo) e do shogunato, que os consideraram “doces como o mel” (hachimitsu), daí derivaria também o nome da povoação, Hachi-ya.
Graças à oferta destes dióspiros a povoação usufruiu durante bastante tempo de muitos privilégios, de entre os quais a redução de imposto sobre o arroz. O cultivo foi quase completamente substituído por amoreira utilizada na sericultura, e foi apenas graças à intervenção do agricultor Murase na primeira metade de 900 que se preservou a variedade e as técnicas produtivas. Ele conseguiu encontrar no jardim de um casal de velhos agricultores da povoação a última planta da variedade original, cujos ramos são ainda distribuídos aos membros da comunidade para efectuar os enxertos.
Depois da colheita, que ocorre de Novembro a Dezembro, os dióspiros deixam-se amadurecer entre três a sete dias. Sucessivamente são descascados, defumados e pendurados, primeiro à sombra e depois ao sol. Os produtores alisam constantemente a superfície com as mãos e eliminam com um pincel o açúcar em excesso.
Este particular fruto está tão intimamente ligado à cultura e às tradições de Minokamo que todos os anos em Janeiro no templo Zuirinji, também conhecido como “templo dos dióspiros”, tem lugar a cerimónia do chá e do dióspiro de Hachiya na qual participam um grande numero de pessoas. O aumento da idade média dos produtores está no a entanto a pôr em risco de novo a sobrevivência deste produto. Para procurar tutelá-lo e para transmitir as técnicas produtivas, todos os anos as crianças do terceiro e do último ano das escolas primárias fazem um curso dedicado ao tema.



  PARTILHEM AS VOSSAS TRADIÇÕES! Descrevam-nos a vossa comunidade, quais os vossos pratos típicos e em que ocasiões se comem. Aparecerão nesta secção.
Escrevam-nos para communication@slowfood.com
 



Perguntas e respostas


 

Quais serão os encontros dedicados à educação durante o Terra Madre 2008?

 

No Terra Madre haverá dois Laboratórios da Terra dedicados às temáticas da educação:

Pensa…que cantina! (25 de Outubro _ 10h00 _ Sala E): a cantina como ponto de encontro e cooperação no seio da rede Terra Madre e os outros actores da restauração colectiva.
Pode participar já on-line.
As comunidades da aprendizagem (26 de Outubro _ 10h00 _ Sala B): Experiências educativas na formação de uma cultura agro-ecologica. Debate e apresentação de projectos educativos internacionais. Pode participar já on-line.

Aos delegados do Terra Madre está reservado ainda Às origens do gosto, o percurso sensorial que quer fornecer um vocabulário de base para a descrição das características organolépticas dos produtos (sexta-feira 24 e sábado 25 10h00-17h00 _ domingo 26 10h00-16h00 _ balcão do pavilhão Terra Madre).
O percurso é articulado em três fases:
Sala Vídeo: através do relato de uma classe e algumas animações simpáticas, um vídeo ilustra o funcionamento dos órgãos dos sentidos e os exercícios para os treinar e utilizar conscientemente.
Percurso Sensorial: seis etapas para começar a treinar os sentidos (o gosto, a visão, o olfacto, o tacto, a audição).
Sala Degustação: uma sala para afinar as capacidades sensoriais.
No programa do Terra Madre é possível consultar os horários e as salas destes encontros.

Além disso no Salone del Gusto será possível assistir às conferências A rede dos school garden (26 de Outubro _ 15h00 _ Sala Cittàslow) onde se falará de experiências de educação alimentar, sensorial e de hortas escolares de Itália e do mundo.
Clique aqui para visualizar o programa completo das conferências do Terra Madre no Salone del Gusto.


 
 



Estou à vossa espera, todo o mundo Slow Food italiano está à vossa espera. Quem esteve na última edição sabe o que quer dizer participar numa assembleia plenária do Terra Madre, sabe o que significa aprender qualquer coisa com os outros, encontrar-se nos Laboratórios da Terra, o que significa interceptar a humanidade que transita no Salone del Gusto ou ali apresenta os seus produtos. Até vocês, que sabem o que significa, não estão um pouco frenéticos por estes dias, como nós que estamos a tratar da organização.
Este ano no Terra Madre apostamos sobretudo nos jovens, na sua capacidade de criar uma rede, na sua vontade de regressar à terra e de permanecer nas terras dos seus pais para salvar o solo e a agricultura. Haverá a novidade dos agricultores-músicos e dos sons das comunidades e tenho a certeza que os cantos rurais de todas as partes do mundo conferiram ainda mais paixão ao evento, acompanhando-nos todos os dias, mostrando-nos algo mais.
Terra Madre e Salone del Gusto são eventos que surgiram também para aprender, para que as pessoas possam regressar a casa mais conscientes do que representam, depois de ter visto como trabalham outros noutras partes do mundo, depois de terem provado coisas novas, depois de terem aprendido técnicas de produção novas, depois de terem visto na prática toda a diversidade cultural do planeta concertada num só local. Terra Madre 2008 será uma lição para quem participar, e também para quem organiza: não podemos prever os projectos novos que irão surgir, que agriculturas se salvarão, quais as comunidades que mudarão para sempre a sua história depois daqueles dias mágicos no final de Outubro. Não podemos ainda saber que ideias fulgurantes lhes irão ocorrer nos dias posteriores ao evento, antes de se traduzirem nos meses seguintes em novas actividades para o movimento.
Vamos ao Terra Madre com este espírito, como esponjas que vão absorver tudo o que conseguirem, no fundo é uma ocasião única. Mas vamos também para celebrar: a diversidade, as nossas culturas, a nossa vontade de criar um mundo melhor, a nossa vontade de nos divertirmos. Porque sem o prazer de fazer as coisas, de comer, de estarmos juntos, de partilhar o que sabemos, não há felicidade.
Estou à vossa espera, estamos à vossa espera.

Carlo Petrini

 
 

Venha fazer parte de uma grande comunidade internacional que defende a agricultura, a pesca e a criação sustentável.
Celebre o prazer que os melhores alimentos do mundo proporcionam em toda a sua variedade.
servicecentre@
slowfood.com

 
Enviem-nos as vossas questões e os vossos comentários, relatem-nos as vossas histórias e experiências: serão transmitidas aqui.
communication
@slowfood.com
 
encontram fotografias, vídeo e gravações áudio do Terra Madre 2006
 
 
   
 
  Sabiam que...

Fotos e desenhos por uma alimentação simples e saudável

O chefe japonês Jinnosuke Uotsuka com a ajuda de fotografias e desenhos explica aos seus compatriotas como conservar a comida sem desperdícios. Escreveu em 2007 Os japoneses que deixam estragar a comida no frigorífico e em 2008 Os japoneses que não deixam estragar a comida no frigorífico: uma espécie de guia para não deitar fora os alimentos, que no Japão vendeu mais de dez mil exemplares em duas semanas. Segundo Uotsuka, o frigorífico é uma verdadeira catástrofe. «Compram-se demasiadas coisas, amontoa-se tudo e as coisas estragam-se. Em termos de calorias os japoneses deitam fora todos os anos a mesma quantidade de comida que produzem. Em vez de acumular os alimentos é melhor tratá-los para os conservar» diz Uotsuka. Aqui ficam alguns exemplos: «as maçãs demasiado maduras? Podem-se cortar em fatias finas e secá-las. E o peixe? Deixa-se secar depois de se ter salgado, assim conserva-se durante uma semana».


 
 

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